Projeto da Udesc Alto Vale digitaliza arquivo histórico relacionado à imigração italiana – Imagem: Reprod. Em 7 de junho, às 8h, o Centro de Educação Superior do Alto Vale do Itajaí (Ceavi), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), realizará uma palestra para estudantes do ensino médio de Presidente Getúlio, abordando as funções, os serviços e o acervo histórico do Arquivo Público Municipal de Ibirama Carlos Pabst. Voltada a alunos da Escola de Educação Básica Cecília Ax, a apresentação será ministrada pela coordenadora do APMI Carlos Pabst, Sandra Maria Secchi. A iniciativa faz parte do ciclo de palestras realizado pelo projeto de extensão “Digitalização do acervo documental da Sociedade Colonizadora Hanseática: Análise da influência italiana na Colônia Hansa-Hammonia”, coordenado pelo técnico Rafael Rossi Schafer e contemplado com recursos do edital Campus de Cultura da Udesc. Imigração italiana Conforme Schafer, a palestra tem relação com as disciplinas de Língua Italiana e Projeto de Vida, ministradas na escola, que tem como idioma estrangeiro o italiano. A ação tem parceria do Arquivo Público Municipal de Ibirama, do Circolo Trentino di Presidente Getúlio e da EEB Cecília Ax, de Presidente Getúlio. Outras duas palestras, abertas à comunidade, estão programadas para este ano: uma sobre dialetos italianos e outra sobre a imigração italiana. Sobre a palestrante Sandra Maria Secchi é formada em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc). Foi professora de escola primária e de segundo grau nos anos 1970 e 1980, e trabalhou durante anos pela causa indigenista, na organização Amazônia Nativa (Opan), nos estados de Mato Grosso, Amazonas e Roraima. Fez parte da equipe de pesquisa que elaborou o livro “O espirito do camponês, o júbilo do médico, o tormento do prisioneiro e outras histórias ao redor de sua construção”, lançado com recursos do prêmio Elisabeth Anderle. Integra o Instituto Naturhansa desde 2002, executando trabalhos em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade na floresta nacional de Ibirama. Ingressou no serviço público municipal em 2013 e, desde 2021, é responsável pelo Arquivo Público Municipal de Ibirama Carlos Pabst. Acervo digital Além de palestras sobre o tema, o projeto está criando um banco de dados digital de documentos históricos guardados no Arquivo Público Municipal de Ibirama. O objetivo é facilitar a consulta pela comunidade e também identificar as famílias de origem italiana que formaram o núcleo colonial Hamônia, no Vale do Itajaí, no final do século 19. O principal objetivo das ações é valorizar a cultura italiana no Vale do Itajaí, em especial na microrregião Vale Norte, e conscientizar a população de todas as faixas etárias sobre a necessidade da preservação e da transmissão do seu patrimônio linguístico. Sobre a sociedade A Sociedade Colonizadora Hanseática foi uma das agências de imigração responsáveis pela colonização das terras catarinenses. Atuou, entre outras regiões, na colônia Hamônia, que atualmente inclui Ibirama e municípios adjacentes. Após a falência e o fechamento da sociedade, toda a documentação que dizia respeito ao escritório no núcleo colonial de Hamônia foi para o Arquivo Público Municipal de Ibirama Carlos Pabst. O acervo é composto por mapas, livros de registro de venda de terras, recibos de quitação, títulos de terra e outros, que compõem o patrimônio histórico do período de colonização dessas terras.
Ibirama em luto: Mãe de jovem assassinada fala do ocorrido.
