Sem a forma grave da doença, SC registrou 41 casos de febre maculosa em 2022

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Lege: Doenças podem acometer amimais de estimação
Marcelo Zemke
Nos últimos dias, a morte de cinco pessoas por febre maculosa no interior de São Paulo, ganhou repercussão, gerando muitas dúvidas sobre a doença, transmitida principalmente pelo carrapato-estrela, que pode ser encontrado em capivaras, animais de grande porte, gambás, coelhos, entre outros. A capivara, assim como os outros animais, não transmite a doença para o homem. A transmissão ocorre pela picada no ser humano do carrapato-estrela infectado.
A febre maculosa é uma doença transmitida pela picada do carrapato infectado com a bactéria do gênero Rickettsia.
A transmissão acontece quando o animal infectado fica aderido ao corpo da pessoa ou também pela penetração das bactérias em lesões de pele, através do esmagamento do carrapato.
A doença nos pets
Quem tem animal de estimação, é comum levar a áreas verdes e fazendas, mas é preciso tomar cuidado. Normalmente, o carrapato estrela vive em regiões de parques, matas e nos animais que frequentam esses locais, como as capivaras. “A espécie mais comum da transmissão é o carrapato estrela mesmo Amblyomma cajannense encontrado em capivaras, cavalos e gado”, disse o médico-veterinário James Rodrigues Junior, do Centro Médico Veterinário de Ibirama, para a reportagem do JVN.
Não apenas as pessoas, mas os pets também estão suscetíveis à febre maculosa. Nos cães, a doença causa sintomas como letargia, perda de peso, lesões hemorrágicas, inchaços pelo corpo, vômito e diarreia. “A recomendação para os donos é uso frequente de medicações que combatem infestações de carrapatos, disponíveis no mercado tem comprimidos, pipetas e coleiras, protegendo o animal de ficar doente e também de carregar o carrapato para dentro de casa e infectar humanos”, orienta o médico-veterinário James Rodrigues Junior.
Conforme o veterinário, além de medicamentos, tutores devem ter cuidado ao manipular os carrapatos. “Lembrando que quando encontramos carrapatos em animais ou pessoas, não se deve espremer ele, pois assim tem a chance de ele inocular a bactéria (presente na saliva do carrapato) deve- se retirar cuidadosamente com uma pensa próximo às presas grudadas na pele”, orienta.
Doença em humanos e identificação
O estado de SC registrou 41 casos de febre maculosa em 2022. Neste ano, até agora, já são 18 casos confirmados. “É importante destacar que Santa Catarina não tem registro de óbitos por febre maculosa, justamente porque a bactéria encontrada no estado é a que produz quadros menos graves. Mas é preciso estar atento à prevenção e aos sintomas da doença”, destaca Ivânia Folster, gerente de zoonoses da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (DIVE/SC).
Em humanos, os primeiros sintomas aparecem de 2 a 14 dias após a picada. Na imensa maioria dos casos, sete dias depois. Os sinais são febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, desanimo, inapetência e aparecimento de pequenas manchas vermelhas.
Desde o ano de 2022, Santa Catarina é referência para a região sul para identificação dos carrapatos através do Laboratório de Entomologia da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC). Os carrapatos coletados em ações de vigilância ambiental são identificados pelo Laboratório e posteriormente encaminhados para pesquisa de riquétsias no Laboratório de Referência Nacional em Vetores de Riquetsioses – Fiocruz/Ministério da Saúde.
De acordo com a Dive, duas espécies da bactéria estão associadas aos quadros clínicos da doença: Rickettsia rickettsii, que leva ao quadro de Febre Maculosa Brasileira (FMB) considerada a doença grave, registrada no norte do estado do Paraná e nos Estados da Região Sudeste; e Rickettsia parkeri, que tem sido registrada em ambientes de Mata Atlântica (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Ceará), produzindo quadros clínicos menos graves.
“Os sintomas podem aparecer entre o segundo e o 14º dia de exposição. É sempre importante procurar por atendimento médico ao apresentar sinais e sintomas. O médico vai fazer a avaliação, investigando se a pessoa mora e/ou esteve em local de mata, floresta, fazendas, trilhas ecológicas e se ela pode ter sido picada por um carrapato. Além disso, são realizados exames para confirmar o diagnóstico”, explica Ivânia.
Prevenção da febre maculosa
A prevenção da febre maculosa é baseada no impedimento do contato com o carrapato. Por isso, é recomendado:
– Usar roupas claras, para ajudar a identificar o carrapato, uma vez que ele é escuro;
– Usar calças, botas e blusas com mangas compridas ao caminhar em áreas arborizadas e gramadas;
– Evitar andar em locais com grama ou vegetação alta;
– Usar repelentes de insetos;
– Verificar se você e seus animais de estimação estão com carrapatos;
– Se encontrar um carrapato aderido ao corpo, remova-o com uma pinça;
– Não aperte ou esmague o carrapato, mas puxe com cuidado e firmeza. Depois de remover o carrapato inteiro, lave a área da mordida com álcool ou sabão e água;
– Quanto mais rápido retirar os carrapatos do corpo, menor será o risco de contrair a doença. Após a utilização, coloque todas as peças de roupas em água fervente para a retirada dos insetos.




