Renovação automática da CNH beneficia milhares, mas gera alerta de médicos sobre segurança no trânsito

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Matheus Cerqueira

Enquanto Medida Provisória agiliza processos para “bons motoristas”, Abramet alerta que velocidade e saúde física são limites biológicos que não aceitam “atalhos”.

DA REDAÇÃO – O cenário para os motoristas brasileiros mudou com a vigência da Medida Provisória 1327/2025, que permite a renovação automática da CNH para condutores sem infrações nos últimos 12 meses. Na primeira semana, mais de 323 mil pessoas foram beneficiadas. No entanto, a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) acendeu um sinal de alerta: a aptidão para dirigir não é permanente e o aumento da velocidade nas vias pode ser fatal.

A Facilidade: Quem tem direito? Para usufruir da renovação automática (sem exames médicos imediatos), o condutor deve:

  • Estar no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC);
  • Não ter cometido infrações nos últimos 12 meses;
  • Estar com o cadastro em dia no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

As Exceções (Quem NÃO renova automático):

  • Motoristas com 70 anos ou mais (renovação a cada 3 anos);
  • Condutores com restrições médicas ou doenças progressivas;
  • CNH vencida há mais de 30 dias;
  • Motoristas acima de 50 anos (só podem usar o benefício automático uma única vez).

O Alerta Médico: Limites do Corpo A Abramet publicou a diretriz “Tolerância Humana a Impactos”, reforçando que o corpo humano tem limites biomecânicos inegociáveis. Segundo a entidade, um aumento de apenas 5% na velocidade pode elevar em 20% o número de mortes.

“A aptidão para dirigir varia conforme a idade e a saúde. Condições como distúrbios do sono, osteoporose e doenças neurológicas reduzem a capacidade de reação e a resistência a impactos”, destaca a nota da associação. Além disso, a frota crescente de SUVs (veículos mais altos e pesados) aumenta o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, que hoje representam 75% das internações por trânsito no país.

Fonte: Abramet / Senatran / Redação Rede Vale Norte