Goleiro do Guarani denuncia caso de racismo durante partida da Copa dos Campeões em Rio do Oeste

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Jor. Marcelo Zemke

Caso de racismo interrompeu a partida em Rio do Oeste, válida pela Copa dos Campeões

Marcelo Zemke

Um episódio de racismo interrompeu uma partida de futebol amador na tarde deste sábado, dia 29, em Rio do Oeste. O jogo, válido pela Copa dos Campeões, colocava frente a frente à Sociedade Esportiva e Recreativa Guarani e a equipe do Verde Vale quando, segundo relatos, o goleiro Tom, do Guarani, passou a ser alvo de insultos racistas vindos da torcida adversária.

O goleiro Cleverton Henrique Ramos Silva, conhecido como Tom, relatou ter sido alvo de insultos racistas vindos da torcida adversária. O jogo foi encerrado após a aplicação do protocolo de combate ao racismo.

Segundo Tom, o episódio ocorreu por volta dos 20 minutos do primeiro tempo, durante a parada técnica. O atleta se dirigia ao banco de reservas para se hidratar quando ouviu um torcedor o chamar de “negão”, seguido de outras palavras que ele não conseguiu identificar por completo. O goleiro afirma que reagiu imediatamente. “Eu gritei para ele que não aceitava ser chamado de negão, porque eu não o conhecia e não tinha dado liberdade para falar comigo daquela forma”, relatou.

Além do torcedor, Tom afirma ter sido alvo de comentário ofensivo vindo do técnico da equipe adversária, que teria dito: “Não chama de negão não, chama de Vera Verão”.

Protocolo de racismo

Diante da situação, o goleiro pediu ao capitão Marcão que acionasse o protocolo de racismo previsto nas competições. Após consulta à arbitragem e à comissão técnica, a decisão foi tomada: a partida foi encerrada imediatamente.

“Eu disse que não voltaria para o jogo. Nunca faltei com respeito com ninguém e não vou aceitar isso. Chega de baixar a cabeça”, declarou o goleiro.

O Guarani divulgou nota oficial lamentando profundamente o ocorrido, prestando solidariedade ao atleta e reforçando que o clube tomará todas as medidas cabíveis. “Racismo é crime e não faz parte do esporte, da sociedade e muito menos dos valores do nosso clube”, diz o comunicado.

Tom registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (1º). Ele afirma que o torcedor responsável procurou o vestiário para pedir desculpas após o fim da partida, gesto que o atleta aceitou, mas deixou claro que seguirá com a denúncia:

“Me senti muito mal. Jogo há anos, inclusive profissionalmente, e nunca passei por isso. Vou procurar meus direitos para que isso não aconteça novamente.”

A competição deve aguardar o posicionamento da organização e possíveis medidas disciplinares contra os envolvidos.