Defesa Civil de Ibirama inicia ações preventivas diante da previsão de El Niño e aumento das chuvas

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Jor. Marcelo Zemke

A projeção é reforçada por dados apresentados no Fórum Climático Catarinense, que aponta mais de 80% de chance de formação do El Niño

A Defesa Civil de Ibirama anunciou o início de uma série de ações preventivas diante da previsão de formação do fenômeno El Niño, que deve impactar Santa Catarina ainda no segundo semestre de 2026.

De acordo com o diretor do órgão, José Eduardo do Rosário, o objetivo é informar a população com base em dados técnicos confiáveis, sem causar alarme. “Trabalhamos com informações de especialistas da área de meteorologia, que indicam aumento expressivo no volume de chuvas e maior probabilidade de eventos adversos no Alto Vale do Itajaí”, destacou.

Entre os possíveis impactos estão inundações, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra, granizo e tempestades. A região historicamente sofre com os efeitos do fenômeno, o que eleva a preocupação das autoridades.

A projeção é reforçada por dados apresentados no Fórum Climático Catarinense, que aponta mais de 80% de chance de formação do El Niño entre junho e agosto. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, tende a provocar chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas, especialmente a partir da primavera.

Diante desse cenário, a Defesa Civil de Ibirama já iniciou um plano de preparação baseado em três pilares: educação preventiva, comunicação de riscos e integração entre órgãos públicos.

Entre as medidas estão ações educativas nas escolas, orientação a moradores de áreas de risco, revisão dos planos de contingência e atualização de protocolos para abertura de abrigos e resposta a eventos extremos. Também estão previstas a formação de voluntários e o fortalecimento da comunicação com a população.

No campo estrutural, o município deve intensificar a limpeza de bueiros, galerias e áreas de drenagem, além de reforçar a fiscalização em locais vulneráveis.

Diante desse panorama, a Defesa Civil de Ibirama estruturou um plano de ação baseado em três eixos estratégicos. O primeiro é a educação preventiva, com ações nas escolas e centros de educação infantil, buscando formar uma cultura de prevenção desde cedo. O segundo envolve a comunicação e percepção de risco, com foco em comunidades que vivem em áreas vulneráveis. Já o terceiro pilar é a integração entre órgãos públicos, reunindo secretarias municipais, bombeiros, forças de segurança e demais setores essenciais.

Além disso, o município iniciou a revisão completa dos planos de contingência, incluindo protocolos para abertura de abrigos, organização de centros de logística humanitária e estratégias de resposta a eventos súbitos, como temporais intensos e queda de granizo. Também estão sendo atualizados os sistemas de comunicação com a população, garantindo maior agilidade na emissão de alertas.

No campo operacional, as ações incluem limpeza e manutenção de bueiros, galerias pluviais e cursos d’água, além da fiscalização de áreas de risco e mapeamento de pontos críticos. A capacitação de voluntários também faz parte do planejamento, fortalecendo a resposta comunitária em situações de emergência.

Ações em SC

Em nível estadual, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina vem ampliando a estrutura de monitoramento, que atualmente conta com mais de 170 estações meteorológicas e hidrológicas, além de radares que auxiliam na previsão de eventos severos. O estado também investiu na formação de equipes e na realização de simulados para aprimorar a resposta a desastres.

Outro fator relevante é a estrutura de contenção de cheias no Vale do Itajaí, com barragens em operação, como a de Ituporanga, que passou por modernização recente, aumentando a capacidade de resposta em períodos de chuvas intensas.

Apesar do cenário de alerta, especialistas reforçam que a ocorrência de eventos extremos não é garantida, mas a probabilidade se torna maior em anos de El Niño. Por isso, a preparação antecipada é considerada essencial.

A Defesa Civil orienta a população a acompanhar os boletins oficiais, evitar a propagação de informações não verificadas e adotar medidas preventivas, especialmente quem reside em áreas de risco. O objetivo, segundo o órgão, é reduzir impactos e garantir maior segurança para toda a comunidade diante de possíveis eventos climáticos adversos.