Em nota, município repudia tentativa de correlação entre os cidadãos da cidade e o nazismo
Foto Giuliano Bianco/ Reprodução

Marcelo Zemke
Uma exposição fotográfica histórica em Dona Emma, foi alvo de uma polêmica na última semana, após o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, instaurar procedimento de investigação criminal para apurar a presença de simbologia nazista entre fotos antigas que estariam expostas nas paredes da Secretaria de Educação do município
Uma das fotos expostas, mostra crianças e um homem em frente a uma escola. Ao fundo, estão hasteadas uma bandeira do Brasil e uma da Alemanha nazista. A imagem está acompanhada da legenda “A escola particular Alemã era mantida pelos pais dos alunos com recursos vindos da Alemanha”. A Bandeira nacional (Nationalflagge) com a suástica, foi a bandeira oficial da Alemanha no período de 1935 a 1945, período em que a foto foi feita.
Conforme informado pela assessoria jurídica do município, o local onde as fotografias estão expostas é Biblioteca Municipal, e as imagens fazem parte do arquivo histórico do município. “O município não irá retirar as imagens, pois quem apaga a história são regimes ditatoriais como o comunismo, o fascismo e o próprio nazismo”, diz a nota enviada ao JVN.
A nota informou ainda que o município já foi destaque em reportagem nacional do Globo Repórter justamente em razão de seus munícipes serem pessoas ordeiras e trabalhadoras. Na série ‘Cidades de Paz’, a reportagem ‘Cidade catarinense vive de portas e janelas abertas’ dá destaque ao município. “O Município de Dona Emma, repudia qualquer tentativa de correlação entre os cidadãos desta cidade e o nazismo”, finaliza a nota enviada.
Em Nota Oficial, a prefeitura de Dona Emma se manifestou dizendo que as fotos e estão à exposição há mais de 20 anos, sendo que nunca houve nenhum comentário ou situação de que estas causaram algum tipo de constrangimento.
Notícia foi divulgada em portal
De acordo com o Promotor de Justiça Jádel da Silva Júnior, com atuação estadual em casos de crimes de ódio e preconceito, o procedimento foi instaurado a partir de notícia divulgada pela Agência Pública e reproduzida em diversos veículos de comunicação mostrando que, no hall de entrada da Secretaria de Educação, estariam expostas diversas fotos antigas.
A reportagem cita como fonte um professor de história de uma instituição de ensino de Ibirama, que faz acusações. Conforme a reportagem, ele diz que “os discursos extremistas estão ganhando cada vez mais força na região de Dona Emma, e que casos de racismo e neonazismo são frequentes, mas muitas vezes relativizados ou minimizados pelos gestores, o que pode ser considerado como racismo recreativo”. O professor ainda cita na reportagem, ataques pessoais sofridos por um deputado estadual.
Conforme apurado pela reportagem junto aos boletins policiais, não há registros de crimes e incitação ao nazismo na região ou prisões neste sentido.
A Lei 7.716/89, em seu art. 20, §§ 1º, 2º, 2º-A (Lei de Racismo), que estabelece como crime de racismo veicular “símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo” (§ 1º); e que se a publicação ocorrer em redes sociais e em contexto de atividades culturais destinadas ao público, a pena é majorada (§§ 2º 2 2º-A).
O Núcleo de Enfrentamento aos Crimes de Racismo e Intolerância (NECRIM) do MPSC também acompanha o caso.
O que é Nazismo
Nazismo, é nome comum para nacional-socialismo, que é a ideologia política totalitárias, associadas a Adolf Hitler e ao Partido Nazista na Alemanha nazista. A grosso modo, o nazismo pregou a destruição de todos os povos e indivíduos que possam contaminar a presumida pureza da raça ariana. Essa ideologia foi posta em prática por Adolf Hitler nas décadas de 1930 e 1940, como política de Estado, na Alemanha e nos países invadidos pelo ditador.
Entre as vítimas dos nazistas, estiveram judeus, negros, gays, pessoas com deficiência física ou mental, ciganos, comunistas e testemunhas de Jeová.
Apenas entre 1941 e 1945, 6 milhões de judeus foram executados nos campos de extermínio nazistas. Para efeitos de comparação, esse é quase o mesmo número de habitantes da cidade do Rio de Janeiro hoje. O genocídio do povo judeu ficou conhecido como Holocausto e é reconhecido como um dos episódios mais traumáticos da história da humanidade.
No Brasil, a origem do movimento foi em Santa Catarina – a fundação ocorreu em 1928, na cidade de Timbó, mas logo se disseminou para outros estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
Anteriormente à Segunda Guerra Mundial (1939-1945) houveram núcleos do Partido Nazista na região do Vale Norte, que foram desmantelados com o rompimento das relações com Alemanha ainda no fim da década de 30.
Relativizar o Nazismo, como é feito atualmente em discursos políticos, é minimizar os efeitos criminosos e suas vítimas, esquecendo a história.




