Da antiga Escola Alemã ao moderno centro educacional, uma trajetória marcada por gerações, memórias e a força da comunidade


Marcelo Zemke
Setenta anos não são apenas números em um calendário. São histórias de vida, de luta, de superação, de gerações que se encontraram entre as paredes de uma instituição que, mais do que ensinar, construiu memórias e ajudou a formar lideranças em Ibirama e em toda a região. O Colégio Hamônia chega aos seus 70 anos como um marco vivo da educação e da identidade de uma comunidade que sempre acreditou no poder transformador do conhecimento.
O diretor, Dirceu Leite, que está em seu segundo ano à frente da instituição, não esconde a emoção ao falar sobre essa caminhada. “Quando falamos em 70 anos, estamos falando de uma história que começa ainda antes da fundação oficial do colégio, com a antiga Escola Alemã de Neu Berlin. O Hamônia é, na verdade, um símbolo da própria trajetória da comunidade, que mesmo diante das dificuldades, soube se organizar para garantir educação de qualidade às novas gerações”, relembra.
As raízes: da comunidade à escola



A história começa muito antes da década de 1950. A antiga Escola Alemã de Neu Berlin, que funcionava onde hoje está o bairro Bela Vista, foi fechada em razão do processo de nacionalização durante a Segunda Guerra Mundial. Mas a semente da educação, já plantada, não se perdeu. O então novo prédio da Escola alemã de Neu Berlin (Bela Vista) foi inaugurada em 1934 e fechada em 1937-8.
Nos anos 1950, com o espírito comunitário tão característico dos moradores da então Colônia Hammonia, nasceu a Sociedade Escolar Hamônia — uma associação sem fins lucrativos formada por cidadãos de Ibirama que não mediram esforços para dar continuidade ao sonho interrompido. Assim surgiu o Ginásio Hamônia, nos anos de 1954 e 1955, atendendo, inicialmente, as séries correspondentes ao antigo ginasial.
Com o passar do tempo, o colégio cresceu, acompanhando as mudanças da sociedade e da própria cidade. Vieram o ensino primário, o segundo grau e, mais recentemente, a educação infantil, atendendo alunos desde o Grupo 1, a partir de um aninho de idade, até o terceirão. Hoje, o Colégio Hamônia não é apenas de Ibirama: ele acolhe alunos também de municípios vizinhos, como Apiúna, Presidente Getúlio, Dona Emma e José Boiteux.
Tradição, estrutura e pertencimento
A trajetória do Colégio Hamônia também é feita de mudanças físicas. Dos primeiros tempos em uma casa em estilo enxaimel, passando pelo espaço onde hoje funciona o Instituto Federal Catarinense, até chegar à sede atual, no centro da cidade, cada mudança trouxe modernização e novos desafios.
“É uma história que não é só nossa, é de toda a comunidade. O Colégio Hamônia é um pedaço da memória de Ibirama. Muitas vezes, na ausência do poder público, foi a própria sociedade que se mobilizou para oferecer educação aos seus filhos. Isso nos orgulha e nos motiva a continuar olhando para frente, sem esquecer nossas origens”, destacou o diretor Dirceu.
Famílias que se entrelaçam com a escola
Se a instituição tem 70 anos, é natural que muitas famílias tenham hoje três ou até quatro gerações que passaram pelos corredores do colégio. Pais que foram alunos, avós que estudaram ali, netos que seguem a tradição.
Para a coordenadora da Educação Infantil e Fundamental I, Franciele Jahnz, essa ligação afetiva é o que faz do Colégio Hamônia algo maior que uma escola. “Quando falamos em eventos de família, não é só pai e mãe que vêm. Vêm avós, tios, padrinhos. O envolvimento é tanto que a gente brinca que só não trazem o periquito porque ele não foi convidado. É emocionante ver esse brilho nos olhos, esse sentimento de pertencimento. Aqui, nós conhecemos cada aluno pelo nome, conhecemos sua família, e isso cria um vínculo muito forte”, afirma.
No mês de agosto e ao longo de todo o ano, atividades especiais estão sendo realizadas para envolver os alunos e valorizar essa história. Uma exposição fotográfica resgata imagens desde a fundação até os dias atuais, permitindo que crianças e jovens se conectem com o passado que ajudou a construir o presente.
O grande evento dos 70 anos
A celebração dos 70 anos teverseu ponto alto no neste sábado, dia 30, na Sociedade Desportiva União. A programação incluiu uma homenagem a antigos diretores e presidentes da Sociedade Escolar Hamônia, reconhecendo o trabalho daqueles que ajudaram a consolidar a instituição. “Foi um momento de reencontro, de gratidão, de rever velhos amigos e agradecer a todos que, de alguma forma, contribuíram para essa história. Temos a preocupação de olhar para a modernidade, preparar nossos alunos para o futuro, mas também entendemos a importância de reverenciar nosso passado”, ressalta Dirceu Leite.
Mais que uma escola, um legado
Ao longo dessas sete décadas, o Colégio Hamônia não apenas formou estudantes. Formou cidadãos, líderes comunitários, profissionais que hoje se espalham por toda a região e pelo Brasil. Mais do que isso: construiu laços afetivos, cultivou valores e manteve viva a chama do espírito comunitário que deu origem à sua fundação.
Celebrar os 70 anos do Colégio Hamônia é celebrar a própria história de Ibirama, de suas famílias, de seus sonhos e de sua capacidade de transformar desafios em conquistas. É olhar para trás com gratidão e para frente com esperança.
No coração da cidade, o Colégio Hamônia segue firme em sua missão: educar com excelência, formar com valores e continuar sendo, acima de tudo, uma extensão da própria família ibiramense.
A História do Colégio Hamônia
A história do Colégio Hamônia está ligada ao desenvolvimento de Ibirama. A cidade nasceu em 1897 com a chegada de imigrantes alemães e recebeu inicialmente o nome de Hamônia.
O colégio surgiu em 1953, quando cidadãos e ex-membros da antiga Sociedade Escolar Nova Berlim – fechada na Segunda Guerra Mundial por lecionar em alemão – se reuniram para criar uma nova entidade educacional. Em 27 de março de 1954, fundaram oficialmente a Sociedade Escolar Hamônia, em homenagem ao primeiro nome do município.
A escola foi criada para oferecer o ensino ginasial aos estudantes locais, evitando que precisassem se deslocar para cidades vizinhas. Em 1955, recebeu autorização oficial para funcionar e, em 1981, foi declarada de Utilidade Pública Federal e certificada como entidade filantrópica.
Desde então, o Colégio Hamônia consolidou-se como referência em educação no Alto Vale, formando gerações de estudantes e mantendo-se alinhado às necessidades da comunidade.











