
Estudo global aponta que 16,6 milhões de adultos convivem com a doença no país; endocrinologistas defendem uso de sensores contínuos para reduzir internações e custos no SUS.
NACIONAL / SAÚDE – Sete em cada dez brasileiros diagnosticados com diabetes (70%) afirmam que a doença afeta de maneira significativa o seu bem-estar emocional. O dado alarmante faz parte de uma pesquisa inédita realizada pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, que avaliou o impacto do diagnóstico na qualidade de vida e a percepção dos pacientes sobre as ferramentas de tratamento. No recorte de pacientes com diabetes tipo 1, o impacto psicológico é ainda mais severo, atingindo 77% dos entrevistados.
O levantamento, realizado em 22 países com mais de 4,3 mil pessoas, revela as limitações cotidianas impostas pela condição. No Brasil, que ocupa a 6ª posição mundial com 16,6 milhões de adultos diabéticos, 56% relatam que a doença limita a capacidade de passar o dia fora de casa e 55% não conseguem acordar plenamente descansados devido às variações da glicose durante o sono.
A Força da Tecnologia e da Inteligência Artificial: A rotina de espetadas frequentes nos dedos para medição da glicose tem gerado desgaste. De acordo com o estudo, 46% dos pacientes que usam medidores tradicionais defendem a adoção de sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM). Além disso, 53% dos entrevistados (número que sobe para 68% no diabetes tipo 1) apontam que a principal funcionalidade desejada em novos aparelhos é o uso de Inteligência Artificial (IA) para prever níveis futuros de açúcar no sangue.
Para o endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), André Vianna, os sensores preditivos mudam o rumo do tratamento. “O sensor permite à pessoa entender precocemente o que vai acontecer nas próximas horas. Ela vai saber se a glicose daqui a meia hora vai estar alta ou baixa e pode tomar uma atitude preventiva”, explica o médico.
O Desafio do Acesso Público e o SUS: Embora os sensores contínuos de glicose sejam distribuídos gratuitamente em sistemas de saúde de países como França e Reino Unido, no Brasil a tecnologia ainda fica restrita à população de maior poder aquisitivo.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 2, rejeitando a incorporação desses monitores contínuos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em contrapartida, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 323/25, que tenta obrigar o SUS a fornecer os dispositivos de escaneamento gratuitamente. O texto segue em análise em caráter conclusivo pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça antes de ir ao Senado.
Segundo a SBD, a liberação da tecnologia no SUS geraria economia a longo prazo. “Essas pessoas vão acabar indo menos para o hospital, vão se internar menos. Isso, além de melhorar a saúde, diminui o custo do tratamento”, finaliza Vianna.
Matéria por Jota Bhê / Redação Rede Vale Norte




