Moradores da Ressacada enfrenta dificuldades para ter acesso a serviços básicos

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Leo AW

Por Sindréia Nunes Rede Vale Norte

Localidade fica no limite entre os municípios de Apiúna, Lontras e Ibirama; e população fica sem saber para quem recorrer.

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Os moradores da localidade da Ressacada, que abriga quase 100 residências, há anos enfrentam dificuldades para ter acesso a serviços básicos, como água encanada e coleta de lixo. O problema é ocasionado porque a comunidade fica no limite de três municípios: territorialmente pertence boa parte para Apiúna, e também Lontras, mas o único acesso é por Ibirama, e por conta disso, existe um impasse sobre qual município é o responsável por garantir o atendimento.

A Ressacada fica depois da ponte história de ferro, que pertencia a antiga Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC), nas proximidades do principal trevo de acesso à Ibirama pela BR 470. A comunidade é quase toda ribeirinha, e quando as casas não são na beira do rio, estão penduradas no barranco do lado de cima da via. Entre todos os problemas enfrentados pelos moradores, o principal é a água.

A moradora Marlete Elisio Cardoso, que vive na primeira casa ao atravessar a ponte, conta que fez uma ligação da residência de uma vizinha que mora do outro lado do rio e tem acesso ao serviço da Casan. Foram mais de 100 metros de cano, para conseguir ter água tratada. “Cuido da minha sogra que tem 84 anos, e antes disso, eu tirava água do rio para dar banho nela, não tenho vergonha de dizer, meus vizinhos são prova, e eles também passam dificuldades”, relata.

Nas demais casas, os moradores têm água graças as grotas e nascentes encontradas no mato. O que não é garantia de que a fonte esteja disponível o ano todo. “A comunidade já ficou sem água, o que inclusive, gera confusão entre os moradores, porque sem água não tem como sobreviver. Em época de tempo mais seco, nós já ficamos preocupados”, relata o morador, João Vitor Fischer.

Outra dificuldade enfrentada pela população é a coleta de lixo, que até pouco tempo atrás era feita uma vez por mês. Recentemente, o caminhão da coleta começou a passar uma vez por semana, mas ainda acumula resíduos na lixeira comunitária, já que o veículo não passa em frente de todas as residências. Durante anos o ponto de acumulo do lixo era na cabeceira da ponte de ferro, quando o volume era maior, alguns sacos acabavam caindo dentro do rio.

Para amenizar o problema, tanto ambiental quanto da paisagem, já que os resíduos ficavam acumulados na entrada da comunidade, os próprios moradores tomaram a iniciativa. Depois de uma conversa com o pessoal que faz a coleta, trocaram a lixeira comunitária de lugar para um ponto próximo, mas já longe do rio, evitando que os resíduos caiam na água e não acumulem no meio da estrada.

Os moradores também enfrentam dificuldades com serviços como transporte escolar, manutenção das estradas e da ponte de ferro, iluminação pública, segurança e até mesmo lazer.

 

Busca por solução

Com o objetivo de garantir mais dignidade para os moradores da Ressacada, o vereador ibiramense Jorge Eli, procurou os prefeitos de Ibirama e Apiúna. Após alguns encontros individuais, uma reunião foi feita com os representantes dos dois municípios e moradores. “Nós estamos em 2021 e em uma localidade onde vivem cerca de 500 pessoas, não tem água tratada, moradores tendo que pegar água do mato para atender as necessidades da família. […] Em qualquer bairro hoje existe água encanada, coleta seletiva duas ou três vezes por semana”.

Diante de todos os problemas, os prefeitos resolveram dividir as tarefas, para garantir o atendimento da comunidade. Conforme o prefeito de Ibirama Adriano Poffo, essa alternativa deve ser seguida até que haja uma solução definitiva. “A comunidade da Ressacada não pode ficar nessa dúvida. […] Vamos tentar trazer esse território para o nosso município, até porque a maior parte dos serviços são executados por Ibirama”.

Poffo explica que o processo deve ser burocrático, será necessário mapear a área e buscar o Governo do Estado para ser feita a alteração dos limites dos municípios. “Essa solução deve vir em médio ou longo prazo, acredito que não conseguiremos resolver a situação esse ano, mas começamos agora para que até 2022 esteja resolvido de uma vez por todas”, comenta.

O prefeito de Apiúna, Marcelo Doutel da Silva, concorda que a melhor solução seria passar a localidade para o município de Ibirama. “Esse é o desejo dos moradores, principalmente por conta do acesso. A Ressacada está muito mais perto do centro de Ibirama, do que Apiúna, onde para chegar é preciso pegar a BR 470”.

Outra facilidade de pertencer ao município vizinho, comenta o prefeito Marcelo, é que os moradores já têm parte da documentação em Ibirama, como título de eleitor e fatura de energia.

 

Mora em Apiúna, mas vive em Ibirama 

Depois da construção da Usina Salto Pilão, o acesso direto da comunidade da Ressacada para Apiúna, que era pela localidade de Subida, foi fechado. Dessa forma, hoje a maioria dos moradores trabalha em Ibirama, também realiza atendimentos de saúde no município e as crianças frequentam as escolas ibiramenses.

O que diz a Casan

A Casan informou, através do superintendente regional de negócios Norte/Vale do Rio Itajaí, Rangel Barbosa, que até agora não houve pedido para implantação da rede de água tratada na localidade de Ressacada. A oferta do serviço deve passar por uma avaliação de viabilidade. “A Casan sempre foca atendimento para áreas urbanas, mas nada impede de algumas ampliações para perímetros rurais, porém ainda não há pedido para esse local”, comenta Rangel.