Antônio de Águida deixa legado de o guardião da memória rural e da natureza para a comunidade

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Jor. Marcelo Zemke

Agricultor e educador por paixão, ele preservou a história da vida no campo e ensinou gerações a respeitar a água e a terra

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A comunidade de Ribeirão do Salto, entre Ibirama e Lontras, perdeu no dia 26 de julho uma de suas figuras mais queridas e inspiradoras: Antônio de Águida, aos 82 anos. Agricultor por vocação e historiador por paixão, ele dedicou boa parte de sua vida a preservar e compartilhar a história das famílias do interior, os costumes simples e o jeito de viver de outras gerações.

Antônio foi sepultado no sábado, dia 27, no cemitério da própria comunidade onde viveu toda a vida. Mas seu legado ultrapassa os limites geográficos e será lembrado por muitos anos graças ao seu maior projeto: o Museu Colonial e Recanto Ecológico Família Águida. Por lá centenas de estudantes da região já aprenderam sobre cuidados com a natureza. “Sempre observo os adolescentes com a atenção centrada em aparelhos eletrônicos como celulares, sem prestar atenção ao que acontece a sua volta e ao seu próximo. O museu busca resgatar a valorização das coisas tradicionais e simples, e o aprendizado junto com a preservação da natureza”, disse em uma das visitas de estudantes, acompanhadas pelo JVN.

Um homem apaixonado pela mãe natureza, ele fazia questão de destacar a importância da preservação dos recursos hídricos, mostrando nas trilhas e nas atividades do recanto o valor da água e a responsabilidade de cada um na sua proteção. Para ele, educar era um gesto de amor pela terra e pelo futuro.

Criado com o apoio de sua esposa, Ana, o museu foi fruto de quase uma década de dedicação. Mais do que reunir objetos antigos, Sr. Antônio quis contar histórias. O acervo inclui desde miniaturas de rodas d’água e máquinas de serraria, até ovos embalados em palha de milho, brinquedos de madeira, panelas, ferros de passar e ferramentas que já não se veem mais. Muitos desses itens foram construídos a pedido dele, em uma tentativa de manter viva a memória do passado.

O museu recebeu visitantes de toda a região e foi destaque em reportagens do Jornal Vale do Norte, que registraram o esforço do agricultor em valorizar a cultura local e ensinar às novas gerações o respeito às origens.

Educador por vocação

Mais do que um acervo histórico, o Recanto Ecológico se tornou um espaço de aprendizado. Todos os anos, Sr. Antônio organizava com carinho a agenda de visitas das escolas. Alunos da rede municipal, estadual e particular de ensino de Ibirama e Lontras participaram das atividades educativas, sempre recebidos com alegria, atenção e conhecimento.

Um homem apaixonado pela mãe natureza, ele fazia questão de destacar a importância da preservação dos recursos hídricos, mostrando nas trilhas e nas atividades do recanto o valor da água e a responsabilidade de cada um na sua proteção. Para ele, educar era um gesto de amor pela terra e pelo futuro.

Antônio de Águida acreditava que a história não se guarda apenas em livros, mas nas mãos calejadas de quem plantou, construiu e viveu cada etapa do desenvolvimento da comunidade. Seu museu era também um recanto ecológico, onde natureza e memória caminhavam juntas — um reflexo claro de sua forma de ver o mundo: com respeito, humildade e propósito.