Santa Catarina entra em alerta para sequência de temporais com risco de granizo, vendavais e chuva intensa

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Jor. Marcelo Zemke

Estado deve ser atingido por uma onda de instabilidade entre quinta-feira (16) e a próxima semana; Oeste catarinense está entre as áreas com maior potencial para eventos severos

Santa Catarina deve enfrentar, a partir desta quinta-feira (16), uma sequência de temporais associados à primeira grande onda de tempestades do episódio de El Niño 2026/2027. A previsão indica vários dias consecutivos de instabilidade, com risco de chuva intensa, granizo, vendavais e descargas elétricas em diferentes regiões do Estado. Além do potencial destrutivo das tempestades, os acumulados de chuva poderão ultrapassar 300 milímetros em algumas áreas do estado. Os meteorologistas destacam que esses valores ainda podem estar subestimados pelos modelos numéricos. Na prática, os volumes finais de precipitação podem atingir marcas ainda maiores.

De acordo com a MetSul Meteorologia, o cenário de tempo severo poderá se estender por pelo menos cinco dias, com alguns modelos indicando que a instabilidade pode persistir até a próxima terça-feira (21). A combinação entre uma massa de ar muito quente em altitude e o avanço de sistemas atmosféricos favorecerá a formação de tempestades de forte intensidade em todo o Sul do Brasil.

Oeste catarinense concentra maior preocupação

Em Santa Catarina, as áreas com maior potencial para temporais severos são o Oeste e parte do Meio-Oeste, regiões que poderão ser diretamente influenciadas por uma intensa corrente de jato em baixos níveis da atmosfera. Esse corredor de ventos, localizado cerca de 1,5 mil metros de altitude, transportará ar muito quente e úmido para o Sul do país, aumentando significativamente a energia disponível para a formação das tempestades.

Segundo a MetSul, embora os ventos mais intensos ocorram em altitude, o fenômeno favorece a organização de tempestades capazes de produzir rajadas destrutivas, queda de granizo de médio e grande porte e, em situações isoladas, até mesmo tornados.

Temporais serão intercalados com calor e abafamento

Os meteorologistas ressaltam que a chuva não será contínua em todas as cidades. A instabilidade deve ocorrer em forma de temporais isolados, alternando períodos de chuva com intervalos de sol, calor e forte sensação de abafamento.

A partir da quarta-feira (15), o ar quente começa a avançar sobre a região. Já na quinta-feira (16), as primeiras áreas de instabilidade ganham força entre a Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, permanecendo ativas durante vários dias.

Granizo e ventos fortes preocupam

Além da chuva intensa, a previsão indica elevado risco de queda de granizo em diversas regiões catarinenses. Na maioria dos casos, as pedras devem ser pequenas, mas há possibilidade de episódios com granizo de tamanho médio ou grande, capazes de provocar danos em lavouras, veículos, telhados e redes elétricas.

Também há previsão de grande incidência de raios e rajadas de vento associadas aos temporais, o que aumenta o risco de queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Chuva pode provocar transtornos

Embora os maiores acumulados de chuva sejam esperados para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina também poderá registrar volumes expressivos em alguns municípios, principalmente nas regiões Oeste, Meio-Oeste e Planalto Sul.

Os temporais podem causar alagamentos, enxurradas, elevação do nível de rios e córregos, além de deslizamentos em áreas suscetíveis.

Recomendações

A orientação é que a população acompanhe os avisos da Defesa Civil e dos serviços oficiais de meteorologia ao longo da semana. Durante os temporais, recomenda-se evitar áreas alagadas, não se abrigar sob árvores, manter distância da rede elétrica e buscar locais seguros em caso de ventos fortes ou queda de granizo.

Segundo a MetSul Meteorologia, esta é a primeira grande onda de tempestades do atual episódio de El Niño, que já apresenta intensidade forte no Oceano Pacífico e tende a favorecer novos eventos de tempo severo no Sul do Brasil durante o restante do inverno e, principalmente, na primavera.