Biólogo defende a implantação de CETAS (Centros de Triagem de Animais Silvestres)
Marcelo Zemke

A presença de animais silvestres em rodovias do Alto Vale do Itajaí tem aumentado a preocupação de autoridades e especialistas. Colisões envolvendo espécies como capivaras, tamanduás, quatis e até pumas são registradas com frequência em trechos da BR-470 e da SC-110, além de rodovias que cruzam municípios como Ibirama, José Boiteux, Presidente Getúlio e Dona Emma. Na semana passada, um motocilista ficou ferido ao atropelar uma capivara na rodovia Rodovia Pedro Moser, em José Boiteux. O acidente aconteceu no bairro Caminho Moema.
O caso reacende o alerta para os riscos que animais silvestres e de grande porte soltos oferecem nas rodovias do Alto Vale. Além de prejuízos materiais, colisões com animais podem resultar em ferimentos graves e até fatais, especialmente quando envolvem motociclistas. A Polícia Militar Rodoviária orienta os condutores a redobrar a atenção, especialmente em períodos de menor visibilidade, como à noite e de madrugada, quando os animais costumam se movimentar em busca de alimento.
Animais silvestres na pista


Especialmente nas rodovias BR- 470 e SC-110 em Ibirama, além de José Boiteux, Presidente Getúlio e Dona Emma, são frequentes os registros de acidentes desse tipo. A falta de cercas adequadas em propriedades e a proximidade das rodovias com áreas de mata e rios contribuem para o problema.
Além de capivaras, são registrados os atropelamentos de tamanduás, cachorro-do-mato (lobinho), quatis e até pumas, conforme registros fotográficos já divulgados no JVN.
De acordo com o biólogo Murilo Cristóvão, os motoristas devem estar cientes da presença destes animais, especialmente no período noturno. “Nas estradas públicas com a presença de capivaras o setor de trânsito do município deve colocar placas indicativas para que o motorista possa se prevenir, reduzindo a velocidade com o pisca alerta para não atropelá-las no caso de visualizá-las”, disse.
Capivaras: gigantes adaptadas ao ambiente urbano
As capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) são os maiores roedores do planeta, podendo chegar a 1,3 metro de comprimento e pesar até 90 quilos. No Brasil, habitam margens de rios, lagos e áreas alagadas, mas com a expansão urbana passaram a conviver cada vez mais próximas das cidades.
Conforme o biólogo, embora sejam vistas como animais dóceis, podem reagir de forma agressiva quando se sentem ameaçadas. Outro risco associado à presença delas é a Febre Maculosa, doença grave transmitida pelo carrapato-estrela (Amblyomma sculptum), comum nesses animais. “Se é percebido aumento da população de capivaras numa região, causando prejuízos, o órgão ambiental do município deve informar de forma protocolada para o Ibama, Policia Militar Ambiental ou IMA relatando a necessidade da criação de um plano de manejo que deve ser coordenado pelo órgão governamental competente”, orienta.
Ele defendeu a implantação de CETAS (Centros de Triagem de Animais Silvestres) para manuseio destes animais. “Em caso de aumento populacional de capivaras, os municípios devem acionar o Ibama, Polícia Militar Ambiental ou o Instituto do Meio Ambiente (IMA) para elaborar um plano de manejo. A criação de um CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) no Vale Norte também facilitaria o controle e o atendimento desses casos”, disse Murilo.
A orientação é que motoristas mantenham velocidade compatível com a via, utilizem faróis adequados e evitem manobras bruscas ao avistar animais na pista, pois a tentativa de desviar pode causar colisões ainda mais graves.
Em caso de acidente, a orientação é não abandonar o local e acionar as autoridades competentes: Polícia Militar Ambiental: (47) 3531-7599 e IMA: (48) 99915-6025.




