Rodovia virou opção de atalho rumo à BR-116, o que provoca congestionamentos, diz PRF.
O caos vivenciado na BR-470 nos últimos dias por conta das longas filas, lentidão, buracos e acidentes, evidenciam o quanto Santa Catariana e a região necessitam de rotas alternativas para desafogar o trânsito das principais rodovias.

A semana foi marcada pela interdição de pelo menos quatro rodovias no Estado por conta das chuvas, todas elas, principais rotas de escoamento de produção como a BR -101, que foi interditada no Morro dos Cavalos e em ponto de Palhoça, a BR-282 que registrou pontos em Águas Mornas e Rancho Queimado, com obstrução em ambos os sentidos e a BR-280, que foi interditada na Serra de Corupá. Com isso, a rodovias BR-116 e BR-470 se tornaram as principais rotas para o Paraná, desde a terça-feira, dia 29.
O grande fluxo de veículos na região trouxe também mais clientes para postos de combustíveis, paradouros e restaurantes, mas em contrapartida, também trouxe prejuízos para empresas da região do Alto Vale por causa da mobilidade afetada. Conforme a avalição do diretor de Relações Trabalhistas da Fiesc, Iuri Cristofolini, o setor têxtil é um dos afetados. Ele explica que o vestuário possui uma longa cadeia, que vai desde o fornecimento do fio, tecelagem e acabamentos. Por uma cadeia longa, o setor têxtil depende de muitos elos de produção em todo o Estado. A logística e as longas horas de viagem, tem ocasionado em cancelamentos de pedidos entre clientes e fornecedores. Conforme ele, a situação evidencia a precariedade dos transportes em Santa Catarina.

Levantamento da Fiesc apota que BRs em SC comprometem segurança e economia
Pavimentação deteriorada é uma situação constante nas rodovias federais em Santa Catarina, revela estudo da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), realizado entre agosto e setembro, pelo engenheiro Ricardo Saporiti. O levantamento identifica pontos críticos em praticamente todos os 1,18 mil quilômetros percorridos nas BRs 282, 470, 153, 158 e 163 (integralmente), além do trecho da BR-470 entre Indaial e a divisa com o RS. No traçado entre Florianópolis e Lages da BR-282, principalmente até Alfredo Wagner, o principal entrave é a lentidão do tráfego, devido ao movimento intenso. Neste caso, a FIESC sugere a implantação de terceiras faixas, especialmente em subidas, e a retomada de estudos para a execução do traçado original da rodovia na Grande Florianópolis. O relatório foi apresentado em reunião da Câmara de Transporte e Logística da FIESC nesta quinta (24).
“Tanto no âmbito federal quanto no estadual, 60% das nossas rodovias estão necessitando de restauração, por isso, precisamos urgentemente garantir recursos e um programa de manutenção preventiva e rotineira das rodovias e suas obras de arte especiais”, afirma o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar. “Rodovias em mau estado elevam o número de acidentes e aumentam o consumo de combustíveis, o custo de manutenção e o tempo das viagens; ou seja, trazem impactos sociais e econômicos”, alerta o empresário. “Por outro lado, o recurso investido na melhoria das condições das rodovias tem retorno com o incremento da atividade econômica, arrecadação de impostos e geração de empregos”, salienta.
O relatório será enviado pela FIESC às autoridades estaduais e federais, incluindo os poderes executivos e os parlamentares eleitos e reeleitos. No dia 5 de dezembro o tema será retomado, com a apresentação da agenda de infraestrutura, pela qual a entidade deverá demonstrar as principais necessidades catarinenses no setor.
O engenheiro Ricardo Saporiti tem realizado vistorias nas rodovias catarinenses desde 2011. Nesse período, ele percorreu 13.423 quilômetros. O número supera a malha rodoviária total de Santa Catarina, mas algumas rodovias foram visitadas mais do que uma vez.
Defeitos na pavimentação são recorrentes
O problema mais recorrente nos trechos percorridos é a deterioração da pavimentação. São relatados trincamento e desagregação do asfalto, buracos, afundamento e recalque da pista, trilhas de roda e mesmo remendo recente de capa já deteriorado.
BR 470 – de Indaial à Divisa SC/RS – foram destacados nove pontos com a pista danificada, em alguns casos em longos trechos. No km 193,5, os defeitos se estendem por 5 quilômetros, no km 124, chegam a 4 mil metros e no km 158,6 a avaria tem extensão de 1,35 mil metros.
Ainda na rodovia foram observadas obras em andamento para a construção de viaduto e de ponte em Pouso Redondo e de restaurações de subtrechos entre Otacílio Costa e a Divisa com o Rio Grande do Sul.
Defeitos na pavimentação
BR-470: Km 124 (cerca de 4 km); Km 158,6 (1,35 km); Km 169,2; Km 186; Km 189; Km 195,5 (cerca de 5 km); Km 347; Km 352; Km 358,6
Ligação da SC- 340 com a BR-116
Outro tema incluso na pauta de reivindicações da região está a conclusão do projeto de ligação da SC- 340 com a BR-116 (Rod. Regis Bittencourt), no município de Monte Castelo. O projeto está pronto, e agora deve-se garantir os recursos para o obra.
Representando a integração de duas regiões, o Vale do Itajaí ao Planalto Norte, a ligação com a SC-340, é considerada de grande importância econômica para o desenvolvimento da região- que é uma das poucas do Estado que carece de infraestrutura.
Conforme avaliação preliminar, a conclusão da obra irá proporcionar uma alternativa entre o Vale do Itajaí e o Planalto Norte do Estado, além de encurtar a ligação entre ao Planalto Serrano e o Estado do Paraná, desafogando a BR-470. A ligação pode desafogar em até 20% o fluxo da rodovia, principalmente veículos que trafegam sentido Paraná.
A ligação atenderá a demanda de regiões, que são classificadas como deprimidas economicamente, como meio oeste, planalto norte e o Vale Norte.
De acordo com levantamentos preliminares, a falta dessa ligação encarece o custo do transporte, limita o desenvolvimento regional, que atualmente está bem abaixo, comparado com outras regiões do Alto Vale. A região discute a obra a mais de 40 anos.
Além de possibilitar não apenas o encurtamento das distancias e desafogar a BR- 470, também irá proporcionar o desenvolvimento de toda a região, principalmente na agricultura.
A obra de pavimentação da SC- 340, com 65,8 quilômetros, passa entre os municípios de Vitor Meireles (Estrada Serra da Abelha), Santa Terezinha, até o entroncamento com a BR-116.




