Sindimade/Floema alerta para impactos de barreiras comerciais dos EUA e pede engajamento político

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Jor. Marcelo Zemke

Marcelo Zemke

O setor madeireiro do Alto Vale do Itajaí está em alerta diante das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, que podem afetar diretamente a exportação de produtos de alto valor agregado da região. O presidente do Sindimade – Sindicato das Indústrias de Madeiras do Médio e Alto Vale do Itajaí em conjunto com a Central da Indústria da Madeira -FLOEMA, Ricardo Rozene Rossini, detalhou os efeitos imediatos e futuros dessa situação sobre a produção, o emprego e a economia local.

Segundo Rossini, o mercado americano representa mais de 95% das exportações da região, que somaram US$ 76 milhões de janeiro a julho de 2025, sendo que mais de 70% desses produtos são de alto valor agregado, como portas, compensados e painéis de madeira. “Se perdermos essa fatia, teremos que voltar a um processamento primário, com grande impacto na geração de empregos e na arrecadação municipal”, alertou.

O presidente do Sindimade/FLOEMA destacou que o setor já tomou medidas preventivas para reduzir os impactos, incluindo redução da produção, férias coletivas e readequação da força de trabalho, mas reforçou que essas ações são paliativas e não substituem a negociação direta com o governo americano.

Rossini explicou que outros mercados internacionais, como África, Leste Europeu e países asiáticos, não têm capacidade ou perfil para absorver produtos de alto valor agregado, tornando o mercado americano central para toda a cadeia produtiva do Alto Vale. “Esse mercado não apenas consome nossos produtos, mas também viabiliza a competitividade nos demais mercados, diluindo custos e sustentando empregos em toda a cadeia madeireira”, disse.

Os impactos já começam a ser sentidos localmente. O preço da serragem de pinos quadruplicou devido à redução na produção, afetando olarias, agricultores e outros setores interligados. Além disso, 96% das lâminas folheadas de acabamento utilizadas no Alto Vale vêm do Paraguai, evidenciando a interconexão logística da região e como uma paralisação pode gerar efeitos em países vizinhos.

Diante desse cenário, o Sindimade reforça a necessidade de engajamento político. Rossini pede que prefeitos, deputados e senadores se envolvam diretamente para apoiar negociações do governo brasileiro com os Estados Unidos, seguindo exemplos de acordos bem-sucedidos com União Europeia, Japão e Canadá. “Negócios são negócios. Precisamos que o governo sente à mesa para negociar e garantir a sobrevivência das indústrias, evitando demissões em massa e perda de talentos na região”, enfatizou.

O dirigente alertou que, sem uma solução em até 60 ou 90 dias, as perdas podem se tornar irreversíveis, com migração de mão de obra, redução de arrecadação municipal e impactos sociais significativos. “A indústria madeireira do Alto Vale é estratégica para o Estado e para o país. É urgente que todas as partes interessadas se mobilizem para evitar um cenário crítico”, concluiu Rossini.