
A Páscoa de 2026 movimentou as vendas de pequenos negócios no Alto Vale do Itajaí, especialmente entre empreendedores que trabalham com chocolates e produtos artesanais. Em Santa Catarina, cerca de 33.978 micro e pequenas empresas foram impactadas pela data, segundo levantamento do Observatório de Negócios do Sebrae/SC, cenário que também foi sentido por produtores da região.
O comércio concentrou a maior parte desse universo, com 33.583 empresas, incluindo supermercados, mercearias, padarias e lojas especializadas em alimentos. Já a indústria reuniu 395 pequenos negócios, com destaque para a produção de chocolates e derivados de cacau.
A movimentação econômica foi estimulada também pelo aumento do consumo. Pesquisa da Fecomércio SC apontou que o gasto médio na Páscoa de 2026 foi estimado em R$ 253 por consumidor, o maior valor registrado desde 2018.
Entre os fatores que mais influenciaram as compras estiveram preço, promoções e qualidade dos produtos. Outro comportamento observado foi que mais de 60% dos consumidores deixaram as compras para a semana da Páscoa ou até a véspera, o que acabou favorecendo pequenos negócios locais pela proximidade e conveniência.
Região
No Alto Vale, esse movimento foi percebido por empreendedoras que apostam na produção artesanal. É o caso das irmãs Pamela e Halana de Rio do Campo, responsáveis pela confeitaria Chocolovers, que registraram aumento na demanda durante o período.
Segundo Pamela, a Páscoa é o momento mais importante do ano para o negócio. “Pra gente, a Páscoa é sem dúvida a data mais importante do ano. É quando a demanda cresce muito e conseguimos aumentar bastante as vendas. Trabalhamos com produtos artesanais e personalizados, então muitos clientes procuram justamente pela qualidade e pela diferenciação”, explica Pamela Camile Ruediger.
Grande parte das vendas acontece por meio das redes sociais, que se tornaram uma ferramenta fundamental para divulgar os produtos e atender clientes, especialmente nos dias que antecedem a data. “Hoje nosso principal ponto de venda são as redes sociais. Elas ajudam muito na divulgação e também nas vendas de última hora, porque muita gente deixa para comprar na última semana”, comenta a empreendedora que vem sendo assistida também pela Sala do Empreendedor da cidade.
As duas empreendedoras trabalham juntas na confeitaria e esta foi a quarta Páscoa produzindo os chocolates artesanalmente. Mesmo sem contratações temporárias, elas conseguiram ampliar a produção ao longo dos anos. “Até hoje não contratamos ninguém. Trabalhamos só nós duas. Com o tempo fomos ganhando mais experiência e também investindo em utensílios e organização dentro da confeitaria, o que facilita bastante a produção”, relata.
As vendas se concentram principalmente nos municípios de Rio do Campo e Santa Terezinha, mas os produtos já chegaram a clientes de diferentes cidades. “Mesmo sendo um comércio local, conseguimos atender um público bem variado. Nossos ovos já foram pra bem longe”, conta Pamela.
Para o gerente de gestão estratégica do Sebrae/SC, Roberto Füllgraf, datas sazonais como a Páscoa representam oportunidades importantes para os pequenos negócios. “A Páscoa representa um importante vetor de movimentação econômica para os pequenos negócios em Santa Catarina, especialmente nos segmentos ligados à alimentação. Mesmo em um cenário de consumo mais cauteloso, esses empreendimentos conseguem se destacar pela proximidade com o cliente e pela oferta de produtos diferenciados”, destaca.




