Tsunami meteorológico provoca alagamentos e arrasta barcos no Litoral Sul de Santa Catarina
O início desta segunda-feira, 21, foi marcado por tempestades e vendavais no Rio Grande do Sul. Parte dessas instabilidades avançou para Santa Catarina durante a madrugada e a manhã, especialmente nas áreas próximas à divisa com o estado gaúcho, entre o Planalto Sul e o Litoral Sul.
No Litoral Sul, a situação chamou atenção pela ocorrência de um tsunami meteorológico, fenômeno raro associado a mudanças bruscas na pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos sobre o mar.
Por volta das 6h, uma elevação repentina do nível do mar provocou alagamentos em pontos de Jaguaruna, Imbituba e Laguna. Foram registrados acúmulos de água e areia em vias, danos em edificações e barcos que acabaram sendo arrastados pela força da água.
A confirmação do fenômeno ocorreu a partir da análise conjunta de radares meteorológicos, imagens de satélite e marégrafos. Os registros apontaram a atuação de uma linha de instabilidade sobre o Litoral Sul, acompanhada por uma faixa de nuvens e rajadas de vento sul estimadas entre 60 km/h e 90 km/h.
A combinação entre os ventos fortes e alterações rápidas na pressão atmosférica coincidiu com uma elevação significativa do nível do mar por volta das 6h. O movimento foi registrado pelos marégrafos de Imbituba e Laguna, além de câmeras instaladas na faixa litorânea.
Diferentemente de um tsunami convencional, provocado geralmente por terremotos ou outros eventos geológicos no fundo do oceano, o tsunami meteorológico tem origem atmosférica. É resultado de condições meteorológicas específicas que podem provocar uma oscilação rápida e temporária do nível do mar.
Fenômeno é raro
O episódio desta segunda-feira é considerado raro no litoral catarinense e apresenta dificuldade de previsão, justamente porque depende da combinação de diferentes fatores atmosféricos e marítimos.
Apesar da previsão de mar agitado entre terça e quinta-feira, não há indicação de repetição do tsunami meteorológico. A chegada de uma massa de ar frio e seco tende a estabilizar a atmosfera e reduzir as condições favoráveis à formação de novas linhas de instabilidade sobre o mar.
Santa Catarina ainda terá risco de temporais
O tempo severo, porém, não termina nesta segunda-feira.
Durante a tarde, a combinação de temperaturas elevadas, umidade e instabilidade atmosférica deve favorecer a formação de novas tempestades, inicialmente no Oeste catarinense e posteriormente em outras regiões.
Há risco elevado para vendavais e granizo em grande parte do Estado. No Oeste e Extremo-Oeste, o risco é considerado muito alto, com possibilidade de ocorrências capazes de provocar quedas de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e outros transtornos.
As instabilidades devem avançar pela noite e permanecer até a madrugada e manhã de terça-feira, principalmente nas áreas próximas à divisa com o Paraná. A chuva deve perder força gradualmente ao longo da terça.
Frio ganha força a partir de quarta-feira
Depois da passagem das instabilidades, uma nova massa de ar frio e seco deve avançar sobre Santa Catarina, provocando uma mudança significativa nas condições do tempo.
A quarta-feira terá amanhecer gelado, com possibilidade de temperaturas próximas de 0 °C nos pontos mais altos do Estado. As mínimas devem ficar entre 4 °C e 7 °C em boa parte do Oeste, Meio-Oeste, Planaltos e áreas serranas da Grande Florianópolis.
No trecho entre o Litoral Sul e a Grande Florianópolis, as mínimas ficam entre 8 °C e 13 °C. No Litoral Norte, os termômetros devem marcar entre 10 °C e 13 °C.
Quinta e sexta-feira permanecem frias, embora com mínimas um pouco mais elevadas. Ao longo da semana, as temperaturas máximas devem permanecer abaixo dos 20 °C em grande parte do Estado — uma mudança expressiva em relação à segunda-feira, quando o Oeste e o Norte catarinense podem superar os 30 °C.
Mar fica agitado entre terça e quinta
A atuação persistente de ventos do quadrante sul também deve provocar agitação marítima entre terça e quinta-feira.
As ondas podem alcançar entre 2 e 3 metros, trazendo riscos principalmente para a navegação, pesca, esportes náuticos e banhistas.
Esse cenário, no entanto, é diferente do tsunami meteorológico registrado nesta segunda-feira. A agitação marítima prevista para os próximos dias está relacionada principalmente ao predomínio dos ventos do sul e à passagem das instabilidades.
A recomendação é acompanhar as atualizações da Defesa Civil de Santa Catarina e os avisos meteorológicos emitidos ao longo dos próximos dias, especialmente diante da possibilidade de temporais, ventos fortes, granizo, frio intenso e mar agitado.



