Levantamento aponta mais de 900 acidentes e 23 mortes na região, reforçando necessidade de descentralização da estrutura de segurança viária
Marcelo Zemke
Um estudo técnico elaborado pelo vereador de Ibirama e presidente da Comissão de Segurança Pública da UCAVI, Saulo Eduardo Fonseca, defende a implantação de um posto da Polícia Militar Rodoviária Estadual (PMRv) no Vale Norte catarinense. O documento reúne dados de acidentes de trânsito registrados nos municípios de Ibirama, Presidente Getúlio, Lontras e Vitor Meireles e destaca a necessidade de ampliar a presença do Estado na região. O Comando de Polícia Militar Rodoviária (CPMRv) de Santa Catarina opera 25 postos distribuídos por todo o estado. Eles são responsáveis por fiscalizar rodovias estaduais, registrar acidentes, emitir laudos e prestar informações sobre tráfego.
Segundo o levantamento, a ausência de uma unidade operacional próxima da Polícia Militar Rodoviária Estadual gera dificuldades relacionadas ao tempo de resposta em ocorrências, fiscalização preventiva e atendimento de emergências nas rodovias estaduais que cortam a região. “O Vale Norte cresceu, ampliou sua importância econômica e logística, mas a estrutura de segurança viária não acompanhou esse desenvolvimento. Nossa proposta busca abrir um debate técnico e institucional para que a região receba a atenção necessária. Um posto da Polícia Militar Rodoviária Estadual beneficiaria diretamente milhares de motoristas, fortaleceria as ações preventivas e daria mais agilidade no atendimento de acidentes e emergências”, afirmou Saulo Fonseca, autor do estudo.
Atualmente, o policiamento rodoviário estadual que atende o Vale Norte está concentrado no posto de Aurora, o que, conforme o estudo, representa uma distância significativa para o atendimento de ocorrências em municípios como Ibirama, Presidente Getúlio, Lontras, Vitor Meireles, José Boiteux e Witmarsum.
Mais de 900 acidentes registrados
Os dados apresentados foram obtidos junto aos Bombeiros Voluntários dos municípios da região e revelam números expressivos de ocorrências de trânsito.
Em Ibirama, nos últimos cinco anos, foram registrados 395 acidentes, envolvendo 864 pessoas e resultando em sete mortes.
Já em Presidente Getúlio, o levantamento aponta 370 acidentes, com 597 vítimas envolvidas e dez óbitos no mesmo período.
Em Lontras, foram contabilizados 116 acidentes de trânsito, que deixaram 62 pessoas feridas e causaram três mortes.
No município de Vitor Meireles, onde os dados analisados compreendem um período de três anos, foram registrados 26 acidentes e três óbitos.
Somados, os números apontam mais de 900 acidentes e pelo menos 23 mortes na região, sem considerar possíveis vítimas que faleceram posteriormente em unidades hospitalares.
Presença estratégica
O estudo destaca que a implantação de uma unidade da Polícia Militar Rodoviária Estadual teria papel fundamental na prevenção de acidentes e no fortalecimento da segurança pública regional.
Entre os benefícios apontados estão a ampliação da fiscalização preventiva, redução do tempo de resposta em ocorrências, combate à embriaguez ao volante, monitoramento do transporte de cargas perigosas e apoio às ações integradas envolvendo Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, SAMU e demais forças de segurança.
Outro fator considerado relevante é a posição estratégica da região, marcada pela forte circulação de veículos de carga e pela proximidade com importantes corredores logísticos, como a BR-470 e diversas rodovias estaduais.
Apoio em situações de emergência
O documento também ressalta a importância de uma estrutura regionalizada diante dos eventos climáticos extremos que frequentemente atingem o Alto Vale do Itajaí.
De acordo com o estudo, a presença permanente da Polícia Militar Rodoviária Estadual poderia contribuir em ações de interdição de vias, gerenciamento de crises, evacuações e apoio logístico durante enchentes, deslizamentos e outras situações de emergência.
Debate institucional
Na conclusão, o estudo propõe a abertura de discussões junto ao Governo de Santa Catarina, Secretaria de Estado da Segurança Pública, Assembleia Legislativa e comando da Polícia Militar Rodoviária Estadual para avaliar a viabilidade da implantação de uma estrutura operacional na região.
Segundo Saulo Fonseca, a proposta vai além de uma ampliação administrativa, representando um investimento na preservação da vida, na segurança dos usuários das rodovias e no fortalecimento da presença do Estado em uma região considerada estratégica para o desenvolvimento econômico e social catarinense.






