Hansahoehe será oficialmente tombado como patrimônio histórico com presença da presidente da Fundação Catarinense de Cultura

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Jor. Marcelo Zemke

Edifício histórico completa 89 anos neste sábado, dia 20

Marcelo Zemke

A sexta-feira (19) entrou para a história de Ibirama com o anúncio do tombamento do edifício Hansahoehe, um dos maiores símbolos culturais e arquitetônicos da cidade. A solenidade deve contar com a presença da presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Terezinha Debatin, além de autoridades locais, como o prefeito Duílio Gehrke, representantes de entidades, entre eles, o presidente da Associação Hansahoehe, e moradores que celebraram o reconhecimento oficial do prédio como patrimônio histórico.

Inaugurado em 1936, o Hansahoehe completa 89 anos neste sábado, dia 20. Construído sob a liderança do médico alemão Friedrich Kröner e projetado pelo arquiteto Simão Gramlich, o edifício já foi considerado um dos hospitais mais modernos de Santa Catarina, chegando a ser chamado de “o hospital mais alto do estado”.

Ao longo de sua história, o prédio passou por momentos marcantes, como a prisão do Dr. Kröner durante a Segunda Guerra Mundial e a posterior intervenção do Governo do Estado, que transformou o hospital em sanatório para tuberculosos. Apenas em 1986 o Hansahoehe foi devolvido oficialmente à comunidade de Ibirama, em um ato que mobilizou toda a população.

Hoje, o prédio abriga o Museu Histórico Eduardo Lima e Silva Hoerhan, um teatro, além de clínicas médicas. O tombamento garante não apenas o reconhecimento de sua relevância histórica, mas também a possibilidade de captar novos recursos e investimentos para sua preservação.

“É um marco não só para Ibirama, mas para todo o estado. O tombamento assegura que este espaço continue preservado para as próximas gerações, mantendo viva a memória de sua importância cultural e social”, destacou.

Com 3,8 mil metros quadrados de área construída, o Hansahoehe segue imponente no coração de Ibirama, agora oficialmente protegido como patrimônio histórico de Santa Catarina.

Hansahoehe: 89 anos de história em Ibirama

O edifício Hansahoehe, marco arquitetônico e símbolo histórico de Ibirama, completou 89 anos no último dia 20 de setembro. Construído sem nenhuma barra de ferro na estruura, inaugurado em 1936, ele se destaca pela imponência e relevância, sendo frequentemente utilizado como imagem representativa da cidade. Nos primeiros anos de funcionamento, chegou a ser considerado “o hospital mais alto de Santa Catarina”, e jornais da época mencionavam que “todos os andares poderiam ser acessados de automóvel”.

A ideia de sua construção partiu do médico alemão Friedrich Kröner, que chegou a Ibirama em 1933 e se tornou o primeiro diretor do hospital. A pedra fundamental foi lançada em 12 de maio de 1935 e, em tempo recorde, a obra foi concluída em setembro de 1936. No mês seguinte, os primeiros pacientes foram recebidos.

Estrutura inovadora

Durante a construção, cada detalhe foi minuciosamente pensado. A orientação do prédio buscava aproveitar ao máximo a luz solar, e a espessura das paredes garantia refrigeração natural em uma época sem ventiladores ou ar-condicionado.

O Hansahoehe surgiu para substituir o antigo Hospital Hammonia, que funcionou de 1913 a 1935 na Rua Blumenau, no local onde hoje está a Delegacia de Polícia Civil. O Hammonia enfrentava dificuldades financeiras e problemas estruturais de insalubridade, como infiltrações e umidade.

A comunidade teve papel decisivo na construção do novo hospital. Houve apoio por meio de doações da população e da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE Ibirama), que contribuiu com roupas de cama e utensílios domésticos. A Alemanha também enviou auxílio financeiro através da Volksbund für das Deutschtum im Ausland.

O projeto arquitetônico foi assinado por Simão Gramlich, responsável também pela Catedral São João Batista, em Rio do Sul, enquanto Peter Schelle supervisionou a obra.

Prisão do Dr. Kröner e confisco

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1942, a história do hospital sofreu uma reviravolta. O Dr. Kröner foi preso sob suspeita de ligação com o Partido Nacional-Socialista da Alemanha. A denúncia partiu de uma enfermeira com quem ele mantinha desavenças, que relatou a existência de uma biblioteca com 440 livros em alemão dentro do hospital.

Kröner passou dois anos detido em campos de concentração em Florianópolis e no Rio de Janeiro. Nesse período, o hospital foi confiscado pelo Governo do Estado, transformado em sanatório para tuberculosos, conforme o Decreto nº 2459, de junho de 1942.

A devolução à comunidade

Após décadas de luta, o Hansahoehe foi devolvido à comunidade de Ibirama em 20 de setembro de 1986. O retorno foi marcado por grande euforia popular e pela realização de restaurações internas e externas com apoio da população e do Governo do Estado.

Em 1996, o prédio foi reinaugurado com o nome original. Desde então, passou a abrigar o Museu Histórico Eduardo Lima e Silva Hoerhan, além de um teatro, um cinema (atualmente desativado) e clínicas médicas.

Desafios atuais

Hoje, com seus 3,8 mil metros quadrados, o Hansahoehe sobrevive graças ao empenho de pessoas comprometidas com a preservação de sua memória. A manutenção, no entanto, é cara, sendo sustentada principalmente pelos aluguéis de salas e pelas contribuições de associados.

A Associação Beneficente e Filantrópica Hamônia estuda o tombamento do edifício, o que poderia abrir portas para novos recursos e investimentos, garantindo que este patrimônio continue a resistir ao tempo e a contar sua história para as próximas gerações.