Objetiivo é valorizar mulheres de Ibirama que fazem a diferença no desenvolvimento econômico, social e comunitário

A Câmara de Vereadores de Ibirama viveu uma das sessões mais marcantes do ano ao aprovar, em votação final, o projeto de lei que institui a Medalha Colorinda Rosa Borth. A noite foi marcada por homenagens, relatos emocionados e um forte sentimento de valorização da história construída por mulheres no município.
Com o plenário completamente lotado por familiares, amigos, professores e membros da comunidade, a sessão teve início com a leitura da biografia de Colorinda, apresentada na tribuna cultural pelo neto, Eduardo Pintarelli. Em um discurso detalhado e sensível, ele resgatou a trajetória da avó desde a infância até seus últimos dias, destacando não apenas sua atuação profissional, mas também sua essência humana.
Nascida em 5 de março de 1947, no bairro Bela Vista, Colorinda Rosa Rosenfelder fez parte de uma das famílias pioneiras da colonização de Ibirama. Filha de Kurt Ludwig Josef Rosenfelder e Ada Rosenfelder, cresceu em um ambiente marcado por valores como trabalho, fé e dedicação à comunidade — princípios que levaria consigo ao longo de toda a vida.
Ainda jovem, iniciou sua caminhada na educação, lecionando em comunidades do interior, como Ribeirão Taquaras e Rafael Baixo, enfrentando desafios típicos da época, como deslocamentos difíceis e estruturas precárias. Posteriormente, consolidou sua carreira no Colégio Estadual Eliseu Guilherme, onde atuou como professora, secretária e referência para gerações de alunos. Sua dedicação ao ensino ultrapassou os limites da sala de aula, permanecendo ativa mesmo após a aposentadoria, em 1990, ao oferecer aulas particulares em sua própria residência.
Mas o legado de Colorinda vai além da educação formal. Sua presença era constante em eventos comunitários, onde atuava como cozinheira e colaboradora voluntária. Reconhecida pelo talento culinário — especialmente pelos pastéis que se tornaram quase uma marca registrada — ela também se destacou pela disposição em ajudar, muitas vezes sem qualquer interesse financeiro, como lembrado durante a sessão por vereadores que conviveram com sua atuação em eventos beneficentes.
A professora também cultivava paixões que ajudavam a definir sua personalidade: a dança folclórica, a jardinagem — com destaque para o cultivo de rosas e orquídeas —, as viagens em grupo e o convívio social. Era uma presença ativa em grupos de idosos, associações e comunidades religiosas, sempre promovendo integração e fortalecendo vínculos.
Durante a homenagem, também foram lembrados momentos difíceis de sua vida, como a perda precoce de uma filha e, mais recentemente, a luta contra o câncer. Mesmo diante das adversidades, familiares e amigos ressaltaram sua postura firme, otimista e serena.
A proposta da medalha, de autoria dos vereadores Saulo Eduardo Fonseca e Solange Nunes da Silva Vieira, foi amplamente elogiada no plenário. Segundo os parlamentares, a iniciativa nasce com o propósito de eternizar o nome de Colorinda e, ao mesmo tempo, criar um instrumento permanente de valorização feminina no município. O vereador Saulo Eduardo Fonseca destacou o caráter inspirador da iniciativa. “Esta medalha é uma forma de eternizar o exemplo de uma mulher que dedicou sua vida ao próximo. Ao mesmo tempo, queremos reconhecer tantas outras histórias que ajudam a construir Ibirama todos os dias”, afirmou.
Na mesma linha, a vereadora Solange Nunes da Silva Vieira enfatizou o papel da honraria como instrumento de valorização feminina. “Estamos criando um espaço de reconhecimento para mulheres que, assim como a dona Colorinda, transformam a sociedade com trabalho e dedicação”, assinalou.

Medalha Colorinda Rosa Borth
O projeto prevê que a Medalha Colorinda Rosa Borth seja entregue anualmente, preferencialmente no mês de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Até 11 mulheres poderão ser homenageadas a cada edição, indicadas pelos vereadores, contemplando diferentes áreas como educação, saúde, voluntariado, empreendedorismo e atuação comunitária.
Além do caráter simbólico, a criação da medalha também reforça o papel do Legislativo como agente de preservação da memória local e reconhecimento de lideranças que contribuíram — e continuam contribuindo — para o desenvolvimento de Ibirama.





