Justiça realiza novo julgamento do caso Ana Beatriz Schelter na próxima quinta-feira em Florianópolis

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Jor. Marcelo Zemke

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A Justiça de Santa Catarina realiza na próxima quinta-feira (25) o segundo julgamento relacionado ao caso da adolescente Ana Beatriz Schelter, assassinada em 2016 em um crime que gerou forte repercussão em Rio do Sul e em todo o estado.

A sessão está marcada para as 9h, no Tribunal do Júri da Comarca da Capital, em Florianópolis, e será aberta ao público.

O julgamento representa mais uma etapa no processo de responsabilização dos envolvidos pela morte da adolescente, que tinha apenas 12 anos quando desapareceu ao sair de casa para ir à escola.

Ana Beatriz desapareceu em março de 2016, após deixar sua residência para percorrer um trajeto curto até o Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, onde estudava no sétimo ano do ensino fundamental.

No entanto, a adolescente nunca chegou ao colégio.

No dia seguinte ao desaparecimento, o corpo foi localizado dentro de um contêiner às margens da BR-470, em uma cena inicialmente apresentada como suicídio por enforcamento.

Posteriormente, a perícia descartou essa hipótese e concluiu que a vítima sofreu violência sexual e morreu por asfixia.

Dois réus serão julgados nesta etapa

No primeiro julgamento, um homem de 58 anos, conhecido da família, foi condenado por crimes relacionados ao caso, incluindo homicídio qualificado, estupro de vulnerável e fraude processual, após tentativa de interferência nas investigações.

Agora, outros dois acusados serão submetidos ao Tribunal do Júri.

Um dos réus, de 63 anos, responderá por participação direta nos crimes que resultaram na morte da adolescente, incluindo acusação de estupro de vulnerável.

Já o segundo acusado, de 55 anos, será julgado por supostamente ter atuado para dificultar a apuração dos fatos, alterando elementos que poderiam servir como provas.

Os investigados foram denunciados no âmbito da Operação Fênix, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Blumenau, sob coordenação da 3ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul.

Entenda por que o júri ocorrerá em Florianópolis

O julgamento foi transferido de Rio do Sul para Florianópolis após pedido apresentado pela defesa e aceito pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

A medida ocorreu por meio do chamado desaforamento, mecanismo previsto em lei que permite a mudança da comarca quando a repercussão do caso pode comprometer a imparcialidade do julgamento.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), apesar de não haver objeção à realização do júri em Rio do Sul, a instituição optou por não recorrer da decisão diante do tempo de tramitação do processo e da necessidade de garantir a realização da sessão.

Processo foi desmembrado

Os três denunciados não serão julgados juntos porque o processo foi desmembrado pela Justiça para assegurar o direito de defesa e permitir análise individual das condutas atribuídas a cada acusado.

Também foram considerados fatores como a complexidade do caso e o número de testemunhas.

Na primeira etapa do julgamento, o réu apontado como principal autor foi condenado a 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.

A expectativa é que a nova sessão do Tribunal do Júri represente mais um avanço na busca por justiça em um dos casos criminais que mais marcaram a história recente do Alto Vale do Itajaí.