
Um morador do bairro Areado, em Ibirama, procurou a imprensa na manhã desta sexta-feira, 06, para relatar uma série de dificuldades enfrentadas pela comunidade, envolvendo as condições precárias de uma rua e problemas no atendimento do posto de saúde do bairro. O relato foi feito por Jocelino Bertotti Primo, que afirma viver uma situação de vulnerabilidade junto à família.
Segundo Jocelino, a Rua Rio de Janeiro apresenta um buraco de grandes proporções, o que dificulta o acesso de veículos, inclusive táxis e serviços de emergência. “Os taxistas têm medo de passar ali. Alguns deixam a gente lá embaixo, e eu tenho que levar tudo nas costas. Teve um que quebrou o carro e gastou mais de 200 reais”, relatou.
Ele afirma que a situação se agrava pelo fato de haver pessoas acamadas na localidade, que dependem de deslocamento para atendimentos de saúde. “Tem gente encamada ali. Os bombeiros até tentam ajudar, mas não é sempre possível. A rua está tomada pelo mato e ninguém aparece para trabalhar”, desabafou.
Além da infraestrutura, Jocelino também critica o atendimento no posto de saúde do Areado. De acordo com ele, faltam informações claras sobre horários, estrutura adequada para os pacientes e acolhimento. “Tu vai no hospital, mandam pro postinho. Vai no postinho, mandam pro hospital. A gente é pobre, trabalha pra comer hoje e amanhã”, afirmou.
O morador também relatou um episódio recente envolvendo atendimento pediátrico. Segundo ele, uma criança estava com dor, chorando, enquanto aguardava atendimento. “A menina gritava de dor e era pediatra. Mesmo assim, ficou esperando enquanto outros eram atendidos”, contou.
Outro ponto levantado é a falta de estrutura física no posto. “Não tem banco pra sentar, o pessoal fica no sol quente, tanto de manhã quanto à tarde. Como é que uma pessoa doente aguenta?”, questionou.
O morador afirma que espera providências e que segue acompanhando as informações pelos meios de comunicação. “A gente reclama, mas parece que nada acontece. Só queremos dignidade”, concluiu.
Prefeitura se manifesta
Procurada pela reportagem, o setor de Obras da Prefeitura de Ibirama, por meio da Secretaria responsável pela manutenção de vias, informou que a Rua Rio de Janeiro passa por manutenções periódicas, sendo atendida pelo menos duas a três vezes por ano, justamente por ser um local que apresenta recorrência de problemas, especialmente após períodos de chuva.
Segundo o setor, não é possível realizar intervenções toda vez que ocorrem chuvas intensas, devido à grande extensão da malha viária do município. “São mais de 600 quilômetros de estradas, e todas as comunidades precisam de atendimento. Não há como manter máquinas fixas em uma única rua”, destacou o secretário de Obras de Ibirama, Ayres Petersen.
Ele afirmou ainda que os trabalhos são realizados conforme a disponibilidade de equipes e máquinas, priorizando as demandas mais urgentes dentro do cronograma estabelecido, e ressaltou que seguirá atendendo a localidade dentro das possibilidades operacionais do município.
Em relação ao posto de saúde do Areado, a reportagem informou que irá encaminhar os relatos à Secretaria Municipal de Saúde para apuração e esclarecimentos sobre o atendimento e a estrutura do local.
O espaço segue aberto para manifestação da Secretaria de Saúde ou de outros setores da administração municipal.
Secretaria de Saúde esclarece fluxo de encaminhamento entre UBS e hospital
A Secretaria Municipal de Saúde divulgou uma nota esclarecendo que os procedimentos de encaminhamento de pacientes entre as unidades básicas de saúde (UBS) e o hospital do município seguem corretamente os fluxos estabelecidos pela rede pública de saúde, conforme as normas do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a Secretaria, o hospital é destinado ao atendimento de urgência e emergência, prestando assistência imediata para o alívio de sintomas e estabilização dos pacientes. Já as unidades básicas de saúde têm a função de realizar o acompanhamento contínuo e periódico, garantindo o cuidado integral ao longo do tratamento.
A nota destaca que, em muitos casos, pacientes deixam de realizar o acompanhamento regular na UBS ou interrompem o tratamento, optando por buscar atendimento direto no hospital. Nessas situações, após receberem o atendimento emergencial necessário, os pacientes são corretamente encaminhados de volta à unidade básica, onde devem dar continuidade ao cuidado.
Em relação à estrutura física, a Secretaria informa que as unidades básicas de saúde contam com área coberta e número de assentos suficientes para acomodar os pacientes, além de estrutura adequada para os atendimentos de sua responsabilidade.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a organização do fluxo de atendimento tem como principal objetivo garantir eficiência no serviço, continuidade do cuidado e qualidade na assistência, assegurando um atendimento mais organizado e resolutivo para a população.




