Saque de cargas é hábito que precisa mudar

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Leo AW

Basta um caminhão tombar, com qualquer que seja a mercadoria, para que grupos de pessoas tente levar as mercadorias

“Temos dois pontos sensíveis em nossa região em que ocorrem os saques. Um deles é na região das Serra São Miguel em Ibirama, e na região da Serra da Santa em Pouso Redondo”

Por Marcelo Zemke Rede Vale Norte

Infelizmente, notícias de saques de cargas têm sido comuns em nossa região, sempre quando há ocorrências com carga espalhada na pista. De acordo com informações repassadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), para os casos de saque de carga de caminhões tombados, a carga, mesmo se não estiver segurada, continua tendo dono. Caso tenha seguro, a empresa decidirá o que fazer com a mercadoria que não estiver em condições de comercialização. Enquanto não houver esse procedimento, qualquer apropriação do produto será considerada furto.

O saque de cargas de caminhões tombados, infelizmente, é algo comum de se ver nas estradas brasileiras. Basta um caminhão tombar, com qualquer que seja a mercadoria, para que grupos de pessoas nas proximidades do acidente pratiquem o saque e levem tudo que conseguir, como se as mercadorias não tivessem dono.

Conforme informado pelo Policial Rodoviário Federal, Chefe do Núcleo de Comunicação Social da PRF em SC, Adriano Fiamoncini, a apropriação de algo que não te pertence é considerado crime previsto no art. 169 do Código Penal e o infrator pode cumprir pena de um mês a um ano de prisãoou pagamento de multa. “Quem for flagrado saqueando carga pode ser enquadrado pelo Delegado da Polícia Civil nos artigos 169 do Código Penal: Apropriar-se de coisa alheia (detenção de um mês a um ano) ou artigo 155: furto. (pena de detenção de um a quatro anos)”, informou.

Recentemente, no início da semana em Ibirama, pessoas que passavam pelo km 118 da BR-470, aproveitaram para saquear a carga de cerveja escura e chope de vinho. Apesar do acidente, muitos fardos da bebida permaneceram intactos após o tombamento de um caminhão nas proximidades do trevo do bairro Areado.   

Na ocorrência, o motorista de 22 anos foi ejetado do veículo e levado ao hospital com lesões graves pelos Bombeiros Voluntários de Ibirama. Não houve prisões pelo furto da carga, já que a PRF não estava no local. O fato foi flagrado pela reportagem do JVN e a quantidade não foi informada. No local, um dos responsáveis pelo caminhão, que retirava documentos do habitáculo, informou que a carga não havia sido liberada para o público.

Segundo o Policial Rodoviária Federal do Posto Rio do Sul, Manoel Fernandes Bitencourt, na região do Alto Vale há dois pontos que mais ocorrem o furto de cargas. Para ele, o saque é algo lamentável que acontece em nossa região, mesmo sendo tão desenvolvida.  “Temos dois pontos sensíveis em nossa região em que ocorrem os saques. Um deles é na região das Serra São Miguel em Ibirama, e na região da Serra da Santa em Pouso Redondo, sendo nestes locais que ocorrem a maioria de tombamento de cargas. Talvez por ter esta incidência, os grupos já são quase que organizados.  Quase não se tem ocorrências com saque de cargas em outras regiões”.

Segundo Fernandes, muitas vezes a PRF demora para chegar ao local do acidente por estar em uma outra ocorrência. “Nem sempre conseguimos chegar imediatamente, e quando chegamos, o saque já aconteceu. Outras vezes, o próprio dono da carga não demonstra preocupação. Fazemos o atendimento e deixamos aos cuidados da empresa ou responsável, e acontece o saque quando deixamos o local”.

O PRF destaca ainda que pegar a carga por supostamente a seguradora te liberado é infundada. “Isso não existe, é lenda. As pessoas falam isso para motivar outros a ir pegar. Isso é furto, porém se houver violência ou grave ameaça, é roubo e a pena é maior”.

Saques de carga no Alto Vale

Durante o ano, diversas ocorrências de saques de carga na BR-470 ganharam as manchetes de jornais em SC.

Em uma delas, ocorrida no mês de junho no km 168 da BR 470 em Pouso Redondo, populares chegaram a arrombar o cadeado do compartimento de carga do caminhão para saquear uma carga de bexigas de porco, que seriam exportadas. O caminhão não chegou a tombar no acidente, ficando preso na canaleta para escoamento de água.  Mais tarde, suspeitos do furto, postaram vídeos nas redes sociais, onde ironizavam a carga de bexigas e estômagos de porco, confundida com sobrecoxas de frango. 

Em outra ocorrência em julho, também em Pouso Redondo, cerca de 200 pessoas foram impedidas pela Policia Civil de furtar uma carga de carne. “Que exemplo! Depois querem criticar os políticos, o exemplo vem de todos”, criticou Carlos Luciano, seguidor da Rede Vale Norte. “Infelizmente isso nunca vai mudar. Seguem exemplo dos nossos políticos. Triste ver o povo saqueando a carga sem se preocupar com a vida do motorista”, completou Edson Robrigues.

Outros pontos onde que há registros de ocorrências são na Serra São Miguel e também no Km 111 da BR-470, local conhecido como curva da morte. Este ano, cargas de batata frita e iogurte, já foram saqueadas no local.

Ainda em julho, uma operação da Delegacia de Furtos e Roubo de Cargas (DFRC) de Santa Catarina recuperou em Ibirama parte de cargas de caminhões acidentados. Eram sacos de arroz e batata congelada, de caminhões acidentados na BR-470.

Ainda de acordo com a PRF, o papel do motorista em situações como essa é chamar imediatamente a polícia. A omissão injustificada, ou seja, quando o motorista não tem motivos para não chamar a polícia, pode acabar trazendo consequências para o próprio caminhoneiro, que pode ser responsabilizado pelo saque.