Instituição sem fins lucrativos tem papel ativo na preservação da memória local e no fomento à literatura e educação no município.
A Academia de Letras do Brasil – Seccional de Ibirama completou 11 anos de atuação, consolidando-se como uma importante referência cultural no município. Criada em 2014 com o incentivo da escritora Apolônia Gastaldi, a entidade foi a primeira da região e inspirou a fundação de academias em cidades vizinhas como Presidente Getúlio, Dona Emma, José Boiteux, Agronômica e Ituporanga. A instituição, composta por 40 cadeiras, reafirma seu papel como guardiã da memória cultural e da valorização da literatura e do saber. Cada acadêmico carrega consigo a responsabilidade de cultivar, promover e difundir a linguagem, a arte e a cultura, preservando o legado intelectual da região.
Atualmente presidida por Suelen Fusinato, a Academia reúne escritores e entusiastas da literatura e da educação de forma voluntária, promovendo ações que estimulam a escrita, a leitura e o resgate da história local. “Em primeiro lugar, ter essa instituição organizada para pensar literatura, a produção escrita e a leitura na cidade já é algo bastante importante”, destaca Suelen.
Desde sua fundação, a Seccional tem enfrentado desafios típicos do voluntariado. “Nosso principal desafio hoje é conciliar as atividades da academia com a rotina profissional e familiar de cada membro. O tempo hoje é muito valioso”, explicou Suelen.
Valorização local
Entre as principais contribuições da Academia estão as publicações coletivas que registram a história e fortalecem a identidade de Ibirama. São obras como Histórias de Ontem, De Hammonia a Ibirama: retratos de uma história, Ibirama Inspira, Atafona do Selim e a cartilha Ibirama para Crianças. “Essas produções registram memórias de pessoas que viveram e vivem na cidade, deixando um legado para as futuras gerações”, comenta a presidente.
A cartilha educativa voltada ao quarto ano do ensino fundamental tem recebido destaque especial por sua abordagem lúdica e envolvente. Segundo Suelen, “esse material trabalha a história, cultura e patrimônio da cidade de forma acessível, com atividades que envolvem também os pais, criando um elo entre a criança, a escola e a família.”
Além das publicações, a Academia realiza mentorias com novos autores. “Os escritores que nos buscam recebem assessoria desde os primeiros rabiscos. Ajudamos a avaliar o texto, orientar sobre correções, edição e até a escolha de editora”, afirma Suelen. “O gênero é livre. A pessoa pode querer escrever romance, história, poesia… a Academia está aberta para orientar e incentivar.”
Outro projeto recente e de grande impacto é a parceria com a Viacredi Alto Vale, que promove contações de histórias em grupos da terceira idade com o personagem Palhaço Mocotó. A ação une literatura e cuidados em saúde. “Essa iniciativa leva brincadeiras, histórias e orientações de forma leve e interativa aos nossos idosos. É um projeto que também incentiva o uso da biblioteca pública”, explica Suelen.
Mesmo sem sede própria, a Academia mantém encontros mensais na Biblioteca Pública Municipal de Ibirama. Para se sustentar, conta com a venda de livros, editais de cultura e apoio de empresas parceiras. “A cartilha, por exemplo, é utilizada pela Prefeitura e impressa via licitação. Já os demais livros ajudam a manter as finanças da entidade”, explica a presidente.

Espaço no JVN
A Academia também marca presença no Jornal Vale do Norte, com uma coluna literária semanal assinada por seus membros. “É uma forma de levar um pouco da produção local às pessoas que talvez não tenham tempo de acessar os livros, mas podem se deliciar com textos e reflexões sobre a nossa cidade”, afirma Suelen.
Ao celebrar os 11 anos da Seccional de Ibirama, Suelen deixa um convite à comunidade. “A Academia pertence à comunidade. Somos um espaço onde a literatura, a cultura e a história se encontram com as pessoas, com seus saberes, vivências e sonhos. Se você ama a sua cidade, valoriza a educação, aprecia a arte ou deseja contribuir com um futuro mais humano e criativo, venha se aproximar de nós.”
Os interessados podem entrar em contato pelas redes sociais da Academia — no Instagram e Facebook — ou ainda acessar o site oficial, onde estão disponíveis informações sobre membros, publicações e formas de apoio.
Lista de imortais e ocupantes das cadeiras
A relação destaca nomes importantes da literatura, cultura, educação e história local, que contribuem ativamente para o fortalecimento da produção literária e do pensamento crítico em suas comunidades.
Confira abaixo os atuais ocupantes das cadeiras:
- Cadeira nº 01 – Apolônia Gastaldi
- Cadeira nº 02 – Harry Wiese
- Cadeira nº 04 – Suélen Fusinato
- Cadeira nº 06 – Nelson Secchi
- Cadeira nº 08– Glecy Therezinha Freitas Andrade
- Cadeira nº 09 – Auristela Fusinato Wilhelm
- Cadeira nº 11 – Dirceu Leite
- Cadeira nº 12 – Leonardo Secchi
- Cadeira nº 14 – Joel Rone Hoffmann
- Cadeira nº 15 – Célia Beltramini
- Cadeira nº 16 – Maria da Graça de Souza Feijó
- Cadeira nº 17 – Izabel Petersen
- Cadeira nº 18 – Neusa Ana Slomski Angioletti
- Cadeira nº 20 – Maria Aparecida Cristóvão da Silva
- Cadeira nº 21 – Manuel José (in memoriam)
- Cadeira nº 22 – Marcli Teresinha Rocha Carvalho
- Cadeira nº 24 – Eliana V. Jaeger
- Cadeira nº 25 – Marlene Siegle Schonrock
- Cadeira nº 26 – Maria Selma Grosch
- Cadeira nº 28 – Cristina Constância Cavalcanti Vieira
- Cadeira nº 30 – Hilda Chiquetti Baumann
- Cadeira nº 31 – Grégory Peter Kietzer
- Cadeira nº 32 – Elvira Schulze
- Cadeira nº 33 – Cátia Marcílio
- Cadeira nº 34 – Dante Bonin
- Cadeira nº 35 – Katiúscia Raika Brandt Bihringer
- Cadeira nº 36 – Dabnei Suani Howe
- Cadeira nº 37 – Viviane Caliskevstz
- Cadeira nº 38 – Ricardo Kugler
- Cadeira nº 39 – Marino Luiz Eyerkaufer
- Cadeira nº 40 – Sérgio Marian