MARCO TEMPORAL: Drama histórico da comunidade indígena e dos agricultores da região deve ter desfecho no dia 7 de junho
Com aprovação, marco temporal segue para o Senado FOTO Marcelo Zemke/Arquivo Por Marcelo Zemke Apesar da mobilização das comunidades indígenas e da articulação política governo amargou mais uma perda na Câmara, resultando em um primeiro alívio para as mais de 800 famílias de agricultores da região do Vale Norte. Por 283 votos a 155, os deputados aprovaram na quarta-feira, 30 o texto-base do projeto de lei que estabelece um marco temporal para terras indígenas. Após a análise de destaques, o texto segue para o Senado. O PL define 1988, ano em que a Constituição foi promulgada, como marco para demarcação de terras indígenas. O agricultor com propriedade na Serra da Abelha em Vitor Meireles, Francisco Jeremias, o Chico, destaca que o clima ainda é de ansiedade entre as famílias, mas que estão confiantes em relação ao resultado no dia 7 de junho. Ele lidera um movimento junto aos agricultores. “Acredito que os ministros não vão mudar uma lei que irá desestabilizar o direito de propriedade de todos, pois se isso acontecer, haverá insegurança jurídica. Vimos que há uma mobilização em todo o país para a manutenção do Marco Temporal”, disse ao JVN. Chico, que, nasceu na pequena propriedade herdada de seu pai, também é produtor de leite, e a família cria ainda suínos e aves. Nela, moram sua esposa, filhos e netos. Apesar do atual governo se posicionar a favor da derrubada do marco, ele diz estar confiante com a opinião pública compreendendo a situação do agricultor e da agricultura familiar. “Se derrubar esta tese, vai virar um caos. Nossas escrituras serão jogadas fora”, disse. O PL é uma resposta a um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que avalia na semana que vem um recurso para impedir o marco temporal, estabelecido por entendimento anterior do próprio tribunal. O governo tentou convencer o STF a adiar o julgamento e retardar também a votação, mas falhou nas duas frentes. Pelo menos três partidos da base, PSD, PSB e MDB foram a favor do projeto. O texto deve passar por comissões antes de ir ao plenário no Senado. Chico, que participou da audiência pública promovida pela Alesc no início do mês. Ele lembra que a Terra Indígena Ibirama Laklaño foi criada pelo Estado de Santa Catarina em 1926 e o limite da área, com 14 mil hectares, foi fixado em 1952 em comum acordo com o Serviço de Proteção ao Índio. “As terras de nossos índios foram demarcadas em 1926. Há quase cem anos, o agricultor sempre respeitou as escrituras e sempre viveu em harmonia com os índios. Temos escrituras públicas do século passado que compravam que nenhum agricultor invadiu estas terras. Ter uma escritura de 100 anos e dizer que não mais seu é muito triste”, avaliou Francisco Jeremias. Só em Vítor Meireles, há 809 cadastros de produtores familiares. Lideranças da Terra Indígena Laklãnõ estão em Brasília Foto Marcelo Zemke Na quarta-feira, 30, a comunidade indígena realizou uma mobilização em José Boiteux para chamar a atenção para a PL 490/07. Com cartazes, eles pediram a derrubada da tese, para que a terra indígena seja ampliada para 37mil hectares. O cacique da aldeia koplen (Barragem), Livai Paté, que mediou a mobilização no dia, disse que a intenção dos indígenas é de ser ouvido. “Não viemos aqui para confrontar, mas para dizer que também somos donos desta terra. Queremos o que foi proposto no estudo antropológico. Não queremos confronto, como incitou um deputado de SC. Nós não somos invasores”, disse, pedindo a demarcação de terras. O cacique presidente da Terra Indígena Ibirama Laklãnõ Tucun Gakran, já está em Brasília (DF), para acompanhar a votação junto com outras 150 lideranças indígenas. “Na verdade, somos vítimas. Se até criminosos têm direito de se defender, nós também temos o direito de reivindicar. Por mais que somos poucos que sobraram dos massacres, nós vamos lutar. Além do Alto Vale, vamos fazer mobilizações em Brasília. Junto ao meu povo e parentes de todo o Brasil, vamos lutar. Não vamos abaixar a cabeça”, disse o cacique ao JVN. Gakran revela que pelos 300 membros da comunidade Xokleng para a mobilização no dia 7 em Brasília. “O povo xokleng é protagonista deste processo. Vamos lutar contra a manutenção do Marco