Taxa de ocupação dos leitos se mantém em 100% na região

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Jor. Marcelo Zemke

Situação é tão dramática que mal vaga um leito, ele já é ocupado por pacientes que estão na espera

Hospitais da região lotados de pacientes, leitos ocupados, médicos e equipes sobrecarregadas e estressadas. Esta situação, que muitas vezes não é levada a sério por muitas pessoas, mas resume a gravidade em que os hospitais e os profissionais de saúde estão enfrentando no Alto Vale. A explosão de casos de coronavírus deixa o sistema de saúde à beira do colapso. Isso significa que os hospitais estão sobrecarregados e sem margem de manobra para dar conta de tantos pacientes ao mesmo tempo seja com leitos, equipamentos e profissionais. O esgotamento de vagas nas enfermarias e UTIsimpacta em todos os demais procedimentos.

Na quarta-feira, 10, o Hospital Doutor Waldomiro Colautti (HDWC) permanecia com todos os 20 leitos de UTI ocupados, sendo destes, 16 para pacientes com a Covid-19. A situação é tão dramática que mal vaga um leito, ele já é ocupado por pacientes que estão na espera, De acordo com a condição se repete no Hospital Bom Jesus de Ituporanga (HBJ) e Hospital Regional Alto Vale (HRAV).

De acordo com nota divulgada pela diretora do HDWC, Silvana Leite da Costa, a SES está empenhada na abertura de mais 10 leitos de UTI para o tratamento da Covid 19, no entanto a grande dificuldade é a formação de equipe de trabalho, no que diz respeito à contratação, principalmente de médicos e técnicos de enfermagem. Até o fechamento desta edição, não obtivemos informações sobre o andamento do processo de abertura dos leitos no HDWC.

Ela destacou a convocação de 13 técnicos de enfermagem e quatro Fisioterapeutas, iniciando a tentativa de formação da equipe. “Além do RH, são necessários, equipamentos, medicamentos e materiais e outros serviços diversos. Com tudo, além da expectativa de abertura de novos leitos, o hospital tem desenhado plano de contingência, assegurando atendimento num cenário extremamente crítico, dentro das possibilidades existentes”, relatou a diretora.

O médico intensivista, Nilson Carvalho Correa, gerente Técnico que atua na UTI do Hospital Doutor Waldomiro Colautti de Ibirama é um dos profissionais que opera na linha de frente. Convidado para dar declarações à reportagem, onde de forma concisa, ele expôs a situação. “Estou tão ocupado resolvendo esse tipo de situação, que não sou a pessoa apropriada para entrevista.  Inclusive vou almoçar agora. Desculpe, mas é falta de tempo para todos nós”, disse.

Hospital Regional

No HRAV, a ocupação dos leitos destinados aos casos suspeitos e confirmados da COVID-19 da Unidade de Terapia vem se mantendo em 100% nas últimas semanas, mesmo sem receber pacientes de fora do Alto Vale do Itajaí. O número de pessoas internadas na ala de enfermaria do Hospital Regional de Rio do Sul, que recebe exclusivamente pacientes com suspeita e confirmados com a COVID-19, é preocupante. Na quarta-feira, 10, a índice de ocupação geral era de 100%. Dos 30 leitos de UTI, 29 estavam ocupados, sendo 9 deles por pacientes da Covid. As vagas que surgem são em caso de altas ou óbitos, mas são preenchidas logo em seguida. No dia, três pacientes aguardavam por um leito.

O diretor-técnico do Hospital Regional, médico Marcelo Vier Gambetta, colocou que o quadro atual é o pior das outras fases da pandemia na ala enfermaria. “Chegamos a desativar o setor em duas oportunidades para retomar as cirurgias eletivas. A nossa preocupação agora é que a casa está praticamente cheia”. Gambetta disse que não está descartada a possibilidade de ocupar parte da pediatria e do sétimo andar, se for o caso, para criar mais leito de enfermaria.

O diretor-técnico colocou que os novos pacientes que necessitam vagas na UTI permanecem na emergência ou em uma condição crítica na enfermaria, com suporte de ventilação. “Quando alguém recebe alta, ou vem a óbito, é transferido para a unidade. Infelizmente não conseguimos ter uma reserva que nos permita estar em situação mais tranquila, na chegada de pacientes de forma inesperada”, complementou.

Novos respiradores

A SES antecipou a destinação de cinco respiradores e igual número de monitores ao Hospital Regional de Rio do Sul, que serão utilizados na nova ala da Unidade de Terapia Intensiva, destinada aos pacientes suspeitos ou confirmados pela COVID-19.

Os equipamentos que chegaram na quarta-feira, 10, pela manhã, fazem parte do lote dos 10 solicitados na negociação entre o secretário-adjunto, Alexandre Lencina Fagundes e o presidente da FEHOESC, Giovani Nascimento, que ocupa o mesmo cargo no Conselho Curador da Fundação de Saúde do Alto Vale do Itajaí (Fusavi). O restante deverá ser encaminhado nos próximos dias, juntamente com os kits de intubação e os medicamentos.