A Advocacia-Geral da União (AGU) somou-se à Procuradoria-Geral da República (PGR) na tese de que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que corre no Senado Federal para apurar irregularidades durante a pandemia pode convocar governadores. A manifestação ocorreu dentro na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) protocolada por 19 governadores do Brasil no Supremo Tribunal Federal (STF) com o intuito de não depor aos senadores. A ministra relatora Rosa Weber ainda não decidiu sobre o pedido de liminar.
> Receba as notícias da Rede Vale Norte no seu WhatsApp. Clique aqui.
“A natureza federal das verbas cujo emprego se pretende fiscalizar, ainda que tais verbas tenham sido transferidas aos entes estaduais, atrai a competência do Congresso Nacional”, escreveu o advogado-geral da União substituto, Fabrício da Soller. “O poder de fiscalização segue a natureza das verbas, sendo indiscutível […] a competência do Congresso Nacional para fiscalizar a utilização dos recursos transferidos pela União”, acrescentou. O argumento é semelhante ao apontado por Augusto Aras, na manifestação da PGR.
A AGU segue a linha do Palácio do Planalto de incluir governadores e prefeitos na CPI e diz que a convocação é “imprescindível” para o andamento dos trabalhos. Por acordo dos senadores, apenas os chefes de executivos estaduais onde houve operação da Polícia Federal para apurar desvios durante a pandemia serão chamados – Carlos Moisés da Silva está na lista, com previsão de depor para 6 de julho.
Moisés assinou a ADPF junto a outros governadores para não depor e aguarda a decisão da ministra Rosa Weber. No processo, além da AGU, a PGR e o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD/AM) se manifestaram pela legalidade da convocação de governadores. Na semana passada, Weber concedeu um habeas corpus ao governador do Amazonas Wilson Lima (PSC) e permitiu que ele não comparecesse à sessão no Senado. O entendimento de Weber foi de de que Lima é investigado – diferente de Moisés – e tem o direito de não produzir provas contra si mesmo.
O motivo do requerimento da convocação de Moisés é a compra dos 200 respiradores da Veigamed por R$ 33 milhões. Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) arquivou o inquérito que apurava a participação dele na aquisição.
Veja a lista completa de governadores convocados:
-Wilson Lima, do Amazonas
-Ibaneis Rocha, do Distrito Federal
-Waldez Góes, do Amapá
-Helder Barbalho, do Pará
-Marcos Rocha, de Rondônia
-Antonio Denarium, de Roraima
-Carlos Moisés, de Santa Catarina
-Mauro Carlesse, de Tocantins
-Wellington Dias, do Piauí
O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), também foi convocado. Ele sofreu impeachment neste ano.




