
O ex-prefeito de Ibirama, Adriano Poffo, se pronunciou publicamente após a decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) que o condenou em processo relacionado à Operação Mensageiro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Poffo afirmou receber a decisão “com tristeza, mas também com serenidade e consciência tranquila” e confirmou que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A condenação foi proferida pela 5ª Câmara Criminal do TJSC, que julgou parcialmente procedente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Conforme o acórdão, Adriano Poffo foi condenado a 13 anos, 10 meses e 10 dias de reclusão em regime inicial fechado, além de 3 anos e 6 meses de detenção em regime semiaberto, pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e fraude em licitação.
Durante o pronunciamento, o ex-prefeito declarou que mantém convicção de inocência e questionou a condução do processo. “Quem me conhece sabe da minha história, sabe dos meus valores e sabe da minha inocência”, afirmou.
Poffo também alegou que não existem provas de recebimento de vantagem indevida. “Não existe uma prova sequer de que eu tenha recebido qualquer vantagem indevida. Não existe uma única prova”, declarou.
Segundo ele, pessoas ligadas à empresa investigada afirmaram em depoimentos que nunca trataram diretamente com ele sobre pagamentos ilícitos. Adriano afirmou ainda que a única acusação direta partiu de um ex-colaborador que posteriormente aderiu a acordo de delação premiada.
O ex-prefeito destacou que pretende recorrer da decisão ao STJ e afirmou acreditar que a inocência será reconhecida nas instâncias superiores. “Continuo acreditando na Justiça, e é justamente por isso que vamos recorrer ao STJ”, disse.
Acusações
Adriano Poffo responde por acusações de corrupção passiva, organização criminosa e fraudes licitatórias relacionadas a contratos públicos investigados pela Operação Mensageiro.
Segundo denúncia do Ministério Público, ele teria recebido pagamentos mensais de propina durante o período em que exercia o cargo de prefeito de Ibirama. A investigação aponta suposto esquema envolvendo contratos públicos de coleta de lixo e prestação de serviços urbanos.
Além da pena de prisão, o TJSC determinou a perda do mandato eletivo e a proibição do exercício de função pública por oito anos após o cumprimento da pena.
Operação Mensageiro
A Operação Mensageiro investiga suspeitas de corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo agentes públicos e empresários em municípios catarinenses.No total, quatro ex-prefeitos de Santa Catarina se tornaram réus em um novo desdobramento da Operação Mensageiro (Antônio Ceron, ex-prefeito de Lages; Adriano Poffo, ex-prefeito de Ibirama; José Thomé, ex-prefeito de Rio do Sul; Júlio César Ronconi, ex-prefeito de Rio Negrinho).
As investigações apontam que servidores públicos e prefeitos teriam recebido vantagens ilícitas para favorecer empresas em contratos públicos. Conforme o Ministério Público, um intermediador seria responsável pela entrega dos valores aos agentes investigados.
O caso é considerado uma das maiores operações de combate à corrupção municipal já realizadas em Santa Catarina.
Defesa
Em nota divulgada anteriormente, a defesa de Adriano Poffo informou que recebeu a decisão “com serenidade” e reiterou que os fatos narrados na denúncia “não traduzem a realidade”, sustentando que a inocência do ex-prefeito será demonstrada ao longo do processo.




