
Com o fim do Carnaval, celebrado nesta terça-feira (18), tem início um dos períodos mais importantes do calendário cristão: a Quaresma. Vivida ao longo de aproximadamente 40 dias, ela começa na Quarta-feira de Cinzas e segue até a Quinta-feira Santa, antecedendo a celebração da Páscoa.
Tradicionalmente observada pelos católicos, a Quaresma é marcada por práticas de oração, jejum e caridade, sendo entendida como um tempo de preparação espiritual para a celebração da ressurreição de Jesus Cristo.
O significado dos 40 dias
O número quarenta possui forte simbolismo bíblico e está associado a períodos de provação e preparação. Segundo a tradição cristã, Jesus passou 40 dias no deserto em oração e jejum antes de iniciar sua missão pública.
Embora o período entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa ultrapasse 40 dias no calendário, os domingos não entram na contagem oficial, pois são considerados dias de celebração da ressurreição.
Mais do que um conjunto rígido de regras, a Quaresma é compreendida como um convite à conversão — ou seja, à mudança de atitude e de direção — e à renovação espiritual.
Normas e orientações da Igreja
O Código de Direito Canônico estabelece algumas práticas mínimas durante o período:
- Jejum obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, para fiéis entre 18 e 59 anos;
- Abstinência de carne às sextas-feiras da Quaresma, obrigatória a partir dos 14 anos.
Doentes, idosos, gestantes e pessoas em condições específicas são dispensados dessas práticas.
Atualmente, a Igreja reforça que essas normas são um ponto de partida dentro de um caminho mais amplo de reflexão e preparação para a Páscoa.
Jejum, oração e caridade
A Igreja Católica orienta três pilares principais para a vivência da Quaresma: jejum, oração e esmola.
O jejum vai além da alimentação e pode envolver a renúncia a excessos, vícios e hábitos prejudiciais. A proposta é estimular consciência e disciplina.
A oração convida ao recolhimento e à reflexão, incentivando maior proximidade com a fé e momentos de silêncio em meio à rotina acelerada.
Já a esmola, entendida como caridade, representa o gesto concreto de partilha. A ideia é que toda renúncia resulte em benefício ao próximo, especialmente aos mais vulneráveis.
Segundo o padre Clésio dos Santos, da Reitoria do Carmo, em Vitória (ES), esses três elementos precisam caminhar juntos para que o período tenha sentido real.
Tradição da abstinência de carne
A abstinência de carne às sextas-feiras é um dos costumes mais conhecidos da Quaresma. Historicamente, a carne era associada a celebração e festividade. Abrir mão desse alimento representa um gesto simbólico de simplicidade e penitência, em memória do sofrimento de Cristo.
Especialistas e líderes religiosos destacam, porém, que o valor espiritual está na reflexão e na mudança de atitude, não apenas na restrição alimentar em si.
A mensagem do Papa
Na mensagem para a Quaresma de 2026, o Papa Leão XIV reforçou a importância do recolhimento e da escuta. O pontífice destacou a necessidade de colocar Deus no centro da vida e propôs um “jejum da linguagem”, incentivando a redução de discursos agressivos, julgamentos e palavras ofensivas.
Em um cenário marcado por excesso de informações e polarização, o Papa apontou que a Quaresma é um convite à desaceleração, ao silêncio e ao diálogo.
Para os cristãos, o período não é visto como tempo de tristeza, mas de crescimento espiritual e preparação para a celebração da Páscoa.
Fonte: CNN Brasil




