Cristo Redentor é iluminado em campanha contra a violência às mulheres

Foto de Matheus Cerqueira

Matheus Cerqueira

O Cristo Redentor foi iluminado na noite de terça-feira (3) com projeções de mensagens de combate à violência contra as mulheres durante o lançamento da campanha “Feminicídio Nunca Mais”. A iniciativa utiliza o futebol como plataforma de mobilização social rumo à Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que será realizada no Brasil.

O monumento recebeu iluminação na cor teal (verde-azulado), símbolo global de solidariedade às sobreviventes de violência doméstica e sexual, além de frases de enfrentamento ao feminicídio.


Mobilização com esporte e comunicação pública

O evento reuniu autoridades e representantes de instituições públicas, entre elas a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, dirigentes da Empresa Brasil de Comunicação, da Embratur e da Petrobras.

A campanha integra a mobilização internacional da No More Foundation, que atua na conscientização sobre violência doméstica e sexual.

Durante a cerimônia, foi lançado o Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas, primeira premiação nacional dedicada exclusivamente ao futebol feminino. A TV Brasil exibirá peças de conscientização durante as transmissões da modalidade.


Protagonismo feminino e memória do esporte

O evento contou com a presença de pioneiras do futebol feminino brasileiro, entre elas Rosilane Camargo Mota, conhecida como Fanta 21, que relembrou o período em que a modalidade era proibida no país.

As ex-atletas participaram de vídeo institucional da campanha, que será veiculado durante transmissões esportivas.

Segundo os organizadores, a estratégia aposta no poder transformador do esporte para promover equidade de gênero e alterar padrões culturais relacionados à violência.


Debate e dados alarmantes

O lançamento foi antecedido por debate no programa “Sem Censura”, da TV Brasil. Durante a discussão, Janja Lula da Silva destacou que o Brasil registrou 1.470 mulheres assassinadas no último ano, recorde histórico.

A primeira-dama defendeu que o combate ao feminicídio exige mudança cultural, articulação entre os três poderes e mobilização da sociedade.

A campanha também busca envolver atletas do futebol masculino no debate, ampliando o alcance da mensagem.

Nos próximos dias, monumentos e prédios públicos em Nova York — cidade que também receberá jogos do Mundial feminino — serão iluminados na mesma cor, reforçando a dimensão internacional da mobilização.

Lançada em 2013, a campanha No More tornou-se um movimento global voltado à prevenção da violência doméstica e sexual, com foco na conscientização pública e na promoção de mudanças culturais duradouras.

Fonte: Agência Brasil