
Marcelo Zemke
A sargento da Polícia Militar Soiane Rodrigues afirmou que a Rede Catarina, programa de prevenção à violência doméstica, ampliou o acesso à proteção de mulheres em Santa Catarina ao longo dos últimos dez anos. Segundo ela, a iniciativa está presente nos 295 municípios do Estado e tem fortalecido a integração entre forças de segurança e o Judiciário, garantindo mais agilidade no atendimento e no cumprimento de medidas protetivas.
A policial destacou que a violência doméstica, na maioria dos casos, começa de forma silenciosa, com agressões psicológicas. “Nem todas as medidas protetivas têm violência física, mas 100% têm violência psicológica, como humilhações e ameaças”, disse.
Segundo ela, um dos principais avanços é a integração entre as forças de segurança e o Judiciário, o que garante mais agilidade no cumprimento de medidas protetivas. “Hoje, quando há descumprimento, conseguimos agir com mais rapidez. Em alguns casos, o agressor é localizado e preso pouco tempo depois do acionamento”, afirmou.
A Rede Catarina atua no acompanhamento de mulheres com medidas protetivas de urgência, oferecendo suporte direto e monitoramento. Entre as ferramentas disponíveis está o aplicativo com botão do pânico, que permite acionar a polícia em situações de risco.
Conforme o TJSC, a violência contra a mulher em Santa Catarina registrou uma média de 198 casos diários entre 2020 e 2025, evidenciando um cenário de alta subnotificação e aumento de denúncias, segundo o Observatório da Violência Contra a Mulher (OVM/SC). Feminicídios e medidas protetivas cresceram em 2025, com mais de 600 mulheres buscando a Justiça semanalmente.
Em 2025, 215 ocorrências de violência doméstica contra mulheres foram registradas no município, além de mais de 200 medidas protetivas determinadas pela Justiça.

Violência começa com palavras
Durante a entrevista, a sargento destacou que a maioria dos casos atendidos envolve violência psicológica. “Nem sempre há agressão física, mas 100% das situações têm violência emocional, como humilhações, ameaças e controle”, explicou.
Ela ressaltou que a conscientização tem evoluído, principalmente entre mulheres e adolescentes, que passam a reconhecer sinais de relacionamentos abusivos ainda no início.
A atuação preventiva é outro eixo do programa, com palestras frequentes em escolas e comunidades. De acordo com Soiane, o contato com jovens tem sido essencial para mudar a cultura em torno do tema. “Quando falamos sobre violência, muitas meninas se identificam e procuram orientação. Isso mostra a importância de levar informação antes que a situação evolua”, disse.
A policial também destacou a importância do envolvimento da família e da sociedade. “A omissão também contribui para a violência. É preciso orientar, acolher e agir”, afirmou.

Estrutura e novos projetos
Entre os desafios, está a necessidade de melhorar a estrutura de atendimento. Um dos projetos em andamento é a criação de uma sala de acolhimento na Polícia Militar, com ambiente mais adequado para receber mulheres em situação de vulnerabilidade, inclusive com espaço para crianças.
A iniciativa deve contar com apoio de entidades públicas e da comunidade, já que parte dos recursos depende de parcerias e doações.
Como buscar ajuda
A orientação para vítimas de violência é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 em casos de emergência. Situações já ocorridas podem ser denunciadas pelo 180, canal nacional de atendimento à mulher.
Além disso, a Rede Catarina mantém canais digitais com informações e orientações, e o atendimento também pode ser buscado diretamente nos quartéis da Polícia Militar.
Conscientização crescente
Para a sargento, o aumento no número de registros não indica crescimento da violência, mas sim maior conscientização. “As mulheres estão entendendo que estão vivendo situações de violência e estão buscando ajuda. Isso é fundamental para quebrar o ciclo”, afirmou.
Ela acredita que o avanço da informação e da educação pode reduzir significativamente os casos no futuro. “Não é utopia pensar no fim da violência doméstica, mas isso começa com conhecimento e atitude”, concluiu.




