
Após mais de dez anos do crime que chocou Santa Catarina, o caso da adolescente Ana Beatriz Schelter começa a ser julgado pelo Tribunal do Júri da Comarca da Capital, em Florianópolis, nesta terça-feira (12). A jovem, de apenas 12 anos, foi assassinada em março de 2016, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí.
Ana Beatriz desapareceu no dia 2 de março de 2016, após sair de casa, no bairro Canta Galo, para ir ao Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, onde cursava o sétimo ano. O trajeto até a escola era curto, mas a adolescente nunca chegou ao destino.
O corpo da menina foi encontrado na manhã do dia seguinte dentro de um contêiner às margens da BR-470, no bairro Barra da Itoupava. A cena havia sido montada para simular um suicídio por enforcamento, hipótese descartada posteriormente pela perícia. Os laudos apontaram que Ana Beatriz foi vítima de violência sexual e morreu por asfixia mediante esganadura.
O Ministério Público de Santa Catarina denunciou três homens pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual. As investigações avançaram após a atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Blumenau, que assumiu o caso em 2019, quando o crime ainda permanecia sem solução.
Segundo as investigações da Operação Fênix, deflagrada em fevereiro de 2020, a adolescente teria aceitado uma carona de dois dos acusados enquanto caminhava em direção à escola. Após o crime, um terceiro investigado teria ajudado a ocultar o corpo e simular o suicídio da vítima.
O julgamento que inicialmente ocorreria em Rio do Sul foi transferido para Florianópolis após pedido de desaforamento apresentado pela defesa dos réus e aceito pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em fevereiro deste ano. A medida foi adotada sob a justificativa de garantir imparcialidade no júri devido à grande repercussão do caso na região do Alto Vale do Itajaí.
Nesta primeira sessão será julgado um dos acusados, apontado pelas investigações como participante direto do estupro e da morte da adolescente. Os demais réus devem enfrentar o Tribunal do Júri em sessão marcada para o dia 25 de junho de 2026.
O caso Ana Beatriz se tornou um dos crimes de maior repercussão da história recente de Santa Catarina, mobilizando familiares, moradores e autoridades durante anos em busca de respostas e justiça.




