Laudo aponta risco de novos deslizamentos na Serra do Tucano e indica obra para estabilizar encosta

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Jor. Marcelo Zemke

Estudo contratado pela Prefeitura de Rio do Sul recomenda manter a rodovia interditada até a execução de obras que garantam a segurança do local

A área atingida pelo deslizamento na Serra do Tucano, em Rio do Sul, continua apresentando risco elevado de novos movimentos de terra. A conclusão é de um laudo técnico elaborado pela empresa WSGeo Geologia e Geotecnia, contratada pela Prefeitura para avaliar a situação da encosta e indicar as medidas necessárias para recuperar o local com segurança.

De acordo com o estudo, a área está classificada como de risco muito alto e apresenta condições de instabilidade que podem provocar novos deslizamentos. Por esse motivo, a recomendação dos técnicos é manter a interdição da rodovia até que as obras de recuperação sejam executadas.

Segundo a geóloga da Defesa Civil, Pâmela Cristina Azarias, o problema começou durante as obras de recuperação da estrada, quando as escavações atingiram um aquífero fraturado — uma formação subterrânea que acumula água entre fissuras das rochas. Essa água passou a infiltrar no solo da encosta, que já apresentava sinais antigos de instabilidade.

“O terreno já possuía histórico de movimentação e apresentava fissuras e abatimentos. Com a presença da água, o solo perdeu resistência e o processo de deslizamento se acelerou”, explica.

O laudo também aponta que a água é um dos principais fatores que contribuem para a instabilidade da encosta. Por isso, além da recuperação do terreno, será necessário implantar sistemas de drenagem para controlar o fluxo de água e evitar que o problema volte a ocorrer.

A solução indicada pelos especialistas é o retaludamento da encosta, uma técnica que consiste em remodelar o morro, reduzindo sua inclinação e criando patamares que aumentam a estabilidade do terreno. O estudo mostrou que, com essa intervenção e a implantação da drenagem adequada, a área poderá atingir níveis de segurança considerados satisfatórios pelas normas técnicas.

O diretor da Defesa Civil de Rio do Sul, Teodoro Luís da Silva, afirma que a principal preocupação neste momento é evitar novos riscos para motoristas e moradores da região.

“Os estudos confirmaram que o local ainda não oferece condições seguras. Por isso, a recomendação é manter a interdição até que as obras sejam executadas. Estamos tratando de uma área que continua apresentando risco de novos deslizamentos”, destaca.

Com a conclusão do laudo, a próxima etapa será a elaboração do projeto executivo da obra, que definirá os detalhes técnicos da intervenção. O trabalho será conduzido pela equipe de engenharia da Prefeitura de Rio do Sul em conjunto com a Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), responsável por detalhar as soluções construtivas, os sistemas de drenagem, a forma de execução dos serviços e o cronograma de recuperação da encosta.

Segundo o secretário de Infraestrutura, Fernando César Souza, o Nandu, as equipes já trabalham na definição dos próximos passos.

“Agora vamos avançar na elaboração do projeto e na busca da melhor solução para executar a obra. O objetivo é recuperar a área de forma definitiva e garantir segurança para quem utiliza a rodovia”, afirma.

O relatório técnico ressalta que, enquanto as obras não forem realizadas, existe a possibilidade de novos deslizamentos, especialmente em períodos de chuva. Por isso, o monitoramento da área continuará sendo feito pelos órgãos responsáveis até que a situação seja resolvida.