Parte de cemitério histórico destruído não pode ser recuperado

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Leo AW

Por Marcelo Zemke – Jornal Vale do Norte

Local deve passar por limpeza e recuperação.

A notícia que o primeiro tombamento histórico do município de Ibirama foi alvo de vandalismo, pegou toda a comunidade de surpresa e repercutiu em diversos setores ligados a cultura. O cemitério dos Imigrantes em Dalbérgia, Ibirama, teve as sepulturas centenárias destruídas. Eram lápides dos tempos da colonização, muitas delas em alemão, que resistiram à campanha nacionalista da Era Vargas. O cemitério de imigrantes alemães, foi tombado pelo patrimônio histórico do município.

Foto: Reprodução Rede Vale Norte


A notícia recebida foi com tristeza pelo historiador, Cleandro Boeira. Ele conta que se deve fazer a limpeza do local para a recuperação. “Nós não temos autonomia para tomar medidas por ser um terreno privado. Estamos tentando reunir voluntários para se fazer uma limpeza do local e começarmos um estudo para viabilizar um processo de restauração”, conta.


Conforme ele, algumas peças podem ser recuperadas, mas outras estão perdidas para sempre. “Precisamos de um estudo mais detalhado, mas algumas peças podem ser recuperadas, com a parceria do memorial Mathias Haas de Blumenau. Outros, infelizmente, não vai ser possível, pois a destruição foi muito grande e não são mais utilizados os materiais usados na época. Seria muito caro conseguir estes materiais”.

Foto: Divulgação


Conhecido como Cemitério dos Primeiros Colonizadores, o antigo cemitério da Comunidade Evangélica Luterana, localizado na Rua Lauro Müller, funcionou do início da colonização no Vale Norte até a década de 1960. Nas lápides ou nos fragmentos que ainda restam, encontram-se registros das primeiras famílias que vieram para a região. “A comunidade Luterana de Dalbégia é nossa parceira e tem nos ajudado muito. Ele não tem nenhuma responsabilidade pelo ocorreu”, ressalta o historiador.


O lugar guarda a história de 120 anos. O primeiro enterro aconteceu em 1902. “É sítio histórico de extrema importância, não só para a região, mas para todo o Alto Vale. É um dos poucos lugares da época da migração que não foram mexidos. Temos ali obras de arte significativa e sepultamentos de pessoas de relevância histórica para a região. Vamos passar ainda, alguns anos estudando aquele lugar”, conclui.