Maibaum retrata a história e a identidade cultural de Ibirama no Parque de Eventos

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Jor. Marcelo Zemke

Estrutura em formato de pirâmide reúne símbolos da colonização, cultura e tradições do município

Divulgação

Marcelo Zemke

Instalado no Parque de Eventos Manoel Marchetti, o Maibaum de Ibirama (árvore de maio) passou a integrar o cenário cultural do município como um marco que retrata a história, as tradições e a identidade da comunidade. A estrutura em formato de pirâmide apresenta diversas figuras que representam momentos importantes da colonização e da cultura local. Segundo o prefeito Duílio Gehrke, a iniciativa foi inspirada em modelos tradicionais presentes em cidades da Alemanha e da Áustria.

De acordo com o prefeito, a ideia de implantar um Maibaum em Ibirama não é recente e surgiu a partir da valorização das origens culturais da cidade. “A ideia não é nova, nem inédita. Há muito tempo isso vem sendo pensado para Ibirama. Nossas origens foram o principal estímulo para que isso se tornasse realidade”, afirmou.

O projeto também contou com o incentivo do Grupo Folclórico Neu Bremen Volkstanzgruppe, que teve papel importante na viabilização da proposta. O formato da árvore segue o modelo tradicional europeu, adaptado para contar a história do município. “As figuras ali apresentadas retratam a história de Ibirama ao longo dos seus 129 anos de colonização. O Maibaum simboliza a força do povo, sua cultura, união e organização”, destacou Gehrke.

Símbolos que contam a história

As imagens instaladas na estrutura representam diferentes momentos da formação de Ibirama. Entre elas estão elementos que remetem ao período anterior à chegada dos colonizadores, como a representação do Rio Hercílio, da Serra do Mirador e dos povos indígenas.

Outra figura importante é o rancho dos imigrantes, que simboliza o ano de 1897, quando as primeiras famílias de colonos chegaram e se instalaram na foz do Ribeirão Taquaras.

Diversos outros elementos foram incluídos para representar aspectos culturais, econômicos e sociais do município ao longo do tempo. A Igreja Martin Luther, por exemplo, simboliza a arquitetura e a religiosidade da comunidade, enquanto a casa enxaimel representa a moradia típica das famílias de imigrantes.

Também fazem parte do conjunto representações de prédios históricos, como o Hansahoehe, conhecido pela arquitetura singular e pela importância na área da saúde, além da antiga Sociedade Cooperativa Hansa, localizada em Dalbérgia, que simboliza o desenvolvimento do comércio local.

O Arquivo Histórico, que já abrigou uma escola alemã, destaca a importância da educação na formação da comunidade. Já a Atafona Carlos Hajek, situada no Rio Sellin, representa a força da indústria e o aproveitamento da energia gerada pelos cursos d’água.

Elementos ligados ao lazer e às tradições também aparecem na obra, como o canto coral, as danças folclóricas e a cultura das festas com chopp, além de esportes tradicionais da região, como futebol, tiro e bolão.

Outras figuras representam o cotidiano da época da colonização, como a locomotiva e a carroça, utilizadas como meios de transporte, especialmente nos passeios conhecidos como wandertag.

O potencial turístico e as belezas naturais da região também foram lembrados por meio da representação do rafting e da tirolesa, atividades que atualmente fazem parte do turismo local.

Além disso, elementos como bolachas decoradas, lanternas e figuras ligadas às festas típicas — incluindo Papai Noel, rainhas, princesas, reis e cavaleiros — simbolizam tradições culturais presentes em eventos como o Weihnachtsmarkt.

No topo da estrutura está um arco que coroa o brasão do município, acompanhado da frase em latim “Amor glebae et labor vincunt”, que significa “Amor à terra e trabalho vencem”.

Projeto coletivo

A criação do Maibaum envolveu diferentes lideranças, entidades culturais e profissionais. De acordo com o prefeito, o projeto tomou forma após reuniões entre representantes do poder público, da cultura e da comunidade.

Participaram do processo o prefeito Duílio Gehrke, o vice-prefeito Alisson Kufky, o  de atividades, lazer e eventos comunitários,  Gregory Kietzer, a secretária de Educação e Cultura Katiuscia Raika Brandt Bihringer, a diretora de Cultura Vanessa Bruder Ancini, a historiadora Dabnei Suani Howe, além da diretoria do Grupo Folclórico Neu Bremen Volkstanzgruppe.

Também contribuíram Ingeburg Fritsche Krause (Dona Inge) e o artista timboense Luiz Lenzi, músico e maestro responsável pelo projeto da árvore.

Outras entidades envolvidas foram a Sociedade Desportiva União e a Associação HansaHoe. A estrutura metálica que sustenta as figuras foi produzida pelo ferreiro Toni, artesão de Blumenau. “Todos contribuíram para formatar o Maibaum”, ressaltou o prefeito.

Valorização cultural

Segundo Gehrke, a obra foi financiada majoritariamente com recursos públicos, representando cerca de 93% do investimento total, enquanto 7% vieram por meio de doações de materiais e serviços de terceiros.

Os recursos foram destinados à pesquisa histórica, elaboração do projeto e execução da obra.

Para o prefeito, o objetivo da iniciativa vai além da ornamentação do parque de eventos, sendo também um instrumento de preservação cultural.

“A finalidade desta obra artístico-cultural é informar e manter vivos os costumes dos antepassados, celebrados com música, danças folclóricas e comidas típicas”, destacou.

Ele também enfatizou o valor simbólico da estrutura para a comunidade. “O Maibaum é o símbolo da nossa comunidade e de sua identidade. Também se apresenta como uma obra de arte para ser contemplada e que passa a decorar o Parque de Eventos Manoel Marchetti”, concluiu.

Origem da Árvore de Maio (Maibaum)

Conforme informações repassadas por Inge, a tradição da Árvore de Maio (Maibaum) tem origem na Europa, especialmente na Bavária, na Alemanha, e é celebrada no dia 1º de maio com festas comunitárias. Registros históricos indicam que o costume existe desde o século XIII, quando a árvore simbolizava esperança por uma primavera fértil e um verão produtivo, trazendo bênçãos para a comunidade, os campos e os animais.

Inicialmente considerada uma prática pagã, houve tentativas de proibição ao longo da história, inclusive por autoridades religiosas. Mesmo assim, a tradição permaneceu viva. A partir do século XVIII, passaram a ser adicionados símbolos de profissões, religião e política no mastro.

No início do século XIX, o costume foi oficialmente valorizado na Bavária e passou a representar a identidade cultural do povo. Após as guerras mundiais, a Árvore de Maio ganhou ainda mais significado como símbolo de renovação, união e esperança.

Atualmente, muitas comunidades erguem e decoram o mastro com fitas, coroas e outros enfeites. Há também uma tradição curiosa: moradores de vilas vizinhas tentam roubar a árvore antes da festa, obrigando a comunidade a protegê-la até o dia da celebração.

A Maibaum permanece como um símbolo de primavera, trabalho, união comunitária e celebração das tradições.