Fotos: Resquícios de antigo cemitério católico estão no Centro de Ibirama

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Leo AW

Túmulos construídos em pedras ainda guardam vestígios da imigração alemã.

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Por Marcelo Zemke Rede Vale Norte

Foto: Alvino Klose

No dia 2,  foi Dia de Finados, dia no qual, oferece um momento de reflexão e lembrança aos nossos entes queridos já falecidos. Na data, as atenções se voltam para os cemitérios, que recebem inúmeros visitantes para limpeza e homenagens para relembrar a memória de um ente querido. Em Ibirama também é dia para lembrar dos primeiros desbravadores que contribuíram para o desenvolvimento da colônia.

Resquícios da existência destes primeiros antepassados de Ibirama estão escondidos em meio à mata na rua Dr Getulio Vargas. Ali, funcionou o principal cemitério católico de Hammonia, onde foram sepultados os primeiros imigrantes. Os túmulos construídos em pedras ainda guardam vestígios da imigração alemã. Hoje, o terreno é de propriedade particular e não está aberto a visitas.

Segundo registros históricos, o antigo cemitério foi desativado na administração do Padre José Antônio Brandel, que chegou em Ibirama em março de 1950. A desativação teria ocorrido por falta de espaço para novos sepultamentos e as sepulturas,  foram transferidas para o cemitério público na Rua 25 de Julho, instituído na década de 60, na gestão o prefeito Carlos Pabst (31/01/1966 a 31/01/1970).

O local, que ainda preserva algumas lápides do que foi um dos maiores campos santos da região, é alvo de constantes discussões reflexões, pincipalmente próximo a data de finados.

 

Foto: Alvino Klose

Transferência de sepulturas

Conforme narrativa histórica, grande parte das sepulturas foram transferidas para o Cemitério Municipal. Este foi a segunda alteração dos sepulcros, pois antes disso, em determinado período, houve o corte do terreno para a ampliação do espaço.

A história é narrada por Alvino Klose, que luta pela preservação histórica do espaço. Ele mantém narrativas nas redes sociais e também um acervo particular de fotografias. Ele revelou a reportagem que a primeira mudança de sepulturas ocorreu com corte do terreno, no qual as primeiras fileiras de jazigos foram transferidas para a parte mais alta do cemitério.

“Se alguém está preocupado com preservações e resgates históricos, deve adentrar-se primeira e urgentemente no mato, e ali fazer um levantamento arqueológico das sepulturas de muitos imigrantes lá esquecidos: Pokrywiecki, Klose, Hebeda, Nagel, Muller, etc. Todos sepultados pela segunda vez”, lamenta. Conforme ele, algumas destas lápides foram esmagadas durante a extração de pinus, depois da desativação do cemitério.

Entre estes túmulos, estava o do avô, Paulo Otto Pius Klose, que foi um importante educador em 27 comunidades em Hammonia, onde ensinou muitos falar o português em pleno período de nacionalização da Segunda Guerra Mundial.

“Em determinada época, o terreno foi cavado e os primeiros túmulos, que eram mais antigos, tiveram que ser transferidos. O do meu avô foi um dos primeiros túmulos a serem transladados. Mas também tinham sepulturas em que não haviam mais parentes próximos e estes, e as ossadas ficaram guardadas em caixas por um bom período no sótão no salão paroquial”, revela.

Mais tarde os ossos foram depositados em um jazigo eterno no próprio cemitério católico.

Igreja demolida

Foto: Arquivo Público Municipal de Ibirama

Para dar espaço à novos fieis, a igreja católica foi demolida no ano de 1966 e as missas foram realizadas no Salão Paroquial (hoje ao lado do colégio) até ano de 1977,  quando ocorreu a inauguração do novo templo – A paróquia Santo Huberto. “A nova paroquia foi construída no período 07 de novembro (1971) , quando ocorreu a benção da pedra fundamenta e foi inaugurada em 12 de 1977 quando ocorreu a inauguração”, cintam os registros.

Nela estão instalados quatro sinos de bronze adquiridos pela comunidade em 1951.

Já no local, onde existiu a antiga igreja e cemitério, ainda resiste a gruta da Santa Nossa Senhora das Graças e o imponente salão de festas.

Foto: Arquivo Público Municipal de Ibirama