Município contabiliza 248 focos do mosquito até março, amplia ações de combate e entra em alerta com circulação do vírus

Marcelo Zemke
Ibirama vive um cenário de atenção crescente no enfrentamento à dengue em 2026. Levantamento aponta que, até 31 de março, o município registrou 248 focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, Zika e chikungunya. O número representa um aumento de quase 200% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido identificados 87 focos.
O dado mais preocupante, segundo as autoridades de saúde, é a confirmação do primeiro caso de transmissão autóctone de dengue no município — quando a infecção ocorre dentro da própria cidade. O registro indica que o vírus já circula localmente, elevando o risco de novos casos e exigindo resposta mais intensiva do poder público e da população.
De acordo com o coordenador de Vigilância em Saúde, Rafael Reinecke, o cenário reforça a urgência de medidas preventivas contínuas. “O aumento expressivo dos focos e a confirmação de transmissão local mostram que precisamos redobrar os cuidados. A eliminação de criadouros é a principal estratégia para conter o avanço do mosquito”, afirmou.
De acordo com levantamento do Jornal Vale do Norte, no mesmo período do ano passado, foram registrados oito casos confirmados até abril, com o epicentro no bairro Ribeirão Areado. Já março de 2024, o município registrou o primeiro óbito por dengue, uma menina de 12 anos.

Ações no município
Atualmente, o município mantém equipes atuando no monitoramento permanente de áreas urbanas e rurais, com o uso de armadilhas para mapear a presença do mosquito e identificar regiões mais críticas. Essas informações orientam ações direcionadas, como visitas domiciliares, orientações à população e intervenções em pontos estratégicos.
Além disso, a prefeitura intensificou campanhas de conscientização, alertando sobre a importância de atitudes simples no dia a dia, como evitar água parada em recipientes, manter caixas d’água vedadas, limpar calhas e descartar corretamente materiais que possam acumular água.
No campo da prevenção, a vacinação contra a dengue também integra as estratégias de enfrentamento. Em Ibirama, o imunizante está disponível nas unidades de saúde para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público-alvo definido pelo Ministério da Saúde, além de profissionais da Atenção Básica.

Cooperação da população
A Secretaria de Saúde reforça que, apesar das ações em andamento, o controle do Aedes aegypti depende diretamente do envolvimento da população. A maior parte dos focos do mosquito ainda é encontrada dentro de residências, o que torna essencial a colaboração dos moradores.
Com a confirmação de casos e o avanço dos focos, Ibirama segue em estado de alerta, buscando evitar a formação de um cenário de surto. A orientação das autoridades é que qualquer sintoma suspeito — como febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos e manchas na pele — seja comunicado imediatamente aos serviços de saúde.
O município deve ampliar, nas próximas semanas, as ações educativas e de fiscalização, especialmente em áreas com maior incidência de focos, reforçando o compromisso com a prevenção e o controle da doença.




