Referência histórica e afetiva para moradores e visitantes de Rio do Sul, os relógios das torres apresentam alterações no funcionamento. Responsável pela manutenção explica possíveis causas e prevê atendimento nos próximos dias

Quem passa pelo Centro de Rio do Sul está acostumado a consultar as horas nos relógios das torres da Catedral São João Batista. Há décadas, eles fazem parte da paisagem urbana e da rotina da cidade, servindo como referência para moradores, comerciantes e visitantes. Nos últimos dias, porém, quem levantou os olhos para conferir as horas percebeu que algo estava diferente: um dos relógios parou de funcionar, enquanto o outro passou a apresentar horários adiantados.
A situação chamou a atenção justamente pela importância que os relógios têm para a cidade. Mais do que equipamentos responsáveis por marcar as horas, eles integram a identidade arquitetônica da Catedral e acompanham o cotidiano de gerações de rio-sulenses.
A manutenção já está sendo organizada e deverá ocorrer até o final de outubro. O responsável técnico pelos mecanismos dos relógios e pelo sistema dos sinos, Marco Kaiser, explica que o problema pode estar relacionado a componentes eletrônicos responsáveis pela sincronização automática dos equipamentos.
O que pode ter causado o problema?
Segundo Marco Kaiser, a Catedral possui duas máquinas de relógio, uma em cada torre, conectadas a um equipamento eletrônico que também controla o acionamento dos sinos. Os mecanismos contam com um sistema de correção automática de horário, que realiza ajustes diariamente ao meio-dia e à meia-noite.
Esse recurso permite corrigir pequenas diferenças no funcionamento dos relógios, mantendo os ponteiros sincronizados com o horário programado.
A suspeita é de que uma descarga elétrica ou uma oscilação de grande intensidade na rede tenha danificado componentes eletrônicos responsáveis por esse processo.
“O que acredito que tenha acontecido é que a parte do acerto automático dos relógios tenha queimado. Provavelmente, um raio ou um pico muito grande na rede elétrica tenha danificado esses componentes. Em uma das torres, o componente pode ter ficado aberto, fazendo o relógio parar nas 12 horas. Na outra, pode ter entrado em curto, provocando o adiantamento do horário”, explica Marco.
O técnico esclarece que os equipamentos utilizam um sistema de pulsos elétricos para movimentar os ponteiros e corrigir eventuais diferenças de horário. Quando ocorre uma interrupção no fornecimento de energia, o mecanismo para temporariamente, mas o comando eletrônico mantém a referência do horário e, com o retorno da eletricidade, envia os pulsos necessários para compensar o período em que o relógio ficou parado.
Além disso, o sistema realiza duas verificações diárias, ao meio-dia e à meia-noite, que permitem corrigir diferenças de até dez minutos. É justamente nesse mecanismo de sincronização que pode estar a origem do problema atual.
Marco ressalta que essa é uma avaliação preliminar e que a causa exata somente poderá ser confirmada durante a manutenção presencial.
Manutenção está prevista para os próximos dias
A equipe responsável pela manutenção dos relógios e dos sinos da Catedral está realizando atendimentos técnicos em diferentes regiões do Brasil. Segundo Marco Kaiser, os profissionais estão atualmente na Bahia, seguindo em direção à Paraíba, onde também possuem serviços programados.
No retorno, a equipe deverá atender clientes em São Paulo e Santa Catarina, incluindo a Catedral São João Batista, em Rio do Sul.
“Nós já estamos há uma semana na estrada e temos cerca de 30 clientes para atender. Estamos na Bahia, seguindo para a Paraíba, e no retorno ainda temos alguns atendimentos em São Paulo e Santa Catarina. Rio do Sul já está no nosso itinerário. Nos próximos dias devemos chegar para verificar e substituir esses componentes. Acredito que seja algo simples de resolver, mas precisamos estar no local para confirmar e solucionar o problema”, afirma Marco.
A expectativa é que o atendimento ocorra até o final de outubro, permitindo restabelecer o funcionamento regular dos relógios. O prazo, entretanto, depende da conclusão dos demais serviços previstos no roteiro da equipe.
Um relógio que faz parte da história de Rio do Sul
A presença dos relógios nas torres da Catedral São João Batista está ligada à própria história de construção do templo e à formação de sua identidade arquitetônica.
De acordo com os registros históricos reunidos no livro Catedral São João Batista, de Neide Maria de Souza Moreira Areco, o primeiro relógio foi adquirido da fábrica Schivendtner, localizada no município de Estrela, no Rio Grande do Sul.
Desde sua instalação, o equipamento passou a integrar a arquitetura da Catedral e tornou-se um dos elementos marcantes de suas torres. Ao longo dos anos, os relógios acompanharam as transformações da cidade e permaneceram como uma referência visual para quem circula pela região central.
Para muitas pessoas, consultar as horas na Catedral é um hábito que atravessa gerações. Os relógios fazem parte da memória coletiva de Rio do Sul, assim como os sinos, os vitrais e outros elementos históricos do templo.
Às vésperas do centenário de criação da Paróquia, que será celebrado em 20 de maio de 2027, a preservação desses equipamentos também representa o cuidado com um patrimônio que pertence à história da comunidade.
A Catedral São João Batista segue acompanhando a situação e aguarda a chegada da equipe técnica para restabelecer o funcionamento dos relógios, que continuam sendo uma das referências mais reconhecidas da paisagem urbana de Rio do Sul.
Contato:
Padre Ari Erthal – Pároco da Catedral São João Batista
(41) 99848-6531



