LIDI avança com projeto do Lar dos Idosos e aguarda liberação ambiental para iniciar construção

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Jor. Marcelo Zemke

LIDI tem se destacado pela transparência na gestão dos recursos

Marcelo Zemke

A Associação Lar dos Idosos de Ibirama (LIDI) está cada vez mais próxima de concretizar um sonho coletivo: oferecer um espaço digno, seguro e acolhedor para os idosos da região. Com quase dois anos de existência, a entidade, presidida por Rubens Duwe, vem mobilizando a comunidade, promovendo eventos beneficentes e estruturando parcerias com o poder público e a iniciativa privada.

O projeto do Lar dos Idosos de Ibirama — conhecido como LIDI — prevê a construção de um espaço com 700 metros quadrados, incluindo refeitório, salão de convivência, áreas administrativas e até 20 kitnets individuais para oferecer mais autonomia e privacidade aos moradores. “A gente quer que o idoso tenha o seu cantinho, com dignidade. Hoje já temos cinco kitnets doadas por voluntários”, explica Rubens.

O terreno de 17 mil metros quadrados foi doado pelo empresário Cesário Rossini e está localizado próximo à tirolesa de Ibirama, a maior do Brasil.

Para iniciar as obras, no entanto, é preciso reabrir a estrada de acesso ao local, que depende da liberação do Instituto do Meio Ambiente (IMA) — exigência vinculada a um termo de reflorestamento imposto pelo Ministério Público.

 A exigência inicial de plantar 10 mil árvores nativas foi reduzida para 4 mil, e agora aguarda o parecer técnico para liberação definitiva. “Segundo o prefeito, existem cerca de 30 processos à frente. A expectativa é que dentro de 30 a 45 dias haja a liberação”, aponta Rubens.

Investimentos e transparência

Com cerca de R$ 120 mil já arrecadados em cinco eventos beneficentes e uma verba federal de R$ 1 milhão garantida para a obra da estrada, a associação está otimista quanto ao avanço do projeto em 2026. “A estrada vai beneficiar a cidade toda. Vai atender moradores, impulsionar o turismo e dar acesso à tirolesa. É um projeto coletivo”, ressalta Rubens, lembrando que a doação do terreno está condicionada à reabertura da estrada.

Além disso, o LIDI tem se destacado pela transparência na gestão dos recursos. “Todo mundo pode saber como estão as contas. Nossas reuniões são abertas, acontecem todas as sextas-feiras. A cada evento, divulgamos o balancete com as receitas e despesas”, reforça o presidente.

Outro projeto que está sendo discutido com a Prefeitura é a criação de uma espécie de creche para idosos — um espaço de cuidados diurnos para atender famílias que trabalham fora e não têm onde deixar seus pais ou avós.

 A proposta é aproveitar um prédio público desativado no bairro Dalbergia, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). “Temos mais de 30 creches para crianças, mas nenhuma para idosos. Essa é uma necessidade real”, afirma Rubens.

Reconhecimento e apoio institucional

O LIDI foi recentemente reconhecida como entidade de utilidade pública municipal, com aprovação unânime na Câmara de Vereadores, por meio de projeto de lei do vereador Guido Penz (PP). O reconhecimento permite à associação receber recursos públicos e, a partir de janeiro de 2026, também verbas federais. “Ontem mesmo recebi a visita de um representante de deputado federal que quer ajudar. O reconhecimento amplia muito as possibilidades de captação de recursos”, comemora o presidente.

Mobilização segue com nova costelada

O próximo evento beneficente da LIDE está marcado para o dia 28 de setembro, com uma tradicional costelada no bairro Progresso. “Esses eventos são fundamentais, não apenas pelo valor arrecadado, mas porque ajudam a divulgar a LIDE. Muita gente ainda não conhece nosso trabalho”, destaca Rubens.

Atualmente, cerca de 100 voluntários fazem parte da associação, com presença ativa nas ações e eventos. A expectativa é que, com a estrutura inicial construída, o espaço consiga atender, inicialmente, até 20 idosos. O projeto prevê a construção de kitnets separadas, respeitando a individualidade de cada morador. “Essas kitnets não são feitas com o dinheiro da LIDE. São doações diretas de pessoas que querem contribuir. Eu mesmo doei uma, e outros quatro amigos também”, revela Rubens.

Um sonho que é de todos

Ao final da entrevista, Rubens emociona-se ao lembrar que o projeto surgiu de uma simples conversa entre amigos do Stammtisch. “Eu sou budista, e acredito que a função do ser humano é ajudar o próximo. Esse projeto não é por vaidade, é por necessidade. Temos idosos sozinhos, abandonados, e precisamos cuidar deles”, diz.

Ele também lembra que, quando voltou a morar em Ibirama, pensou em revitalizar a beira-rio da cidade. “Mas quando conheci a proposta do asilo, vi que era ainda mais necessário. Estamos falando de dignidade, de cuidado. A LIDI é uma causa humanitária, e todo apoio é bem-vindo.”

Com muita dedicação e apoio da comunidade, a LIDI segue firme na missão de transformar a vida de muitos idosos da região — um passo de cada vez, rumo a um futuro mais humano e solidário.