Projeto de badminton de Ibirama completa 15 anos e se consolida entre os mais fortes do país

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Jor. Marcelo Zemke

Iniciado em 2011 como projeto de extensão da Udesc, o Ibirama Badminton reúne hoje mais de 150 atletas, acumula títulos nacionais e internacionais

Hoje, no badminton brasileiro, todo mundo conhece Ibirama. Estamos levando o nome da cidade, da Udesc e do município para o Brasil e para o exterior”

Marcelo Zemke

O projeto Ibirama Badminton completa 15 anos de atuação em 2026 e se tornou uma das principais referências da modalidade no Brasil. Criado em 2011 pelo professor e treinador Pabllo Schoeffel, o trabalho começou como uma iniciativa de extensão do Centro de Educação Superior do Alto Vale do Itajaí (Ceavi), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), voltada à iniciação esportiva e hoje reúne mais de 150 crianças e jovens, além de uma equipe competitiva com resultados nacionais e internacionais. Em 2025, por exemplo, foram mais de 30 medalhas em campeonatos brasileiros; oito medalhas no sul-americano e atletas convocados para a seleção.

Segundo Schoeffel, a iniciativa surgiu quando ele chegou a Ibirama para trabalhar na universidade e percebeu que o badminton ainda não era conhecido na cidade. “O projeto começou em 2011, quando eu vim para cá. Eu era atleta de badminton e comecei a trabalhar na Udesc. Junto com o professor Oswaldo, que também era dos esportes de raquete, criamos um projeto de extensão para disseminar a modalidade, porque praticamente ninguém conhecia aqui”, relata.

No início, as atividades eram realizadas com poucos participantes e horários alternativos. “Começamos devagarzinho, com turmas das 10 da noite ao meia-noite, mais com conhecidos, mostrando o esporte e fazendo formação de professores. Aos poucos a modalidade foi atraindo mais gente, principalmente crianças”, afirma.

Integração com a prefeitura e criação da associação

O projeto ganhou estrutura ao longo dos anos. Em 2014, passou a integrar as escolinhas da Prefeitura de Ibirama, por meio da Comissão Municipal de Esportes (CME). Dois anos depois, foi criada uma associação para fortalecer a organização e buscar recursos. “Em 2016 foi criada uma associação justamente com o objetivo de buscar recursos. A partir daí também houve maior envolvimento dos pais e das famílias no projeto”, explica o treinador.

Hoje o badminton de Ibirama funciona com uma rede de apoios que envolve universidade, poder público, empresas e projetos de incentivo. “Eu sempre digo que somos uma colcha de retalhos. Temos apoio da Udesc, da prefeitura, de cerca de 12 empresas e também projetos nas leis de incentivo estadual e federal, além de recursos do FIA. Mesmo assim, em algumas competições ainda contamos muito com o apoio das famílias”, diz.

Estrutura e núcleos de treinamento

As atividades do projeto são gratuitas e atendem principalmente crianças a partir dos seis anos. Atualmente existem quatro núcleos de treinamento no município.

As aulas de iniciação ocorrem no salão anexo ao Colégio Hamônia, no período da tarde. Já a equipe de rendimento treina no ginásio do Colégio Eliseu Guilherme, com sessões diárias de cerca de duas horas e meia.

Também existem núcleos na Serra São Miguel e na localidade de Dalbérgia, no bairro Ribeirão do Ouro, que devem ser retomados ao longo do ano.

“Hoje temos escolinhas gratuitas para crianças a partir de seis anos. Não precisa levar material nem pagar nada. Ainda temos vagas e quem tiver interesse pode procurar o Ibirama Badminton nas redes sociais”, explica Schäfer.

Apesar do crescimento, um dos desafios do projeto ainda é a falta de um espaço exclusivo para treinamento.

“Hoje todos os espaços são emprestados pelas escolas, e somos muito gratos por isso. Mas precisamos dividir horários e às vezes até cancelar treinos. Um centro de treinamento próprio seria um grande diferencial para manter e ampliar os resultados que temos conquistado”, afirma.

Resultados nacionais e internacionais

O projeto, que começou com foco na inclusão esportiva, passou a formar também atletas de alto rendimento. Atualmente cerca de 30 jogadores participam de competições oficiais.

Desde 2019, a equipe disputa regularmente o Circuito Nacional de Badminton e alcançou posições de destaque entre os principais clubes do país. “Hoje temos um dos clubes mais fortes do Brasil. Ano passado conquistamos mais de 30 medalhas em competições nacionais e ficamos em segundo lugar entre os clubes masculinos do país, perdendo apenas para o Clube Paulistano, que tem a base da seleção brasileira”, destaca o treinador.

No feminino, a equipe terminou a temporada nacional na sétima colocação. O grupo também conta com atletas campeões brasileiros, medalhistas sul-americanos e jogadores convocados para a seleção brasileira. Alguns deles foram contratados por grandes clubes do país para seguir carreira esportiva.

“Jamais imaginei que chegaríamos a esse patamar. Mas isso também traz uma grande responsabilidade de manter os resultados e continuar renovando talentos”, afirma.

Agenda intensa de competições

O calendário competitivo do badminton de Ibirama também chama atenção. Em 2026, a equipe tem previsão de disputar 31 competições, entre torneios nacionais e eventos internacionais. “São cinco etapas do Campeonato Brasileiro, além de torneios sul-americanos, pan-americanos e outras competições. É praticamente uma competição a cada duas semanas”, explica.

Os atletas precisam conciliar os treinos com os estudos e outras atividades. “Todos estudam e precisam conciliar escola, treinos e viagens. Não é fácil, mas a paixão pelo esporte faz valer a pena”, afirma o treinador.

Esporte como ferramenta de formação

Para o treinador, mais do que resultados esportivos, o projeto tem como principal objetivo a formação humana dos participantes. “O esporte é uma das principais ferramentas de educação e cidadania. Ele ensina disciplina, resiliência, respeito, autonomia e inclusão. Dentro da quadra todos são iguais”, diz.

O envolvimento das famílias também é incentivado pelo projeto. Entre as atividades promovidas está o chamado “Badminton da Família”, em que pais e parentes participam das práticas junto com os atletas. “Esse envolvimento é fundamental. Muitos pais acompanham as viagens, tiram férias para estar junto com os filhos nas competições e ajudam toda a equipe”, afirma.

Segundo o treinador, esse ambiente colaborativo ajuda a fortalecer o projeto e contribui para que o nome de Ibirama ganhe destaque no cenário esportivo. “Hoje, no badminton brasileiro, todo mundo conhece Ibirama. Estamos levando o nome da cidade, da Udesc e do município para o Brasil e para o exterior, e isso nos orgulha muito”, conclui.