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Rede Vale Norte

Alto Vale cobra plano permanente contra cheias em roadshow do Voz Única

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Foto de Jor. Marcelo Zemke

Jor. Marcelo Zemke

Região concentra o maior número de desabrigados por enchentes entre as 12 regionais de Santa Catarina na última década; prevenção estrutural é a prioridade nº 1 dos pleitos apresentados a candidatos a deputado federal e estadual

Rio do Sul recebeu na noite desta quarta-feira (9) mais uma etapa do roadshow Voz Única 2026, programa da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) que leva a candidatos a deputado federal e estadual as prioridades do setor produtivo catarinense. Entre os seis pleitos definidos pela regional Alto Vale, o combate às enchentes ocupa o primeiro lugar, resultado de uma década de perdas recorrentes na região.

Entre 2015 e 2025, o Alto Vale registrou 15.049 desabrigados por inundações, enxurradas, alagamentos e tempestades, segundo dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), levantados pela Facisc. O número é o maior entre as 12 regionais da Federação, à frente da Grande Florianópolis (7.068 desabrigados) e mais que o dobro do Planalto Norte (2.914), terceira colocada. No mesmo período, os prejuízos financeiros privados na região somaram R$ 6,6 bilhões, dos quais mais de 70% recaíram sobre a agricultura. Foram 55,5 mil unidades habitacionais danificadas e 948 destruídas, além de 111 unidades públicas de saúde, 220 de ensino e 786 obras de infraestrutura pública atingidas.

Diante desse cenário, o pleito prioritário aprovado pelas associações empresariais do Alto Vale prevê a implantação e a manutenção de um sistema integrado de prevenção e controle de cheias, com obras estruturais, barragens, contenções e monitoramento permanente. “Eu escutei, enquanto buscávamos os pleitos: o que acontece em Rio do Sul? A resposta foi enchente. Alto Vale não é só enchente, temos muito mais aqui. Mas para que isso apareça, precisamos pensar em prevenção e controle de cheias. Esta é a nossa prioridade número 1. Já existem obras em andamento, mas ainda precisamos de muito mais”, Jean Sandro Pedroso, vice-presidente regional da Facisc no Alto Vale.

Ele também reforçou a permanência da duplicação da BR-470 entre as demandas da região, pleito de âmbito federal que prioriza os trechos de maior risco e fluxo e a manutenção perene da rodovia. Na última década, o trecho catarinense da via somou 5,4 mil feridos, 311 mortes e 1,2 mil feridos graves, conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF). “A BR-470 continua nos nossos pleitos. Ela é vital para a nossa região. Não tem como ela não estar. Ano após ano, ela continua assim. Não é choradeira do pessoal do Alto Vale: precisamos que vocês cobrem e lutem por ela, para que possamos, enfim, colocá-la na lista dos realizados”.

Saúde, segurança, mobilidade e educação completam a lista

Os outros quatro pleitos da regional tratam de saúde, segurança pública, mobilidade e educação. Na saúde, a proposta é ampliar a capacidade do Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul, e da rede hospitalar dos demais municípios. Levantamento do Ministério da Saúde mostra que o número de leitos do SUS na região caiu de 728 para 714 na última década, mesmo com crescimento populacional de 14%. As UTIs aumentaram de 35 para 49 no período, mas a proporção por 100 mil habitantes (15) segue abaixo da média catarinense (16).

Em segurança pública, o pleito propõe o aumento do efetivo policial na regional, com incorporação de tecnologias de monitoramento e inteligência. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontam mais de 2 mil vítimas registradas no Alto Vale entre 2015 e 2025, média de 182 por ano. As tentativas de homicídio cresceram 60% no período, e as tentativas de feminicídio, 333%. O diretor do Voz Única da Facisc, Jeferson Argenton, explica que a segurança depende de mais do que efetivo policial. “Não podemos cair na utopia que vamos resolver o problema de segurança apenas com aumento de efetivo. Temos que atuar com inteligência e estratégia. Precisamos estruturar e fortalecer, promover a união entre a iniciativa pública e o setor privado. Com isso, conseguimos resolver nossos problemas”.

O quinto pleito da região trata da mobilidade e propõe consolidar e executar o Plano de Mobilidade da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), com prioridade para a SC-350, o viaduto de Rio do Sul e o acesso a Trombudo Central. Segundo o Sistema de Informações Estatísticas (SIE), a SC-350 teve mais de 2,2 mil acidentes entre 2015 e 2025, média de 203 por ano, com mais de 54% dos registros concentrados no trecho entre Trombudo Central e Ituporanga.

Já na educação, a meta é elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) com qualificação docente, avaliações contínuas e gestão escolar orientada por resultados. Em 2025, o Alto Vale igualou a média catarinense nos três segmentos avaliados, mas registrou um dos menores crescimentos do estado no ensino médio entre 2023 e 2025 — apenas 5%, à frente somente da regional Norte.

Um documento para 12 regiões

O Voz Única reúne 1.217 demandas construídas pelas associações empresariais e por empresários de mais de 51 mil empresas representadas pela Facisc. Nesta edição, o levantamento recebeu mais de 29 mil votos e definiu 72 pleitos prioritários, seis por regional, distribuídos em oito eixos temáticos, infraestrutura é o principal deles. No Alto Vale, o processo somou 105 pleitos ao longo das edições do programa, 53 em 2022 e 52 nesta edição. “O Voz Única traz o que cada município, o que cada empresário considera importante para Santa Catarina crescer. Ele reúne em uma só voz as demandas dos empreendedores de cada cidade, de cada região, e as entrega aos candidatos. É uma ferramenta para unir esforços em prol do nosso estado e do nosso país, para juntos construirmos um lugar melhor. Quem souber executar vai governar melhor, legislar melhor. Estamos aqui para oferecer parceria: contamos com vocês”, Elson Otto, presidente da Facisc.

O presidente do Conselho Superior da Facisc, Sérgio Rodrigues Alves, ressalta que o objetivo maior do Voz Única é o diálogo. “O Voz Única incentiva a participação comunitária, essencial para as nossas cidades e para o nosso estado”.

O diretor do Voz Única, Milvo Zancanaro, explicou que a plataforma é uma construção coletiva. “Nós ouvimos todos os empresários ligados a todas as associações de Santa Catarina. O Voz Única é um instrumento de apoio e orientação, que serve para vocês usarem nas suas ações”.

O encontro em Rio do Sul teve caráter institucional e apartidário. Cada candidato credenciado teve direito a até dois minutos de manifestação, com ordem de fala definida por sorteio. O circuito do Voz Única 2026 segue nesta semana para Caçador, nesta quinta-feira (10/9), e chega a Brusque no dia 15/9. O último encontro acontece no dia 17/9, com candidatos ao Governo do Estado e ao Senado, em Florianópolis, na sede da Facisc.

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