Meta é zerar a fila de espera já a partir de maio com abertura de credenciamentos

A redução das filas na saúde pública de Ibirama foi o principal tema apresentado pela secretária municipal de Saúde, Meri Ionara Ribeiro, ao detalhar dados recentes do atendimento no município na Câmara de Vereadores. Segundo ela, houve queda significativa na demanda reprimida em diferentes áreas, com destaque para a fisioterapia. “Reduzir é bem diferente de zerar. Zerar a fila nós não vamos conseguir, é impossível. Uma pessoa aguardando ou duas, para nós, já é uma fila”, afirmou a secretária ao explicar a dinâmica do sistema público.
Conforme ela, ao assumir a pasta, a atual administração encontrou cerca de 500 pacientes aguardando por atendimento fisioterapêutico — o que, na prática, representa pelo menos 5 mil sessões represadas. A situação, segundo a secretária, não é pontual, mas estrutural: a demanda acumulada ao longo dos anos sempre superou a capacidade de resposta do município.
Mesmo com avanço na produção, o déficit persistiu. Em 2024, foram realizados 2.296 atendimentos. Já em 2025, esse número saltou para 3.311, um aumento de 44%. Ainda assim, insuficiente para conter a fila. “Hoje eu falo com propriedade e digo que nós temos vinte e cinco pessoas na fila. Nos próximos 15 dias, acredito que já não estejam mais na fila”, declarou.
O impacto direto recai sobre os pacientes. Há registros de espera de até 12 meses para início do tratamento, inclusive em casos pós-cirúrgicos. “Isso compromete a recuperação, prolonga a dor e pode transformar um problema tratável em uma limitação permanente”, pontuou a secretária.
Capacidade limitada e equipe no limite
Segundo a gestão, o principal gargalo não está na estrutura física, mas na limitação de profissionais. A estratégia apresentada prevê que o atendimento de maior volume seja ampliado via credenciamento, enquanto a equipe própria do município ficará concentrada em casos crônicos, atendimentos domiciliares e demandas judiciais.
Atualmente, a equipe atua no limite operacional, dividindo-se entre atendimentos ambulatoriais, visitas domiciliares, acompanhamento de pacientes crônicos e cumprimento de decisões judiciais. Esse conjunto de atribuições reduz a capacidade de absorver novos pacientes na clínica. “Não se amplia atendimento com sala vazia, se amplia com profissionais”, afirmou.
Credenciamento para ampliar oferta
Diante desse cenário, a Secretaria propõe uma reorganização do sistema com base em dois eixos: Ampliação do atendimento por credenciamento, permitindo que clínicas e profissionais externos atendam a demanda reprimida; Redirecionamento da estrutura pública, que passa a focar em casos mais complexos, como pacientes acamados, crônicos e situações judicializadas.
A secretária fez questão de diferenciar o credenciamento de terceirização. Segundo ela, trata-se de um instrumento legal que amplia a rede de atendimento, sem extinguir ou substituir o serviço público existente.
A meta é ambiciosa: zerar a fila de espera já a partir de maio. “O cidadão não pode ficar na porta da secretaria sem resposta. Eu não aceito a espera como normal”, declarou.
Um dos pontos que mais gerou repercussão foi a possibilidade de fechamento da clínica de fisioterapia. A secretária negou qualquer intenção nesse sentido. Ela afirmou que não há decisão de fechar a clínica e que o credenciamento não configura terceirização, mas sim uma ampliação da rede de atendimento. Segundo ela, o objetivo é utilizar melhor os recursos disponíveis e dar resposta mais rápida à população.
Ela reforçou que os equipamentos continuam sendo patrimônio público e que a estrutura seguirá ativa, porém com uma função mais estratégica dentro da rede. “Não estamos abrindo mão da estrutura, estamos usando com inteligência”, disse.
Também foi apontada a possibilidade de falhas de comunicação interna, especialmente em relação ao fluxo de encaminhamentos, o que pode ter contribuído para percepções divergentes entre servidores e gestão.




