Família havia planejado com antecedência um passeio de balão na cidade, mas não voou no sábado por falta de vagas
Marcelo Zemke

O que era para ser um feriado de descanso e realização de um sonho quase terminou em tragédia para o casal Viviane Tambani de Borba e Altino Guilherme de Borba, e seus dois filhos, uma menina de 15 anos e um menino de 3, durante viagem a Praia Grande, no Sul de Santa Catarina. A família havia planejado com antecedência um passeio de balão na cidade, conhecida pelos voos sobre os cânions da região, mas escapou do acidente, após sucessivos adiamentos do voo. O balão levava 21 ocupantes, resultando em oito mortos e 13 feridos.
A viagem foi planejada com antecedência para aproveitar o feriado prolongado dos dias 19 a 22 de junho. O voo de balão estava marcado inicialmente para a sexta-feira (20), mas foi cancelado por conta do mau tempo e por conta disso, a família teve que procurar nova hospedagem para garantir o passeio no dia seguinte. Em contato com a agência responsável, o casal foi informado de que sábado ou domingo seriam dias mais viáveis. Eles tentaram remarcar para sábado pela manhã, mas não havia mais vagas — e o voo acabou ficando para domingo.
“Queríamos muito voar no sábado cedo, mas não conseguimos. Tudo começou a apontar que o voo só aconteceria no domingo. Hoje, acreditamos que foi a mão de Deus nos livrando”, relatou Vivi.
Antes mesmo da viagem, um episódio deixou a família apreensiva. “Na quarta-feira, nosso filho de três anos disse: ‘Mãe, o vô falou que vai pegar fogo e a gente vai lá no céu com Jesus’. O vô a que ele se referia era meu sogro, já falecido. Ele apontou para uma foto dele em casa. Ficamos arrepiados. Hoje, parece que foi um sinal”, contou Vivi, muito emocionada.
Encontro com vítimas
Na sexta-feira, o casal e os filhos decidiram subir a serra e conhecer os cânions. Em um dos mirantes, encontraram três mulheres — uma mãe e duas filhas — e, em um breve momento de convivência, tiraram uma foto do trio. “Elas foram muito simpáticas. A mãe arrumou o cabelo da minha filha e minha blusa para que a foto saísse bonita. Em retribuição, elas tiraram uma foto nossa também”, lembra.
O que a família não imaginava era que aquelas três mulheres estariam entre as vítimas do acidente do balão no dia seguinte. O impacto da notícia veio ainda no sábado pela manhã, quando estavam em Torres (RS), a cerca de 30 km de Praia Grande, buscando uma nova hospedagem. “Começamos a receber ligações de amigos e familiares perguntando se estávamos bem. Não sabíamos de nada ainda.”
Ao verificar as redes sociais, a mãe viu o vídeo do repórter William Fritzke, de Jaraguá do Sul, que mostrava fotos das vítimas. Entre elas, estava exatamente a imagem que ela havia feito daquelas três mulheres no mirante. “Foi um choque. Jamais reconheceríamos só pelos nomes ou pelas postagens, se não fosse aquela foto que tirei. Choramos e oramos por elas”, disse emocionada.
O voo de balão da família não aconteceu — nem no sábado à tarde, nem no domingo — devido ao luto na cidade e à comoção generalizada pelo acidente. “Foram muitos sinais. Algo maior nos protegeu. A tristeza é profunda pelas vidas que se foram, e o sentimento é de gratidão por estarmos vivos”, conclui o casal.
O acidente


A Polícia Científica de Santa Catarina divulgou neste domingo, 22, a lista oficial com o nome das oito vítimas fatais da tragédia ocorrida em Praia Grande com um balão de ar quente, na manhã de sábado, 21. Os corpos foram identificados por meio do trabalho de perícia.
Outros 13 ocupantes do balão sobreviveram ao acidente. Cinco pessoas que necessitaram de atendimento médico foram atendidas no Hospital de Praia Grande.
CORPOS IDENTIFICADOS
- Leandro Luzzi, 33 anos
- Andrei Gabriel de Melo, 34 anos
- Leane Elizabeth Herrmann, 70 anos
- Janaina Moreira Soares da Rocha, 46 anos
- Everaldo da Rocha, 53 anos
- Juliane Jacinta Sawicki, 36 anos
- Leise Herrmann Parizotto, 37 anos
- Fabio Luiz Izycki, 42 anos
Todos os corpos já foram liberados para as famílias.
A Polícia Civil já trabalha com uma linha principal de investigação. A suspeita é que um incêndio tenha começado no próprio cesto do balão, possivelmente causado por um maçarico que não fazia parte da estrutura original da aeronave. Foi o relato de mais de um dos ouvidos pelo delegado, que investiga o caso.




