Assembleia Nacional da França aprova reforma sobre direito à morte assistida

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Matheus Cerqueira

A Assembleia Nacional da França aprovou, na quarta-feira (25/2), pela segunda vez, o projeto de lei que cria um novo direito à morte assistida no país. O texto recebeu 299 votos favoráveis e 226 contrários e ainda será analisado pelo Senado da França.

A proposta prevê a legalização de um sistema regulamentado de suicídio assistido e, em situações excepcionais, de eutanásia — embora esses termos não apareçam expressamente no texto.


Principais mudanças

O projeto já havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia, mas foi rejeitado pelo Senado, o que exigiu ajustes e nova votação.

Durante as duas semanas de debates mais recentes, cerca de 2.000 emendas foram analisadas. Dois pontos considerados sensíveis sofreram alterações:

  • Administração da substância letal: foram revertidas mudanças que permitiam ao paciente escolher livremente o método.
  • Definição de sofrimento: o texto passou a especificar que sofrimento psicológico isolado não justifica, por si só, o acesso à assistência médica para morrer.

Critérios para ter acesso

Para solicitar a assistência médica para morrer, a pessoa deve:

  • Ser maior de idade
  • Ser francesa ou residente na França
  • Sofrer de doença grave e incurável, em estágio avançado ou terminal
  • Estar apta a expressar sua vontade de forma livre e consciente
  • Apresentar dor física ou sofrimento considerado insuportável e resistente a tratamentos

O pedido deve ser feito a um médico, que abrirá um procedimento colegiado com pelo menos:

  • Um especialista na doença do paciente
  • Um profissional envolvido no tratamento
  • O próprio médico responsável

Após a análise, há um período mínimo de reflexão de dois dias antes da confirmação formal.


Objeção de consciência e penalidades

O texto assegura a médicos e enfermeiros o direito à objeção de consciência, desde que indiquem outro profissional disposto a realizar o procedimento.

A proposta também cria:

  • O crime de obstrução ao acesso ao suicídio assistido, com pena de até dois anos de prisão e multa de € 30 mil
  • O crime de incitação ao suicídio assistido, punível com até um ano de prisão e multa de € 15 mil

Próximos passos

O projeto retorna ao Senado em abril. Caso haja novo impasse, o processo poderá incluir comissão de conciliação entre as duas casas e nova votação final na Assembleia Nacional.

Antes da votação principal, o Parlamento aprovou ainda um texto voltado à ampliação do acesso aos cuidados paliativos, com a criação de centros intermediários entre hospital e domicílio, oferecendo inclusive sedação contínua.

O debate é considerado uma das reformas sociais mais relevantes discutidas na França nos últimos anos.

Fonte: Metrópoles