Temporal”. O julgamento do Recurso Extraordinário 1.017.365, processo que envolve um pedido de reintegração de posse movido pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Santa Catarina, contra a comunidade Xokleng da Terra Indígena (TI) Ibirama-Lã Klãnõ, também habitada por comunidades Guarani e Kaingang. O caso ganhou status de repercussão geral no Supremo e terá efeitos para as demarcações de terras indígenas de todo o país. “A gente vem lutando desde a década de 1990. Sabíamos que a terra era do povo, mas foi tomada pelo estado de Santa Catarina. À época, os nossos caciques não tinham muito conhecimento sobre a situação. Mas, na metade dos anos de 1990, o povo começou a se organizar para começar a fazer a retomada. Se a gente não tiver direito ao que está na Constituição, tememos perder o que é nosso. Ficamos angustiados de ver a demora da Justiça para retomar e encerrar esse julgamento”. A TI Ibirama-Laklãnõ está localizada entre os municípios de Doutor Pedrinho, Itaiópolis, Vitor Meireles e José Boiteux, tem um longo histórico de demarcações e disputas, que se arrasta por todo o século XX, no qual foi reduzida drasticamente. A TI foi criada pelo Estado de Santa Catarina em 1926 e o limite da área, com 14 mil hectares, foi fixado em 1952 em comum acordo com o Serviço de Proteção ao Índio. Em 1914, quando indigenistas do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) estabeleceram um posto de atração e contato. No mesmo ano foi reservada uma área de 40 mil hectares para o povo, que por conta do impacto gerado pela Barragem Norte, reivindica os 37 mil hectares destas terras. O caso em disputa A TI Ibirama-Laklãnõ está localizada entre os municípios de Doutor Pedrinho, Itaiópolis, Vitor Meireles e José Boiteux, tem um longo histórico de demarcações e disputas, que se arrasta por todo
Mulher natural de Ibirama é assassinada pelo ex-marido em São José
Sharlene Silveira, natural de Ibirama, estava em casa com uma amiga quando foi morta Na madrugada de domingo, dia 04, Sharlene Silveira, 27 anos, foi brutalmente assassinada pelo ex-companheiro, que, de acordo com as primeiras informações, não aceitava o término de relacionamento. Ela estava na casa de uma amiga, em São José, na região metropolitana de Florianópolis, quando recebeu inúmeras facadas na barriga, até morrer. Conforme informações preliminares, a amiga relatou que “estavam conversando quando ouviram um barulho e ao checar, foram atacadas pelo assassino. Ela conseguiu se jogar para o lado, e Sharlene correu para o quarto, mas foi perseguida em fúria pelo assassino, e lá foi esfaqueada até a morte”, informou o boletim da polícia. Sharlene já tinha registrado B.O, contra o ex-companheiro, que a perseguia inconformado com término do namoro. Informações dão conta de que o ex-companheiro de 32 anos não aceitava o fim do relacionamento que tinha terminado há cerca de dois meses. O homem está foragido e fugiu com um carro Palio de cor escura. Familiares e amigos de Sharlene estão inconformados com o brutal assassinato e clamam por justiça. A mãe, Santa Silveira, conta que recebeu a notícia na manhã de hoje, 05, quando estava em Blumenau. “O que ela mais teve em Ibirama foram amigos em todos os lugares que passou, na escola, comércio… Queremos que ele seja pego e que se faça justiça”, disse a mãe ao repórter Jota Bhê, da Rede Vale Norte. A cerimônia de despedida ocorre às 11h, na capela Bom Jesus do Bairro Bela Vista, seguindo após no cemitério Municipal de Ibirama. Outras informação, nos boletins de Rede Vale Norte. Sharlene deixa dois filhos, de 8 meses e 3 anos. Nas redes sociais, amigos e familiares prestaram homenagens. “Meu Deus até quando mulheres vão ser mortas por esses homens que não aceitam a separação. Shay que Deus a receba de braços aberto e que Deus possa cuidar das suas crianças e confortar o coração de seus amigos e familiares. […] Medida protetiva? Gente isso não serve pra nada! O feminicídio é maldade, é crueldade! Quando será que vai existir a pena de morte pra esses machões? Quantas mais famílias serão destruídas até que se leve esse assunto a sério? Sharlene,que Deus te receba de braços abertos! Teus filhos terão muito orgulho da mãe incrível que você foi! Cuide deles aí de cima! Agora você é a estrelinha protetora deles!”, diz um trecho de uma publicação.