Caminhoneiros autônomos de Itajaí e região aderem à paralisação nacional após alta do diesel

Foto de Jor. Marcelo Zemke

Jor. Marcelo Zemke

Caminhoneiros autônomos de Itajaí e região decidiram aderir à paralisação nacional da categoria após o aumento no preço do diesel. A decisão foi tomada durante reunião realizada nesta terça-feira, 17, no pátio do posto Dalçóquio, com a participação de motoristas que atuam principalmente no transporte de cargas ligadas aos portos do litoral catarinense.

O movimento, que inicialmente começou com transportadores que operam no Porto de Santos, ganhou força e passou a se espalhar para outras regiões do país. Em assembleia realizada com o Sinditac de Navegantes, os caminhoneiros definiram que a paralisação terá início às 18h desta quarta-feira.

Na reunião realizada em Itajaí, cerca de 200 caminhoneiros participaram do encontro. A região reúne aproximadamente três mil motoristas autônomos, sendo que cerca de 1,2 mil estão ligados à associação nacional da categoria.

Atualmente, esses profissionais atuam principalmente no transporte de cargas que atendem os portos de Itajaí, Itapoá e Imbituba. A expectativa dos organizadores é de que a adesão ao movimento fique entre 60% e 70% dos caminhoneiros autônomos da região.

Alta do Diesel

O principal motivo da paralisação é o aumento no preço do diesel, que impacta diretamente os custos da atividade. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o combustível registrou alta de quase 12% na última semana, chegando a cerca de R$ 6,80 em algumas regiões.

Com o aumento, os caminhoneiros afirmam que o valor pago pelos fretes não acompanha os custos da operação. Por isso, a categoria defende um reajuste entre 10% e 12% nos valores do transporte.

Além da questão do combustível, os profissionais também apontam dificuldades enfrentadas na rotina de trabalho, como filas frequentes para acesso aos portos e falta de estrutura adequada para os motoristas que aguardam para carregar ou descarregar mercadorias.

Movimento Nacional

Motoristas de caminhão voltaram a discutir a possibilidade de uma paralisação em rodovias de Santa Catarina e em outros estados do país. O movimento vem sendo articulado por grupos da categoria nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, principalmente em razão de reivindicações relacionadas aos custos do transporte e às condições de trabalho.

Entre as principais pautas levantadas pelos caminhoneiros estão o valor do diesel, a tabela do frete, pedágios e a necessidade de maior fiscalização para garantir o cumprimento das regras do transporte rodoviário de cargas.

De acordo com lideranças da categoria, a paralisação ainda depende de mobilização maior dos profissionais e de definição de datas e pontos de concentração.

Autoridades de segurança e órgãos responsáveis pelo transporte acompanham a situação e alertam que eventuais manifestações devem respeitar a legislação e garantir o direito de circulação nas rodovias.

Uma das principais críticas do setor é que, poucos dias após o anúncio do pacote de renúncia fiscal do governo para baratear o diesel e reduzir o impacto da crise internacional sobre o combustível, a Petrobras aumentou o preço do diesel nas refinarias, o que, segundo caminhoneiros, anulou o efeito da redução tributária.