
Chegou ao fim nesta quarta-feira (29) um dos julgamentos mais aguardados e emblemáticos do Alto Vale do Itajaí. O ex-companheiro da vereadora eleita de Rio do Campo, Deisi Felczak Pereira (PL), foi condenado pelo Tribunal do Júri a 26 anos e 3 meses de prisão em regime fechado pela tentativa de feminicídio cometida contra a parlamentar em novembro de 2024.
A sessão ocorreu na Câmara de Vereadores de Santa Terezinha e foi acompanhada por familiares, amigos, representantes de entidades e integrantes de movimentos de defesa dos direitos das mulheres. Além da pena de reclusão, o réu também foi condenado ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais à vítima.
O crime que levou o caso ao júri causou forte repercussão em toda a região. Na ocasião, Deisi foi brutalmente atacada a facadas dentro da unidade de saúde da comunidade de Rio da Prata, onde exercia suas funções profissionais. A violência, ocorrida em ambiente de trabalho, gerou comoção entre colegas e moradores, tornando-se um símbolo da luta contra a violência doméstica e de gênero no município.
Durante o julgamento, grupos organizados permaneceram mobilizados em frente ao plenário com cartazes, faixas e mensagens cobrando justiça. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher esteve entre as entidades que lideraram a manifestação silenciosa, reforçando o apelo por punições mais severas em casos de agressão contra mulheres.
A leitura da sentença foi marcada por forte emoção. Familiares da vereadora se abraçaram em lágrimas, enquanto apoiadores destacaram que a condenação representa não apenas a responsabilização do autor, mas também uma resposta firme diante de um crime que chocou Santa Catarina.
Para lideranças femininas e representantes de movimentos sociais, a decisão do júri estabelece um precedente importante e envia uma mensagem clara de que a violência contra a mulher não pode ser tolerada nem tratada com impunidade. A condenação passa a ser vista como um símbolo de resistência e encorajamento para vítimas que ainda enfrentam o medo de denunciar.
Deisi, que sobreviveu ao atentado e posteriormente foi eleita vereadora, tornou-se uma voz ativa no combate à violência de gênero. A sentença encerra uma longa espera judicial e reforça a importância da justiça na proteção à vida e aos direitos das mulheres.





