El Niño deve voltar no segundo semestre e acende alerta para eventos extremos em Santa Catarina

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Jor. Marcelo Zemke

Fórum Climático aponta tendência de mais chuva e calor acima da média, após meses de precipitação abaixo do normal no estado

O 240º Fórum Climático Catarinense, realizado no dia 27 de março, reuniu meteorologistas e especialistas de diferentes instituições para discutir as tendências climáticas para os próximos meses em Santa Catarina. O encontro contou com a participação da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, da Epagri/Ciram, do AlertaBlu, além de pesquisadores do IFSC e da UFSC.

Durante o fórum, foi destacado que o fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS) permanece em condição de neutralidade, porém com o oceano apresentando resfriamento. Esse cenário já vem impactando o regime de chuvas, especialmente no Oeste catarinense, onde os volumes têm ficado abaixo da média. A tendência é que essa condição de menor precipitação ainda persista no curto prazo.

Segundo semestre de 2026

As projeções climáticas indicam, no entanto, uma mudança gradual ao longo do ano. Há previsão de formação de um novo episódio de El Niño no segundo semestre de 2026, com desenvolvimento entre o inverno e a primavera. Historicamente, anos sob influência desse fenômeno costumam registrar aumento nas chuvas e maior frequência de eventos de tempo severo na região Sul do Brasil.

Esse cenário eleva o risco de ocorrências como alagamentos, enxurradas e cheias, principalmente durante a primavera. Apesar disso, os especialistas ressaltam que ainda não é possível determinar com precisão quais regiões serão mais afetadas, uma vez que previsões de longo prazo possuem incertezas. A definição mais detalhada dos impactos deve ocorrer apenas no decorrer do segundo semestre, com base nas previsões de curto prazo.

Outro ponto destacado é o comportamento das temperaturas. Mesmo com a chegada do inverno, a tendência em anos de El Niño é de temperaturas acima da média, com episódios de frio mais curtos e menos persistentes. As quedas mais acentuadas devem ocorrer de forma pontual, seguidas por períodos de aquecimento.

Para os meses de abril e maio, a previsão indica chuva entre normal e abaixo da média, mantendo o cenário de atenção em áreas que já enfrentam escassez hídrica. A partir de junho, os volumes tendem a se aproximar da climatologia, representando uma recuperação gradual.

Em relação às temperaturas, a expectativa é de redução progressiva, principalmente nas mínimas, embora ainda com médias acima do normal para o período. As primeiras incursões de frio mais intenso devem ocorrer apenas a partir da segunda quinzena de maio.

Climatologicamente, o trimestre entre abril e junho marca o período de outono em Santa Catarina, caracterizado por transição nas condições do tempo. Abril é historicamente o mês mais seco do ano, enquanto maio e junho registram aumento gradual das instabilidades, com maior atuação de frentes frias e ciclones extratropicais. Nesse período, também são comuns temperaturas mais baixas, especialmente em junho, quando as mínimas podem ficar abaixo dos 10°C em diversas regiões do estado.

Diante das projeções, os especialistas reforçam a importância do acompanhamento constante das atualizações meteorológicas e do planejamento antecipado por parte dos municípios, principalmente em relação à gestão de riscos e eventos extremos.