O comandante dos Bombeiros Voluntários de Lontras, Clécio Brunning, defende mudanças na sinalização e na configuração das faixas de trânsito no trecho do km 128 da rodovia
Marcelo Zemke

A morte de quatro pessoas da mesma família em um grave acidente na BR-470, em Lontras, na noite de domingo (25), voltou a chamar a atenção para os riscos em um trecho da rodovia conhecido como Curva do Motel do Amor, no km 128. Diante da recorrência de acidentes graves na região, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Lontras, Clécio Brunning, publicou um vídeo em que aponta problemas na configuração das faixas de trânsito e cobra providências para aumentar a segurança dos motoristas.
No acidente mais recente, morreram Ronaldo Filipe de Jesus, de 33 anos, a companheira dele, Kayra Hartamann, de 31, a mãe dela, Claudia Ramos, de 51, e a filha do casal, Heloísa, de apenas sete anos. A família estava em um carro que colidiu com um caminhão.
O filho do casal, de 10 anos, também estava no veículo e sobreviveu à colisão. Ele foi socorrido em estado grave e permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional do Alto Vale, em Rio do Sul. Na terça-feira (27), a criança acordou.
As vítimas retornavam de Caçador, no Oeste catarinense, onde haviam viajado para votar, e seguiam para Camboriú, no Litoral Norte, onde moravam.

Bombeiro aponta problemas na configuração das faixas
No vídeo gravado no local, Clécio Brunning afirma que as equipes de emergência atendem frequentemente acidentes graves naquele trecho, alguns deles com mortes. Segundo ele, a disposição das faixas de trânsito pode contribuir para situações de risco, especialmente quando veículos precisam mudar de faixa em um trecho de curva.
O comandante explica que, na configuração atual, a faixa da direita termina, obrigando os veículos que trafegam por ela a ingressar na faixa central. Na avaliação dele, essa dinâmica pode provocar conflitos entre caminhões, carros e motocicletas, principalmente quando há ultrapassagens.
“Não tem placa, não tem avisos dizendo que essa faixa vai terminar, é em curva”, alerta Brunning durante a gravação.
Conforme a explicação apresentada no vídeo, um veículo que precisa mudar de faixa pode acabar sendo pressionado em direção à pista contrária quando outro automóvel tenta ultrapassar no mesmo momento. O risco seria ainda maior diante da presença de caminhões, que possuem pontos cegos e precisam de mais espaço para realizar manobras.
BR-470 registra 70 mortes em nove meses
Levantamento fornecido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que a BR-470 registrou 909 acidentes entre janeiro e setembro de 2026. No período, foram contabilizados 1.078 feridos e 70 mortes ao longo da rodovia.
Um dos pontos que chama a atenção é o quilômetro 128, em Lontras, no Alto Vale do Itajaí. Somente nesse trecho, foram registrados três acidentes, com oito feridos e quatro mortes no período analisado.
Os números reforçam a preocupação com a segurança viária na BR-470, importante ligação rodoviária para o transporte de cargas e o deslocamento de moradores da região.
Os dados foram fornecidos pela PRF e correspondem ao período de janeiro a setembro de 2026.
Proposta de mudança e reforço na sinalização
Como alternativa, Brunning sugere que seja avaliada a inversão da configuração atual das faixas, de modo que a faixa central termine e a faixa da direita tenha continuidade. A proposta, segundo ele, permitiria organizar melhor a entrada dos veículos na pista e reduzir conflitos durante as mudanças de faixa.
O comandante também defende a instalação de placas de advertência antes da curva, informando antecipadamente aos motoristas sobre o término das faixas. Ele sugere que os avisos sejam posicionados a diferentes distâncias do ponto de mudança, permitindo que os condutores reduzam a velocidade e se preparem para a manobra.
Para Brunning, a análise da sinalização e da geometria do trecho pelas autoridades responsáveis é fundamental para evitar novos acidentes.
Apelo por providências
Ao divulgar o vídeo, o comandante fez um apelo para que o alerta alcance os órgãos responsáveis pela rodovia e contribua para a adoção de medidas preventivas.
“Sabemos que não foi o primeiro e não será o último óbito neste local, se não fizermos alguma coisa. Vários óbitos já tivemos o desprazer de presenciar no mesmo local”, afirmou.
A manifestação busca chamar a atenção para a necessidade de avaliar as condições de segurança do trecho, especialmente a sinalização e a organização do fluxo de veículos.
A sugestão apresentada pelo comandante ainda depende de avaliação técnica dos órgãos responsáveis pela rodovia. A análise especializada poderá determinar quais intervenções são adequadas para reduzir os riscos de colisões no local.
O alerta reforça a importância de discutir medidas de engenharia de tráfego e prevenção de acidentes em um trecho que preocupa profissionais que atuam diariamente no atendimento às ocorrências na BR-470.



