Recomendação da ONU para extinguir modelo foi divulgada no início de junho, após solicitação de parlamentares do PSOL

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, anunciou que vai ampliar de 15 para 21 o número de escolas cívico-militares no Estado até o final de 2026, contrariando diretamente a recomendação do Comitê de Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), que orientou o Brasil a pôr fim à militarização de unidades de ensino públicas.
Atualmente, mais de 10 mil estudantes catarinenses estão matriculados nesse modelo, que combina gestão civil com disciplina militar, reforçando normas de comportamento, hierarquia e atividades extracurriculares com foco em civismo e patriotismo. Em Ibirama, o modelo é aplicado na EEB Walmor Ribeiro, localizada no Distrito de Dalbérgia e tem como objetivo proporcionar um ambiente de aprendizado seguro e acolhedor, incentivando o desenvolvimento integral dos estudantes.
A recomendação da ONU foi divulgada no início de junho, após solicitação de parlamentares do PSOL que questionaram iniciativas semelhantes em outros estados, como o programa de escolas cívico-militares do governo Tarcísio de Freitas, em São Paulo. O comitê solicitou ao Brasil que adote medidas para reverter e impedir a militarização dessas escolas.
Mesmo assim, o governo catarinense afirma que o projeto será expandido, respaldado, segundo o governador Jorginho Mello, por uma “demanda da comunidade escolar”.
Em vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (26), o governador reafirmou a continuidade da proposta. “Aqui em Santa Catarina, a ONU não vai proibir nada. Vamos continuar expandindo o que dá certo. As escolas cívico-militares já mostraram sua eficiência na disciplina e no ensino”, declarou no vídeo publicado nas redes sociais. Ainda no vídeo, ele contrasta cenas de indisciplina e agressões, onde questiona se alguma delas ocorreu em escola cívico-militar.
De volta de uma viagem ao Japão, Mello defendeu práticas inspiradas no modelo educacional japonês, como o envolvimento dos alunos em tarefas cotidianas — por exemplo, lavar a louça entre as aulas. “Disciplina também é educação. Ou se aprende desde cedo, ou será incorrigível no futuro”, completou o governador, reforçando que o foco do governo é manter e ampliar políticas que, segundo ele, melhoram o rendimento escolar e o comportamento dos estudantes.




