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Rede Vale Norte

Estudo do MPSC aponta mais de 10 mil famílias em risco grave de insegurança alimentar em SC

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Foto de Jor. Marcelo Zemke
Jor. Marcelo Zemke

Levantamento destaca situação em municípios do Alto Vale, incluindo Dona Emma, José Boiteux e Rio do Sul

Um estudo elaborado pelos Centros de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Terceiro Setor (CDH) e da Saúde Pública (CSP) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) aponta que 10.252 famílias catarinenses estão em situação de risco grave de insegurança alimentar.

O levantamento utiliza dados do Cadastro Único e do CadInsan para estimar a probabilidade de insegurança alimentar grave entre as famílias. Segundo o MPSC, o indicador representa uma estimativa estatística de risco, e não um diagnóstico individual realizado diretamente com cada família.

Entre os municípios analisados, o estudo chama atenção para cidades do Alto Vale do Itajaí, incluindo Dona Emma, José Boiteux e Rio do Sul.

Alto Vale

Em Dona Emma, foram identificadas 5 famílias em situação de risco, o equivalente a 6,4% do universo considerado no município.

Em José Boiteux, o levantamento aponta 18 famílias, correspondentes a 5,8%.

Já em Rio do Sul, município de maior porte na região, são estimadas 123 famílias em risco grave, representando 5,6% do universo analisado.

Os números mostram uma diferença importante entre os municípios: enquanto cidades menores podem apresentar percentuais proporcionalmente mais elevados, municípios maiores concentram um número absoluto maior de famílias em situação de vulnerabilidade.

Mais de 10 mil famílias em Santa Catarina

De acordo com o estudo, o risco grave de insegurança alimentar está distribuído por municípios de diferentes portes e realidades socioeconômicas. Entre os municípios com maiores proporções aparecem Entre Rios (19,7%), Rio Rufino (11,8%), Bom Jardim da Serra (10,8%), Treviso (10,5%) e Ipuaçu (10,4%).

Em números absolutos, os maiores contingentes estão em Florianópolis, com 1.705 famílias; Lages, com 695; e Itajaí, com 601.

O MPSC também identificou fragilidades na estrutura das políticas públicas de segurança alimentar. Em abril de 2026, apenas 50 dos 295 municípios catarinenses haviam aderido ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Somente 24 municípios possuíam Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional vigente.

Para o coordenador dos Centros de Apoio, Eduardo Sens dos Santos, os dados podem auxiliar as Promotorias de Justiça na identificação de vulnerabilidades e na cobrança por políticas públicas estruturadas. “A ideia é transformar os indicadores de vulnerabilidade em ponto de partida para uma atuação capaz de induzir respostas públicas estruturadas e sustentáveis, respeitando as particularidades de cada território e buscando a efetivação do direito humano à alimentação adequada”, destaca. 

O estudo foi encaminhado às Promotorias de Justiça dos municípios com indicadores considerados mais preocupantes e busca contribuir para o fortalecimento das ações permanentes de combate à insegurança alimentar e garantia do direito à alimentação adequada.

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