Ministério Público apura possíveis irregularidades no Hospital Regional Alto Vale

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Jor. Marcelo Zemke

Investigação envolve suposta realização de atendimentos particulares dentro do hospital e possível burla à fila do SUS

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Rio do Sul, instaurou uma Notícia de Fato para apurar possíveis irregularidades na gestão do Hospital Regional Alto Vale, relacionadas à realização de atendimentos particulares dentro das dependências da unidade e à suposta manipulação da fila do Sistema Único de Saúde (SUS).

O despacho foi assinado pela promotora de Justiça substituta Bruna Cristina Poffo de Azevedo no dia 13 de maio de 2026.

De acordo com o documento, as informações chegaram ao Ministério Público após investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), que, durante interceptações telefônicas, identificou indícios da realização de consultas particulares no hospital ainda no ano de 2018.

Entre os casos citados está o do médico cardiologista Ian Christian, que teria cobrado consulta particular de um paciente dentro da estrutura hospitalar. Em resposta ao Ministério Público, a administração do hospital informou que esse tipo de prática não é autorizada oficialmente, motivo pelo qual não existe controle específico sobre atendimentos particulares realizados no local.

O hospital também admitiu que não possui fiscalização direta sobre a atuação dos profissionais médicos durante a permanência deles nas dependências da instituição.

Além dos atendimentos particulares, o Ministério Público apura possíveis casos de favorecimento indevido na fila do SUS, prática que pode incluir inserção irregular de pacientes em posições privilegiadas, simulação de urgências médicas e influência de servidores ou profissionais para antecipação de consultas e procedimentos.

Segundo o despacho, há indícios de que autoridades, médicos e até pacientes teriam conhecimento das irregularidades sem que medidas efetivas fossem tomadas para impedir as práticas.

A promotoria destacou que situações desse tipo ferem princípios fundamentais do SUS, como universalidade, igualdade e transparência no acesso aos serviços de saúde.

Diante dos fatos, o Ministério Público determinou o envio de ofício ao Hospital Regional Alto Vale para que a instituição apresente esclarecimentos em até 10 dias úteis sobre os supostos atendimentos particulares realizados em 2018 e informe se a prática ainda ocorre atualmente, além das providências adotadas.

A investigação também teve o prazo prorrogado por mais 90 dias para continuidade das diligências e aprofundamento das apurações.