Celesc e UFSC criam tecnologia inédita para transformar baterias usadas de veículos elétricos em ‘socorro’ para a rede de energia

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Projeto ‘Energia Celesc A Bordo’ reaproveita equipamentos automotivos de segunda vida para abastecer bairros durante manutenções e emergências.

ESTADO / INOVAÇÃO – Atenta ao crescimento acelerado da frota de veículos elétricos no país — que saltou de apenas 2.875 veículos em 2015 para mais de 613 mil no ano passado —, a Celesc desenvolve uma solução pioneira no Brasil para enfrentar um dos maiores desafios da transição energética: o descarte de baterias automotivas. Em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a estatal criou o projeto “Energia Celesc A Bordo”, que transforma o que seria um passivo ambiental em um ativo estratégico para o sistema elétrico.

O Conceito de Segunda Vida: Consideradas resíduos potencialmente perigosos após o fim de sua vida útil nos automóveis (o que ocorre entre 10 e 20 anos de uso), as baterias ainda preservam de 70% a 80% de sua capacidade de armazenamento original. O projeto aproveita esse estágio, conhecido como “segunda vida”, para montar o Sistema Transportável de Armazenamento de Energia em Baterias (STAEB) — uma estrutura acoplada a um semirreboque desenvolvido em conjunto com as empresas WEG e Truckvan.

Atualmente na fase de testes de desempenho, o sistema utiliza baterias que já rodaram o equivalente a três voltas ao mundo em um ônibus elétrico. O equipamento pode ser conectado diretamente às redes de baixa (220/380 V) e média tensão (13,8 kV) da concessionária através de um transformador próprio.

Como funciona na prática: O sistema móvel opera como um “power bank” de grande porte e atua em duas frentes principais de socorro ao consumidor:

  • Manutenções sem Interrupção: Ao realizar melhorias programadas em uma via, a Celesc conecta o caminhão à rede local. As equipes desligam a rede principal para trabalhar com segurança, enquanto o sistema de baterias assume o abastecimento automaticamente, evitando que moradores e comerciantes fiquem sem luz.
  • Socorro em Emergências: Em casos de temporais ou acidentes severos que rompam a fiação, o caminhão é deslocado prioritariamente para alimentar pontos críticos e vitais, como hospitais, postos de saúde e delegacias, enquanto as equipes de campo reconstróem a rede danificada.

Reconhecimento Científico e Prêmios: Financiado pelo programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o projeto é coordenado pela professora Helena Flávia Naspolini (UFSC) e pelo engenheiro Leonardo Freire Pacheco (Celesc), envolvendo 19 pesquisadores e cinco técnicos da estatal.

A iniciativa já gerou dissertações de mestrado, teses de doutorado e artigos publicados em congressos internacionais. Mesmo em fase de execução, o projeto foi finalista do Prêmio CIER de Inovação em 2024, do prêmio O Setor Elétrico em 2025 e já foi submetido novamente ao Prêmio CIER Inovação 2027.

Matéria feita por Jota Bhê / Redação Rede Vale Norte.